Célula é um grupo de relacionamento constituído de até doze pessoas (número máximo ideal), mas que pode chegar a quinze membros, reunindo-se semanalmente como uma família de Deus (cf. Ef 2, 19). Nela, se vivencia a comunhão fraterna, o louvor e a adoração, a edificação na Palavra, o evangelismo e o serviço uns aos outros, procurando aumentar gradativamente nos discípulos a comunhão com o Senhor.
As células fazem parte da vida do povo de Deus. Prova disto são os exemplos de Moisés (cf. Ex 18, 21) e, sobretudo de Jesus, que liderou os doze, a primeira célula da Igreja (cf. Mc 3, 14).
1. Onde a célula se reúne?
Priorizamos as reuniões nos lares como verdadeiras comunidades domésticas, mas a célula pode se reunir também em empresas, em escolas, em salões de condomínios, em qualquer lugar que propicie o silêncio e o bem estar dos membros.
2. Por que uma célula não pode ter mais de 12 ou até 15 pessoas?
Porque num grupo maior não há tempo suficiente para que todas as pessoas compartilhem e recebam ministração. Além disto, sendo o acompanhamento pessoal dos membros, um dos valores da visão de células, este torna-se impossível com um número elevado de pessoas. Por fim, também as casas, normalmente, não comportam mais do que este número para uma reunião agradável e bem acomodada.
3. O que a célula não é:
a) Grupo de devoção: existem muitos grupos devocionais que se reúnem nos lares. São baseados em práticas religiosas como o terço e as novenas. Certamente têm sua utilidade, mas diferem essencialmente quanto aos propósitos das células;
b) Grupo de oração: normalmente esse tipo de grupo é composto de pessoas que têm a seguinte atitude: “O que o grupo pode fazer por mim?” (Emprego, cura, conhecimento…). Um dos estágios da reunião da célula é a oração, mas não é esta a sua maior proposta;
c) Grupo de discussão bíblica: estes grupos, também conhecidos como círculos, não estimulam a comunhão fraterna. A célula, além de atender às reais necessidades das pessoas, é uma experiência aberta a acolher novas pessoas, e jamais pode fechar-se em si mesma;
d) Grupo de formação: estes grupos oferecem um crescimento espiritual num ambiente fechado e exclusivista. Na célula acontece o discipulado dos membros, mas ela não pára nisto.
Portanto, célula não é um grupo fechado de cristãos, criado só para algumas pessoas da Igreja; ela é uma pequena comunidade cristã que tem a multiplicação do corpo de Cristo como objetivo.
E embora tenha reuniões, não se limita a elas. Célula é uma comunidade viva, em ação, onde os membros são comprometidos uns com os outros, dentro e fora das reuniões. Também não são grupos paralelos à estrutura do corpo eclesial (paróquia, comunidade), mas são justamente a base vivificante deste corpo.
4. Como é uma célula?
A célula não é o corpo todo, mas traz dentro de si todas as informações necessárias para gerar um corpo inteiro. Isto é o que na biologia chama-se informação genética.
Nesse sentido, célula é uma miniatura da Igreja, reunindo-se nos lares. A célula é uma pequena comunidade e ao mesmo tempo um centro de treinamento ministerial, pois além de seus membros vivenciarem o “amai-vos” (cf. Jo 13, 34), são capacitados para o “ide” (cf. Mt 28, 19).
A célula imprime um estilo de vida nos seus membros, de modo que não conseguem separar fé e vida. Por isso, testemunham sua fé no meio em que vivem (oikos), penetrando nos variados segmentos da sociedade, como sal e luz (cf. Mt 5, 13-14).
A convivência dos seus membros é o que garante vida à célula. Nela são gerados fortes vínculos de comunhão, de amizade, de aceitação. Algumas células são homogêneas (exemplo: somente casais, jovens, mulheres…), outras heterogêneas (integrando pessoas de diferentes sexos e idades).
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