JMJ: o que esperar?
28/8/2013
 






Os jovens presentes na JMJ clamavam: “esta é a juventude do Papa”. Percebia-se algo semelhante ao clamor do povo nas ruas, durante o mês de junho p.p. A juventude clama por mudanças, à espera de líderes aos quais se agreguem, orientando-se para os rumos de uma vida edificada em ideais sólidos, equidistantes do cansaço do bem-estar propagado pela sociedade de consumo. Em vista do lucro, a cultura da sociedade de consumo alicia as pessoas e as transforma em usuárias, dependentes, medíocres, inúteis. O prazer sem compromisso social destrói grandes ideais dos quais a juventude sempre é portadora, não obstante conflitos inevitáveis entre gerações. Faz parte do aprendizado.

A JMJ apostou nos jovens que se demonstraram abertos aos valores humanos e cristãos e se dispõem a assumi-los como princípios referenciais que os ajudam a construir a própria vida, constituir a sua família e edificar uma sociedade melhor. A JMJ apostou em quem aceita e acolhe os jovens. Muitos deles desejam retornar à vida cristã, pedindo acompanhamento no processo de conversão e compromisso de transformação. Impressionou-me o testemunho de jovens dados durante as catequeses. Alguns foram libertados do submundo das drogas e da vida leviana, por convite simples e corajoso de outros jovens. Para quem está numa pior, um convite para conhecer ambientes sadios, seguindo-se um acompanhamento sincero no caminho do bem e da verdade, faz toda a diferença. A alternativa da vida saudável vincula-se à aceitação das raízes familiares que, se antes foram desprezadas, agora se constituem como sentido para a vida.

A espiritualidade cristã motiva e incentiva muitos a recuperarem a alegria de pertencer a uma família e se inserir socialmente pela capacitação ao trabalho. A JMJ foi exemplar de oportunidades de reapresentar à juventude os ideais que lhes são próprios, não obstante o desvio do sono letárgico do consumismo que os alicia, da ideologia dos grupos de pressão tentando manipular a juventude, tentando fazê-la dependente de drogas e de reduzi-la à massa de manobra da violência. Percebo que nós, consagrados, primeiros responsáveis pela vida e missão evangelizadora da Igreja, devamos construir conjuntamente com os adolescentes e os jovens que buscam novo sentido para a vida. Não se trata se um planejamento estratégico único, mas de projetos alternativos, a partir do que eles esperam. O modelo de Igreja que eu tenho na cabeça não é o que muitos deles têm no coração. Porém os jovens pedem que estejamos junto a eles e que os orientemos. Assim também esperam que os governantes ofereçam-lhes oportunidades para o seu desenvolvimento integral. Estamos preparados para assumir a desafiadora missão?
Dom Aldo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba (RN)

DEZEMBRO DE 2012: O MUNDO VAI ACABAR?
30/11/2012
 



Não é brincadeira! O mundo vai acabar! Com toda certeza, um dia Deus será tudo em todos, as coisas antigas passarão,contemplaremos o Filho do Homem vir nas nuvens com grande poder e glória (Mc 13,26). Mas... “quanto àquele dia, ninguém sabe, nem os anjos do céu,nem o Filho, mas somente o Pai” (Mc 13,24-32). É da segunda carta de São Pedro a recomendação: “O que esperamos, de acordo com a sua promessa,são novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Vivendo nesta esperança, esforçai-vos para que ele vos encontre numa vida pura, sem mancha e em paz. Considerai também como salvação a paciência de nosso Senhor” (2 Pd 3,12-15). Aliás,já vivemos no fim dos tempos, desde que veio o Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Inaugurou-se,pela bondade de Deus, o tempo novo. Somos por ele chamados a viver nesta terra antecipando e apressando o dia de Deus (cf. 2 Pd 3,12).

Logo, nenhuma preocupação com o fim do mundo, mas muita ocupação em viver neste mundo com justiça e piedade. Quando se completar a obra, esta chegará ao seu término, estará pronta, chegará ao fim! Vale a pena buscar um roteiro de viagem para a caminhada nesta terra, ocupando-nos com o que constrói desde já o Reino de Deus, no qual também os seus filhos reinarão.

Temos uma virtude, que é dom de Deus recebido de presente no Batismo,a esperança, que nos dá a certeza de não estarmos num beco sem saída.Não fomos jogados neste mundo, como obra do acaso! Temos nome diante a face de Deus, somos reconhecidos e tratados como filhos e destinados à felicidade.O Pai do Céu fez este mundo como paraíso para suas criaturas, e é nossa missão lutar para que ele seja assim e para todos. Daí, faz parte da missão do cristão reconstruir, consertar, tomar iniciativa, espalhar o bem, semear por acreditar na colheita, não só aquela do final dos tempos, mas as muitas e sucessivas florações do jardim de Deus em torno a nós. Em qualquer etapa da viagem, a meta é certa!

Não perder tempo, mas preencher com amor a Deus e ao próximo cada instante da existência. Quem chega ao fim de um dia maravilhosamente cansado, depois de ter feito o bem, será feliz e realizado. Nem terá tempo para medo de escuridão ou dos inexistentes fantasmas que podem povoar a “louca da casa”, a imaginação. Não terá medo da morte, pois sabe que ela um dia chegará no melhor momento da existência de cada pessoa. É que Deus, sendo Amor,colherá a flor da vida de cada filho ou filha no tempo certo, pois para ele um dia é como mil anos e mil anos como um dia (Sl 89,4). Ninguém na ociosidade! Não perder tempo!

Ao longo da estrada, há sinais oferecidos por Deus, mostrando o rumo da viagem. Pode ser o irmão caído à beira do caminho, um grito que pede atenção. Ali, há que descer da montaria de nosso orgulho ou falta de tempo, derramando o óleo e o vinho do afeto (Cf. Lc 10,30-37), dando o que pudermos para que aquele que caiu seja confiado à “estalagem” chamada Igreja, a quem cabe cuidar da humanidade até o Senhor voltar! Muitas vezes será a palavra anunciada, “oportuna e inoportunamente” (2 Tm 4,2), cujo som ecoa e chega ao ouvido e ao coração. Até o Senhor voltar, sinal será a comunidade que participa da Eucaristia, enquanto espera sua vinda, clamando quotidianamente “Vem, Senhor Jesus”. Na Eucaristia, torna-se presente o sacrifício de Cristo, sua Morte e Ressurreição. Mesa preparada, irmãos acolhidos, Céu que se antecipa e nos faz missionários! Acolher a todos e fazer crescer a Igreja.

Quem escolhe o seguimento de Jesus Cristo prestará atenção nos “sinais dos tempos”, aprendendo com as lições de sua história pessoal e dos acontecimentos. Para dar um exemplo,ao ler ou ouvir as notícias diárias de crises, crimes ou desastres, saberá ir além dos sustos ou escândalos. Ao invés de achar que o fim do mundo está chegando, porá mãos à obra,buscando todos os meios para que o dia de amanhã seja melhor do que hoje.Será sua tarefa ir além das eventuais emoções oferecidas pelos acontecimentos, para edificar com serenidade e firmeza o futuro. Se para tanto haveremos sempre de contar com a graça de Deus, que ninguém se esqueça de que, após a criação do mundo, o cuidado com tudo o que era “muito bom” (Cf. Gn 1,1-31) foi entregue ao homem e à mulher.Responsabilidade!

Mais ainda! Quem olha ao seu redor, verá que a viagem se faz em comunhão com outras pessoas. Ninguém tem todos os dons e todas as capacidades. O apóstolo São Paulo já ensinava,comparando com o corpo a vida da Igreja (Cf. 1 Cor 12,1-31) o jeito de partilhar com os outros na aventura da existência nesta terra.Enquanto caminhamos, é bom aprender as leis da eternidade, onde Deus será tudo em todos. Partilhar os dons e os bens, superar a ganância e aproveitar todas as ocasiões para estar com os outros, construindo um mundo de irmãos. Na eternidade, não haverá luto, nem dor, egoísmo ou tristeza! É bom antecipá-la!Assim, ouvir a Igreja que fala do fim dos tempos, será uma positiva provocação a todos os cristãos. Atenção aos avisos de trânsito na estrada do Reino definitivo: “A meta é certa!”; “Não perder tempo!”; “Acolher a todos e fazer crescer a Igreja!”; “Responsabilidade!”; “Antecipar os valores da eternidade!” Poderemos então rezar confiantes: “Senhor nosso Deus, fazei que nossa alegria consista emvos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindoa vós, o criador de todas as coisas”. Amém! Maranatha! Vem,Senhor Jesus! Amém! (Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém (PA))

Sínodo dos Bispos: como vai?
22/10/2012
 



Concluída a segunda semana da XIII Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, há muita gente que se pergunta: o Sínodo, como vai? e os brasileiros no Sínodo, como estão? No relato anterior , intitulado "Sínodo dos Bispos: como acontece?", foram apresentadas várias informações sobre como o Sínodo é realizado. São abordados, aqui, o andamento dessa Assembleia Sinodal e, de modo especial, a participação do Brasil.
Representando o Brasil, estão os quatro bispos eleitos na última Assembleia Geral da CNBB: D. Geraldo Lyrio Rocha, de Mariana, D. Leonardo U. Steiner, secretário da CNBB, D. Odilo Scherer, de São Paulo, D. Sergio da Rocha, de Brasília, e o bispo nomeado pelo Santo Padre, D. Benedito Beni dos Santos, de Lorena. Cada um deles teve oportunidade de fazer um pronunciamento de no máximo cinco minutos, rigorosamente cronometrado. Todos optaram pelo italiano, uma das cinco línguas oficiais do Sínodo.

Um texto maior e mais completo foi entregue à Secretaria Geral do Sínodo. Os pronunciamentos são baseados nos temas do Instrumentum Laboris, documento preparatório que desenvolve o tema geral deste Sínodo: "A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã". Os bispos do Brasil e da América Latina tem se referido bastante ao Documento de Aparecida. Os bispos brasileiros tem se inspirado também nas atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.
D. Sérgio falou no dia 10, destacando a importância dos catequistas e do processo de iniciação cristã na Nova Evangelização. D. Beni apresentou os novos desafios à Evangelização e a contribuição dos movimentos eclesiais e novas comunidades. No dia 13, falaram D. Leonardo e D. Odilo. A atuação dos leigos e de, modo especial, o papel da juventude, foram destacados por D. Leonardo. D. Odilo abordou o testemunho dos santos e a necessidade de novos evangelizadores com profunda experiência de fé. Por fim, D. Geraldo Lyrio, no dia 16, ressaltou o papel da liturgia como lugar privilegiado de encontro com Deus e de evangelização. Cada um dos participantes gostaria de apresentar muitos outros temas relevantes para a evangelização no Brasil e no mundo. Contudo, este não foi o único momento em que os participantes podem falar. Tem sido preciosa a reflexão partilhada nos grupos de trabalho ("circoli minori"), por grupo linguístico. A "palavra livre", no final das principais sessões, tem sido enriquecedora, permitindo maior participação. A convivência fraterna entre os bispos, nos intervalos das sessões e nas casas de hospedagem, tem ajudado muito na reflexão e na busca de propostas pastorais.

Há outros brasileiros participando do Sínodo. O cardeal D. João Braz de Aviz participa como Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada. Foram nomeados como "auditores": a Ir. Maria Antonieta Bruscato, FSP, Superiora Geral da Pia Sociedade das Filhas de São Paulo, e o Pe. Ari Luis do Vale Ribeiro, da Diocese de Santo Amaro - SP. O Pe. Luiz Alves de Lima, SDB, atua como "perito".

A última semana é decisiva. Serão concluídas e votadas as "proposições" que servirão, especialmente, para a elaboração da "Exortação Apostólica Pós-Sinodal", documento pontifício a ser oportunamente publicado. A "Mensagem", divulgada sempre no final da Assembleia Sinodal, já foi apresentada e discutida em plenário, restando apenas a aprovação do texto definitivo, prevista para o dia 26. A nomeação do Arcebispo de Brasília para compor a Comissão da Mensagem do Sínodo (Nuntio Apparando), formada por doze bispos, tem sido vista como gesto de reconhecimento da importância da Igreja no Brasil e na América Latina.
O Sínodo dos Bispos tem sido uma ocasião especial de comunhão na Igreja. É bela a experiência de convivência e diálogo entre os bispos dos vários continentes e, de modo especial, a presença do Santo Padre. A participação assídua do Papa Bento XVI, a sua sabedoria, simplicidade e cordial atenção têm encantado a todos. O Sínodo representa um dos frutos preciosos do Concílio Vaticano II, promovendo a unidade e a corresponsabilidade na Igreja. Trata-se de um exercício precioso de colegialidade episcopal. A participação de presbíteros, religiosos(as), diáconos e leigos(as) amplia e fortalece a comunhão eclesial. A busca da unidade entre todos os que creem em Cristo tem sido bem manifestada através da participação de "delegados fraternos", representantes de outras Igrejas cristãs. Todos eles tem tido oportunidade de falar à Assembleia Sinodal, demonstrando também o desejo de unidade e a urgência da evangelização no mundo de hoje. O Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, dirigiu a palavra no final da celebração eucarística do dia 11 de outubro. O Arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana, fez o seu pronunciamento numa das sessões do Sínodo. A busca de diálogo com o mundo atual encontra estímulo na conferência apresentada aos Padres Sinodais pelo Prof. Werner Arber, presidente da Pontifícia Academia das Ciências.
Em resposta às perguntas iniciais, podemos dizer, com gratidão e esperança, que o Sínodo vai bem. Vai muito bem, graças a Deus! Nesta semana decisiva, a oração de todos faz-se ainda mais necessária. Por isso, continue a rezar pelo Sínodo.
Dom Sérgio da Rocha
Arcebispo de Brasília (DF)

O SINODO DOS BISPOS: COMO ACONTECE?
11/10/2012
 






O Sínodo dos Bispos, presidido pelo Papa, reúne bispos representantes de todas as Conferências Episcopais do mundo, cujo número de participantes depende do tamanho do episcopado. Países com mais de cem Bispos, como o Brasil, elegem quatro representantes. Além dos bispos eleitos pela Conferência Episcopal, outros são nomeados pelo Papa. Além disso, Cardeais e Bispos que atuam na Cúria Romana, também participam. Neste Sínodo, o total é de 263 Padres Sinodais. Essa é a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. O tema que está sendo estudado é a "Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã".
O período em que se realiza é longo: de 07 a 28 de outubro e o local é um pequeno auditório localizado na parte superior da famosa Sala Paulo VI, ao lado da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Trata-se de uma ocasião especial de comunhão eclesial, colegialidade episcopal e partilha. É intenso o ritmo de atividades. Trabalha-se durante toda a semana, exceto domingos, das 9 às 19 h, com o intervalo para almoço. Usa-se o latim para as orações, relatórios e principais documentos. Os pronunciamentos e intervenções dos Bispos podem ser em italiano, inglês, espanhol, francês ou alemão. A língua portuguesa ainda não figura como língua oficial. Os "circoli minori", que são grupos de trabalho, são organizados de acordo com as línguas. Nos dois grupos hispânicos, pode-se falar espanhol ou português. Os bispos utilizam a batina nas sessões da Assembleia Sinodal. Além das orações que são realizadas no auditório, foram programadas algumas missas presididas pelo Papa e concelebradas pelos Bispos, na praça de São Pedro: abertura (dia 07) e encerramento do Sínodo (28), abertura do Ano da Fé com o Jubileu do Concílio Vaticano II e os 20 Anos do Catecismo da Igreja Católica (dia 11) e celebração de canonização (dia 21).

No primeiro período do Sínodo, cada Bispo tem cinco minutos para apresentar um assunto relacionado com o tema geral, devendo tomar em consideração, de modo especial, o Instrumentum Laboris que, conforme a expressão latina, é o "instrumento de trabalho" enviado a cada Padre Sinodal alguns meses antes do Sínodo para preparar-se. No período inicial do Sínodo, temos um tempo precioso de partilha da realidade da Igreja de cada país e dos temas considerados mais importantes. Como é grande o número dos Padres Sinodais, exige-se, obviamente, bastante esforço para estar atento a cada fala. No final de cada dia, há uma hora de palavra livre, permitindo uma participação ainda maior, com a partilha de experiências pastorais e observações sobre o andamento do Sínodo.

Outros convidados tem oportunidade também de dirigir a palavra. Na Assembleia Sinodal, estão presentes padres, religiosos(as), diácono permanente e leigos(as). Representantes de outras Igrejas cristãs também tem oportunidade de falar, expressando bem a dimensão ecumênica. Alguns deles participam o tempo todo do Sínodo. É admirável a presença do Papa Bento XVI presidindo a maior parte do Sínodo, ouvindo atentamente as intervenções dos Padres Sinodais.

Terminado o período dos pronunciamentos de cada participante, neste Sínodo, após o dia 17 de outubro, intensifica-se o trabalho em grupos para apresentar as "proposições" que deverão ser votadas e aprovadas pela Assembleia Sinodal para servir de base à "Exortação Pós-Sinodal", documento elaborado pelo Papa, recolhendo as proposições do Sínodo. No final, há também a publicação de uma "Mensagem" elaborada por uma Comissão e aprovada pelos participantes. Tal Mensagem recebe especial atenção, pois em geral ela se torna uma espécie de documento de referência do Sínodo, enquanto se aguarda a publicação da Exortação Pós-Sinodal. Mas, como está o atual Sínodo e qual tem sido a participação do Brasil? Veja no próximo relato! Reze pelo Sínodo!
Dom Sérgio da Rocha
Arcebispo de Brasília / DF

Cerco de Jericó
19/9/2012
 



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NADA NOS SEPARE DE DEUS
22/2/2012
 






Queremos estar sempre com o Senhor, a nossa vida só encontra sentido nele. Que nada nos separe de Deus! E, se por acaso, estamos longe, aproximemo-nos da Misericórdia. Com a celebração de hoje, inicia-se o Tempo da Quaresma, um espaço que a Igreja nos concede para que nos convertamos um pouquinho mais através da oração e da penitência mais intensas. Um tempo precioso para aproveitarmos a graça da reconciliação que o Senhor derrama sobre toda a Igreja e, para isso, vamos começar de uma maneira bem concreta: com o jejum e a abstinência.

Todas as sextas-feiras do ano e o tempo da Quaresma são dias de penitência de maneira especial. Hoje, particularmente, é um dia de penitencia em toda a Igreja que nos obriga ao jejum e à abstinência. Todas aquelas pessoas que já completaram 14 anos estão obrigados à abstinência; ao jejum estão obrigados somente os maiores de idade. Não obstante, depois dos 60 anos já não há obrigação de fazer jejum. Todos os fiéis, no entanto, devem crescer no espírito de penitência.

Em que consiste a abstinência? Consiste em não comer carne. No entanto, no nosso País, por determinação da autoridade eclesiástica, a abstinência pode ser de outro tipo, principalmente através de “obras de caridade e exercícios de piedade”. Com outras palavras, uma pessoa poderia comer carne (exceto na sexta-feira santa) e substituir por conta própria tal penitência por um terço, pela visita a algum enfermo ou ainda outra coisa que queira fazer, seja em forma de oração seja em forma de obra de misericórdia. Qualquer penitência vale! Mas é preciso fazer alguma. Na prática, e para não improvisar, o melhor é ter em mente o que se vai fazer e colocá-lo em prática.

E o jejum? Como fazê-lo? É suficiente atuar segundo o seguinte principio: fazer apenas uma refeição completa, todas as outras devem ser incompletas e sem o lanchinho da tarde. Na prática: um cafezinho simples, almoço normal, sem lanche e, em lugar do jantar, um lanchinho. E quem quiser fazer mais do que isso? É só fazer. Contudo, é importante que o nosso jejum não diminua a intensidade do nosso trabalho e a nossa atenção caridosa para com os outros. Fazer jejum a pão e água, mas ficar mal humorado e trabalhar sem vibração seria um contrassenso.

O tempo da Quaresma é o momento oportuno para que olhemos mais profundamente para o Mistério da Cruz. Olhar para a Cruz, contemplar esse Mistério é ir ao porquê de tudo aquilo que nós faremos durante a Quaresma. As orações, os jejuns e esmolas têm sentido porque nos põem em contato com a Cruz do Senhor. Além do mais, nós recebemos do Mistério da Cruz a força para unir-nos à mesma Cruz, ou seja, aquilo que Deus nos pede, ele nos concede: Deus pede que rezemos? Ele nos dá a graça da oração. Deus nos pede que façamos penitência? Ele nos dá a graça para realizá-la? Deus pede que partilhemos e que não sejamos egoístas? Ele nos dá a graça da generosidade e da esmola. O que está por detrás de tudo isso é a primazia da graça de Deus na nossa vida. Quando dirigimos o nosso olhar contemplativo ao mistério da Cruz do Senhor surge em nós o desejo de fazer aquilo que São Paulo fazia: “o que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja” (Cl 1,24).

Desta maneira, se pode viver num autêntico espírito de penitência, isto é, com uma disposição permanente em provocar a morte –através da penitência– de tudo aquilo que nos separa de Deus. Ao mesmo tempo aprenderemos a oferecer ao Senhor as diversas dificuldades, dores e tribulações com sentido de expiação, reparação e intercessão.

Nesta Quaresma, Deus nos ajudará também a fugir do que poderíamos chamar “espiritualidade intimista”. Egoísmo e cristianismo são incompatíveis. Mantenhamos o olhar e o coração aberto às necessidades dos outros. A esmola da qual tanto se fala durante esse tempo litúrgico se refere exatamente a essa abertura aos outros. Além da ajuda material, talvez uma das coisas que os outros mais apreciam seja o nosso perdão acompanhado da compreensão fraterna. Nunca será exagerado recordar aquilo que dizia Santo Tomás: “a dissensão nas pequenas coisas não vai contra a caridade se existe concórdia nas principais”. Compreender! Compreender! Compreender!

Pe. Françoá Costa

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27/10/2011
 



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"O coração corajoso de Irena Sendler” Filmes que evangelizam
1/9/2011
 






Estou de volta para indicar um filme que evangeliza. Baseado na biográfia de Irena Sendler, uma assistente social polaca que durante a Segunda Guerra Mundial ajudou a salvar cerca de 2500 crianças Judias, contrabandeando-as para fora do Gueto de Varsóvia. Depois ela acabou presa pelos Nazistas.
Vamos conhecer um pouco da história desta mulher que é considerada “Mãe das crianças do Holocausto”.

Quando a Alemanha Nazi invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de bem estar social de Varsóvia, que organizava os espaços de refeição comunitários da cidade. Ali trabalhou incansavelmente para aliviar o sofrimento de milhares de pessoas, tanto judias como católicas. Graças a ela, esses locais não só proporcionavam comida para órfãos, anciãos e pobres como lhes entregavam roupas, medicamentos e dinheiro.

Em 1942, os nazis criaram um gueto em Varsóvia, e Irena, horrorizada pelas condições em que ali se sobrevivia, uniu-se ao Conselho para a Ajuda aos Judeus, Zegota. Ela mesma contou:

“Consegui, para mim e minha companheira Irena Schultz, identificações do gabinete sanitário, entre cujas tarefas estava a luta contra as doenças contagiosas. Mais tarde tive êxito ao conseguir passes para outras colaboradoras. Como os alemães invasores tinham medo de que ocorresse uma epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto.”

Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria.

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1/9/2011
 

Irene




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1/9/2011
 






Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II. Na época, Irena estava muito doente e não pode ir a cerimônia, mas enviou uma das sobrevivente que ela mesma resgatou no gueto para representá-la diante do Papa. Mais tarde, ficou-se sabendo que o Papa lhe escreveu uma carta, mas que é desconhecido o seu conteúdo até hoje.


Irena era a única pessoa que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas. Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Foi condenada à morte. Enquanto esperava pela execução, um soldado alemão levou-a para um “interrogatório adicional”. Ao sair, gritou-lhe em polaco “Corra!”. No dia seguinte Irena encontrou o seu nome na lista de polacos executados. Os membros da Żegota tinham conseguido deter a execução de Irena subornando os alemães, e Irena continuou a trabalhar com uma identidade falsa.


Em 1944, durante o Levantamento de Varsóvia, colocou as suas listas em dois frascos de vidro e enterrou-os no jardim de uma vizinha para se assegurar de que chegariam às mãos indicadas se ela morresse. Ao acabar a guerra, Irena desenterrou-os e entregou as notas ao doutor Adolfo Berman, o primeiro presidente do comité de salvação dos judeus sobreviventes. Lamentavelmente, a maior parte das famílias das crianças tinha sido morta nos campos de extermínio nazis.


De início, as crianças que não tinham família adoptiva foram cuidadas em diferentes orfanatos e, pouco a pouco, foram enviadas para a Palestina.

As crianças só conheciam Irena pelo seu nome de código “Jolanta”. Mas anos depois, quando a sua fotografia saiu num jornal depois de ser premiada pelas suas acções humanitárias durante a guerra, um homem chamou-a por telefone e disse-lhe: “Lembro-me da sua cara. Foi você quem me tirou do gueto.” E assim começou a receber muitas chamadas e reconhecimentos públicos.

Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel.

Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polónia.

As autoridades de Oświęcim (Auschwitz) expressaram o seu apoio a esta candidatura, já que consideraram que Irena Sendler era uma dos últimos heróis vivos da sua geração, e que tinha demonstrado uma força, uma convicção e um valor extraordinários frente a um mal de uma natureza extraordinária.

A vida de Ierena Sendler permeada de uma coragem adimirável, permaneceu silenciosa até que em setembro de 1999 pela curiosidade e criatividade de quatro jovens americanas que, instigadas pelo Prof. Norm Conard, começaram a pesquisar a sua história. Na região rural do Kansas, na escola secundária protestante de Uniontown, o Prof. Conrad propôs a seus alunos que para celebrar o Dia Nacional da História criassem um projeto original, que fosse além das fronteiras e das personagens conhecidas, dos fatos já explorados. Apenas como sugestão mostrou um recorte do jornal News and World Report, cujo título era “Outros Schindlers”, e que mencionava Irena Sendler. Entre os alunos, quatro estudantes prontificaram-se a realizar a pesquisa, mas nunca imaginaram que esta as levaria a encontrar a própria Irena, viva, com 90 anos, morando ainda na Polônia. Estabeleceram contato, enviaram e recebera m cartas, fotos, informações, documentos. Acabaram por escrever uma peça de teatro intitulada A Vida num Pote de Vidro, que apresentaram na própria escola em fevereiro de 2000. A comunidade toda envolveu-se no sucesso e logo chegaram convites de igrejas, sinagogas, centros culturais. A peça atravessou o país, alcançou o Canadá, a Europa e, finalmente, a própria Polônia. Já foi encenada mais de 300 vezes e hoje está disponível em DVD.

Irena Sendler nunca se considerou uma heroína. “Continuo com a consciência pesada por ter feito tão pouco”, e completa: “Este lamento me acompanhará até o dia de minha morte!”.

Já no fim de sua vida fez este apelo: “convoco todas as pessoas generosas ao amor, à tolerância e à paz, não somente em tempos de guerra, mas também em tempos de paz”, escreveu.


Irena viveu anos numa cadeira de rodas pelas lesões e torturas impostas pela “Gestapo”, e veio a falecer com 98 anos, do dia 12 de Maio, de 2008.

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1/9/2011
 

atriz Anna Paquin no filme


Irena Sendler

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1/9/2011
 

Irena


Irena Sendler

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TEMPERAMENTO
2/6/2011
 



Temperamento é a combinação de características congênitas que subconscientemente afetam o procedimento da pessoa e que envolve os gens recebidos dos avós e pais e ainda uma imprevisibilidade, algo de imprevisto que pode acontecer; em outras palavras, temperamento é a natureza do homem, que é formada por fatores hereditários, que se encontram profundamente enraizados na pessoa. Temperamento é aquilo que chamamos de meu jeito de ser… E este jeito muitas vezes traz deficiências, como: Reagir de modo diferente do desejado, dificuldade de entender as pessoas e a si próprio. Daí é importante entender o que é temperamento, para ser melhor pra si mesmo e para os outros e não cultivar a “síndrome de Gabriela”. E o que é esta síndrome de Gabriela? É quando alguém, como na música diz: “Eu nasci assim, eu vivi assim, vou morrer assim, ô Gabriela…”

Na verdade, todo mundo pode mudar e preciso lutar pra isto, não dá pra se acomodar com as atitudes, com o temperamento que se tem. Todo temperamento pode ser mudado, controlado pelo Espírito Santo. Exemplos não nos faltam: A Bíblia nos fala por exemplo do apóstolo João que era um jovem de temperamento difícil e agressivo. Certa vez Jesus precisando de abrigo em uma cidade, manda João conseguir tal local, mas o povo não acolhe e João com seu temperamento difícil e impetuoso pede a Jesus a autorização de mandar fogo do céu para consumir aquela cidade. Isto está no evangelho de São Lucas, capítulo 9, versículo 51 a 56. Porém, este mesmo João já depois da experiência que teve com o espírito santo em Pentecostes, ao escrever as suas cartas fala de amor, de perdoar os irmãos… Vale a pena ler a primeira carta de São João, capítulo 4, versículos 20 e 21.

Compare e perceba que nem parece o mesmo João; mas é! É que João permitiu ao espírito Santo controlar o seu temperamento.

Sobre temperamento é importante saber que nenhum temperamento foi criado pelo diabo, que nenhum temperamento é bom ou mal em si mesmo, que todos os temperamentos foram criados por Deus, que todo temperamento possui fraquezas e virtudes, que o inimigo pode influenciar e trabalhar por meio das fraquezas do temperamento do homem e que podemos ser mais felizes quando compreendemos nosso temperamento e o entregamos ao controle do Espírito

Também é importante tomar alguns cuidados quando se estuda ou se analisa o temperamento. Tais cuidados são: Não ficar tentando discernir ou concertar o temperamento dos outros; não esconder o temperamento que possui, pois as falhas podem ser concertadas; não considerar um temperamento mal ou bom; não entristecer-se com o temperamento, nem desejar ter nascido com outro.

Os quatro temperamentos básicos são: Sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico.

Para encerrar veja algumas características gerais de cada temperamento: Sanguíneo: Cordial, receptivo, sempre tem amigos, fala antes de pensar, toma decisões na maior parte pelos sentimentos… Fleumático: Calmo, frio, bem equilibrado, jamais parece perturbar-se, sempre diz: “alguém devia fazer alguma coisa”, mas ele mesmo não faz… Colérico: É prático, decidido, teimoso, não se compadece com facilidade dos outros, possui firmeza inabalável… Melancólico: Analítico, perfeccionista, introvertido, amigo fiel, é inclinado a ser muito correto em tudo…

Uma última palavra sobre temperamento: Por mais difícil que você seja o esteja, com o Espírito Santo, tem jeito!!! (Edson Oliveira)


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30/4/2011
 
Bem-aventurado João Paulo II, rogai por nós!


ORAÇÃO LITÚRGICA DO BEATO JOÃO PAULO II, PAPA
29/4/2011
 



O dia litúrgico da memória do Bem-aventurado João Paulo II será 22 de outubro. A oração própria de sua missa será a seguinte:



Ó Deus, rico de misericórdia,

que escolhestes o beato João Paulo II

para governar a Vossa Igreja como papa,

concedei-nos que, instruídos pelos seus ensinamentos,

possamos abrir confiadamente os nossos corações

à graça salvífica de Cristo, único Redentor do homem.

Ele que convosco vive e reina,

na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos. Amém


LEITURA DO OFÍCIO DO BEATO JOÃO PAULO II, PAPA
28/4/2011
 



Abaixo, a leitura para o Ofício das Leituras do dia 22 de outubro, onde for celebrada a memória do Beato João Paulo II:


Da homilia do Beato João Paulo II, papa, no início do seu pontificado:

Pedro veio para Roma! E o que foi que o guiou e o conduziu para esta Urbe, o coração do Império Romano, senão a obediência à inspiração recebida do Senhor? Talvez aquele pescador da Galileia nunca tivesse tido vontade de vir até aqui. Talvez tivesse preferido permanecer, lá onde estava, nas margens do lago da Galileia, com a sua barca e com as suas redes. Mas, guiado pelo Senhor e obediente à sua inspiração, chegou até aqui!

Segundo uma antiga tradição, durante a perseguição de Nero, Pedro teria tido vontade de deixar Roma. Mas o Senhor interveio: veio ao seu encontro. Pedro, dirigindo-se ao Senhor perguntou: "Quo vadis, Domine?” (Aonde vais, Senhor?). E o Senhor imediatamente lhe respondeu: "Vou para Roma, para ser crucificado pela segunda vez". Pedro voltou então para Roma e aí permaneceu até à sua crucifixão.

O nosso tempo convida-nos, impele-nos e obriga-nos a olhar para o Senhor e a imergir-nos numa humilde e devota meditação do mistério do supremo poder do mesmo Cristo.

Aquele que nasceu da Virgem Maria, o filho do carpinteiro – como se considerava –, o Filho de Deus vivo, como confessou Pedro, veio para fazer de todos nós “um reino de sacerdotes”.

O Concílio do Vaticano II recordou-nos o mistério deste poder e o fato de que a missão de Cristo – Sacerdote, Profeta, Mestre e Rei – continua na Igreja. Todos, todo o Povo de Deus participa desta tríplice missão. E talvez que no passado se pusesse sobre a cabeça do Papa o trirregno, aquela tríplice coroa, para exprimir, mediante tal símbolo, que toda a ordem hierárquica da Igreja de Cristo, todo o seu "sagrado poder" que nela é exercido não é mais do que serviço; serviço que tem uma única finalidade: que todo o Povo de Deus participe desta tríplice missão de Cristo e que permaneça sempre sob a soberania do Senhor, a qual não tem as suas origens nos poderes deste mundo, mas sim no Pai celeste e no mistério da Cruz e da Ressurreição.

O poder absoluto e ao mesmo tempo doce e suave do Senhor corresponde a quanto é o mais profundo do homem, às suas mais elevadas aspirações da inteligência, da vontade e do coração. Esse poder não fala com a linguagem da força, mas exprime-se na caridade e na verdade.

O novo Sucessor de Pedro na Sé de Roma eleva, neste dia, uma prece ardente, humilde e confiante: “Ó Cristo! Fazei com que eu possa tornar-me e ser sempre servidor do teu único poder! Servidor do teu suave poder! Servidor do teu poder que não conhece ocaso! Fazei com que eu possa ser um servo! Mais ainda: servo de todos os teus servos.”

Irmãos e Irmãs! Não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder!

Ajudai o Papa e todos aqueles que querem servir Cristo e, com o poder de Cristo, servir o homem e a humanidade inteira! Não tenhais medo! Abri, ou melhor, escancarai as portas a Cristo, ao Seu poder salvador! Abri os confins dos Estados, os sistemas econômicos, assim como os políticos, os vastos campos de cultura, de civilização e de progresso! Não tenhais medo! Cristo sabe bem "o que está dentro do homem". Somente Ele o sabe!

Hoje em dia é frequente o homem não saber o que traz no interior de si mesmo, no mais íntimo da sua alma e do seu coração, Frequentemente não encontra o sentido da sua vida sobre a terra. Deixa-se invadir pela dúvida que se transforma em desespero. Permiti, pois – peço-vos e vo-lo imploro com humildade e com confiança – permiti a Cristo falar ao homem. Somente Ele tem palavras de vida; sim, de vida eterna.


COURAÇA DE SÃO PATRÍCIO
14/4/2011
 






Rezemos juntos a Couraça de São Patrício

“Cristo comigo,
Cristo em minha frente,
Cristo atrás de mim,
Cristo em mim,
Cristo abaixo de mim,
Cristo sobre mim,
Cristo à minha direita,
Cristo à minha esquerda,
Cristo quando me deito,
Cristo quando me sento,
Cristo quando me levanto,
Cristo no coração de cada um que pensa em mim,
Cristo na boca de cada um que fala de mim,
Cristo em todo olho que me vê,
Cristo em todo ouvido que me ouve.
Amém!”

NAQUELE POÇO, O ESPOSO E A ESPOSA
29/3/2011
 






Dos Escritos de São Tiago de Sarug (449-521), monge e bispo sírio:

A vista da beleza de Raquel tornou Jacó, de certo modo, mais forte: ele conseguiu levantar a enorme pedra de cima do poço e, assim, dar de beber ao rebanho (cf. Gn 29,10). Em Raquel, com quem casou, viu o símbolo da Igreja. Foi por isso que, ao beijá-la, teve de chorar e de sofrer (cf. v. 11), a fim de prefigurar, pelo seu casamento, os sofrimentos do Filho.

Quão mais belas são as núpcias do Esposo real do que as dos Seus embaixadores! Jacó chorou por Raquel, ao desposá-la; Nosso Senhor cobriu a Igreja com o Seu sangue, ao salvá-la. As lágrimas são o símbolo do sangue, porque não é sem dor que elas jorram dos olhos. O choro do justo Jacó é o símbolo do grande sofrimento do Filho, pelo qual a Igreja das nações foi salva.

Vem, contempla o nosso Mestre: Ele veio do Seu Pai para o mundo, aniquilou-Se para fazer o Seu caminho na humildade (cf. Fl 2,7). Ele viu as nações como rebanhos sedentos e a fonte da vida fechada pelo pecado, como que por uma pedra. Ele viu a Igreja semelhante a Raquel, então avançou e derrubou o pecado, que era pesado como uma rocha. Ele abriu o batistério para a sua Esposa, para que ela se banhasse nele; e foi aí buscar água para dar de beber às nações da terra, como aos Seus rebanhos. Com toda a Sua onipotência, levantou o pesado fardo dos pecados; pôs a descoberto a fonte de água doce para o mundo inteiro.

Sim, pela Igreja, Nosso Senhor deu-Se a grandes trabalhos. Por amor, o Filho de Deus vendeu os Seus sofrimentos para poder desposar, à custa das Suas chagas, a Igreja abandonada. Por ela, que adorava os ídolos, sofreu sobre a cruz. Por ela, quis entregar-Se, para que ela fosse para Ele completamente imaculada (cf. Ef 5,25-27). Ele consentiu em levar às pastagens o rebanho inteiro dos homens, com o grande cajado da cruz; Ele não rejeitou o sofrimento. Ele aceitou conduzir raças, nações, tribos, multidões e povos, para poder reaver a Igreja, sua única Esposa (cf. Ct 6, 9).


SE ALGUÉM TEM SEDE VENHA A MIM E BEBA!
27/3/2011
 
Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho (Séc.V), bispo e doutor da Igreja:

Veio uma mulher. Esta mulher é figura da Igreja, ainda não justificada, mas já a caminho da justificação. É disso que iremos tratar. A mulher veio sem saber o que ali a esperava; encontrou Jesus, e Jesus dirigiu-lhe a palavra. Vejamos o fato e a razão por que veio uma mulher da Samaria para tirar água (cf. Jo 4,7).

Os samaritanos não pertenciam ao povo judeu; não eram do povo escolhido. Faz parte do simbolismo da narração que esta mulher, figura da Igreja, tenha vindo de um povo estrangeiro; porque a Igreja viria dos pagãos, dos que não pertenciam à raça judaica.

Ouçamos, portanto, a nós mesmos nas palavras desta mulher, reconheçamo-nos nela e nela demos graças a Deus por nós. Ela era uma figura, não a realidade; começou por ser figura, e tornou-se realidade. Pois acreditou naquele que queria torná-la uma figura de nós mesmos. Veio para tirar água. Viera simplesmente para tirar água, como costumam fazer os homens e as mulheres.

Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato os judeus não se dão com os samaritanos (cf. Jo 4,7-9.)

Estais vendo que são estrangeiros. Os judeus de modo algum se serviam dos cântaros dos samaritanos. Como a mulher trazia consigo um cântaro para tirar água, admirou-se que um judeu lhe pedisse de beber, pois os judeus não costumavam fazer isso. Mas aquele que pedia de beber tinha sede da fé daquela mulher.

Escuta agora quem pede de beber. Respondeu-lhe Jesus? “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva” (Jo 4,10).

Pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros. Se tu conhecesses o dom de Deus, diz ele. O dom de Deus é o Espírito Santo. Jesus fala ainda veladamente à mulher, mas pouco a pouco entra em seu coração, e vai lhe ensinando. Que haverá de mais suave e bondoso que esta exortação? Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’,tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.

Que água lhe daria ele, senão aquela da qual está escrito: “Em vós está a fonte da vida?” (Sl 35,10). Pois como podem ter sede os que vêm saciar-se na abundância de vossa morada? (cf. Sl 35,9).

O Senhor prometia à mulher um alimento forte, prometia saciá-la com o Espírito Santo. Mas ela ainda não compreendia. E, na sua incompreensão, que respondeu? Disse-lhe então a mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (Jo 4,15). A necessidade a obrigava a trabalhar, mas sua fraqueza recusava o trabalho.

Se ao menos ela tivesse ouvido aquelas palavras: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso!” (Mt 11,28). Jesus dizia-lhe tudo aquilo para que não se cansasse mais; ela, porém, ainda não compreendia.


O jejum e a esmola da Quaresma (São Leão Magno)
7/3/2011
 






Caro(a) Internauta, ofereço-lhe, no início da quaresma, um trecho de um belo sermão de São Leão I Magno, Papa do século V. Espero que seja de proveito para um piedoso tempo quaresmal.




Em todo tempo, amados filhos, a terra está repleta da misericórdia do Senhor. A própria natureza é para nós uma lição que o ensina a louvar a Deus, pois o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe proclamam a bondade e a onipotência de seu Criador; e admirável beleza dos elementos postos a nosso serviço requer da criatura racional uma justa ação de graças.

O retorno, porém, desses dias que os mistérios da salvação humana marcaram de modo mais especial e que precedem imediatamente a festa da Páscoa, exige que nos preparemos com maior cuidado por meio de uma purificação espiritual.

Na verdade, é próprio da solenidade pascal que a Igreja inteira se alegre com o perdão dos pecados. Não é apenas nos que renascem (na Páscoa) pelo santo batismo que ele se realiza, mas também naqueles que desde há muito são contados entre os filhos adotivos.

É, sem dúvida, o banho da regeneração que nos torna criaturas novas; mas todos têm necessidade de se renovar a cada dia para evitarmos a ferrugem inerente à nossa condição mortal, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir no caminho da perfeição; por isso, todos, sem exceção, devemos empenhar-nos para que, no dia da redenção, pessoa alguma seja ainda encontrada nos vícios do passado.

Por conseguinte, amados filhos, aquilo que cada cristão deve praticar em todo tempo, deve praticá-lo agora com maior zelo e piedade, para cumprir a prescrição, que remonta aos apóstolos, de jejuar quarenta dias, não somente reduzindo os alimentos, mas sobretudo abstendo-se do pecado.

A estes santos e razoáveis jejuns, nada virá juntar-se com maior proveito do que as esmolas. Sob o nome de obras de misericórdia, incluem-se muitas e louváveis ações de bondade; graças a elas, todos os fiéis podem manifestar igualmente os seus sentimentos, por mais diversos que sejam os recursos de cada um.

Se verdadeiramente amamos a Deus e ao próximo, nenhum obstáculo impedirá nossa boa vontade. Quando os anjos cantaram: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”, proclamavam bem-aventurado, não só pela virtude da benevolência mas também pelo dom da paz, todo aquele que, por amor, se compadece do sofrimento alheio.

São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de esmolas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade que manifestam.

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7/3/2011
 






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13 COISAS QUE VOCÊ NÃO PODERIA MORRER SEM SABER
1/3/2011
 






Caro internauta um pouco de discontração!!!

01) Ratos não vomitam.

02) Os ursos polares são canhotos.

03) Você pisca aproximadamente 25 mil vezes por dia.

04) Os russos atendem ao telefone dizendo “Estou ouvindo“.

05) Ninguém consegue lamber seu próprio cotovelo.

06) O Oceano Atlântico é mais salgado que o Pacífico.

07) O elefante é o único animal com quatro joelhos.

08) A cada ano, 98% dos átomos do seu corpo são substituídos.

09) Rir durante o dia faz com que você durma melhor a noite.

10) 15% das mulheres americanas mandam flores para si mesmas no dia dos namorados.

11) Seu cabelo cresce mais rápido a noite, e você perde em média 100 fios por dia.

12) A barata consegue sobreviver por nove dias sem a cabeça antes de morrer de fome.

13) 75% das pessoas que leram essas 13 coisas, tentaram lamber o próprio cotovelo!

PAULO, APÓSTOLO DE JESUS CRISTO
25/1/2011
 



Hoje a Igreja celebra a Conversão de São Paulo. Para você, caro internauta, estas belas palavras de São João Crisóstomo, que admirava grandemente o Apóstolo:

Das Homilias de São João Crisóstomo, bispo (séc. IV):

O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro. Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam. É o que depreendemos de suas próprias palavras: Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13). Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18). Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito.

Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos. E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14). Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus.

Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos. Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que encontrar-se no meio de homens famosos pela consideração e pela honra, mas privados do amor de Cristo.

Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício.

Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.

Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos.

Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo.

Quanto te custou me teres amado!
8/1/2011
 



Das Meditações de Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787), bispo e doutor da Igreja:

Um anjo apareceu em sonhos a São José, e avisou-o de que Herodes andava à procura do Menino Jesus para Lhe tirar a vida: «Levanta-te, toma o Menino e Sua Mãe e foge para o Egito.» Assim pois, ainda mal nasceu, já Jesus é perseguido de morte.

José obedece sem demora à voz do anjo, acordando sua santa esposa. Pega em algumas ferramentas que pudesse levar consigo, a fim de exercer a sua profissão no Egito e de ter com que sustentar a família. Maria, por seu turno, reúne as roupas necessárias a seu divino Filho; e depois, aproximando-se do berço onde Ele repousava, ajoelha-se, beija os pés de seu querido Filho e, por entre lágrimas de ternura, diz-Lhe: «Meu Filho e meu Deus, que vieste ao mundo para salvar os homens; ainda mal nasceste e já os homens vêm à Tua procura para Te dar a morte!» Pega Nele e, continuando a chorar, os dois santos esposos fecham a porta e põem-se a caminho durante a noite.

Meu bem-amado Jesus, Tu és o Rei do Céu e vejo-Te errar como fugitivo sob a aparência de uma criança. Que procuras? Diz-me. A Tua pobreza e o Teu abaixamento emocionam-me de compaixão; mas aquilo que me aflige mais é a negra ingratidão com que Te vejo tratado por aqueles que vieste salvar. Tu choras, e também eu choro, por ter sido um daqueles que Te desprezaram e Te perseguiram; a partir de agora, porém, preferirei a Tua graça a todos os reinos do mundo.

Perdoa-me todos os ultrajes que Te fiz; permite-me que, na viagem desta vida para a eternidade, Te leve no meu coração, a exemplo de Maria, que Te levou nos seus braços durante a fuga para o Egito. Meu Redentor bem-amado, foram muitas as vezes em que Te expulsei da minha alma, mas tenho confiança, agora que voltaste a tomar conta dela. E suplico-Te que a prendas a ti pelas doces correntes do Teu amor.


Palavras do Santo Padre: no pequeno Menino, o cumprimento das grandes promessas!
6/1/2011
 






Hoje, Solenidade da Epifania, a grande luz que irradia da Gruta de Belém, através dos Magos provenientes do Oriente, inunda a humanidade inteira.

A primeira leitura, tirada do Livro do profeta Isaías, e o trecho do Evangelho de Mateus, que acabamos de ouvir, colocam um ao lado do outro a promessa e o seu cumprimento, naquela particular tensão que se encontra quando se lêem em sequência trechos do Antigo e do Novo Testamento. Eis que aparece diante de nós a maravilhosa visão do profeta Isaías que, depois das humilhações padecidas pelo povo de Israel por parte das potências deste mundo, vê o momento em que a grande luz de Deus, aparentemente sem poder e incapaz de proteger o seu povo, surgirá sobre toda a terra, de maneira que os reis das nações se inclinarão diante dele, virão de todos os confins da terra e depositarão aos seus pés os seus tesouros mais preciosos. Então, o coração do povo trepidará de alegria.

Em comparação com esta visão, aquela que nos apresenta o evangelista Mateus parece pobre e modesta: parece-nos impossível reconhecer nela o cumprimento das palavras do profeta Isaías. Com efeito, a Belém não chegam os poderosos nem os reis da terra, mas alguns Magos, personagens desconhecidas, talvez vistas com suspeita, de qualquer maneira não dignos de atenção particular.

Os habitantes de Jerusalém estão informados sobre aquilo que aconteceu, mas não consideram necessário preocupar-se, nem sequer parece haver em Belém alguém que se interesse pelo nascimento deste Menino, chamado pelos Magos Rei dos Judeus, ou por estes homens vindos do Oriente que O vão visitar.

Com efeito, pouco depois, quando o rei Herodes faz compreender quem é que efetivamente detém o poder, obrigando a Sagrada Família a fugir para o Egito e oferecendo uma prova da sua crueldade com o massacre dos inocentes (cf. Mt 2, 13-18), o episódio dos Magos parece ser eliminado e esquecido. Portanto, é compreensível que o coração e a alma dos crentes de todos os séculos se sintam mais atraídos pela visão do profeta do que pela sóbria narração do evangelista, como testemunham também as representações desta visita aos nossos presépios, onde aparecem os camelos, os dromedários e os reis poderosos deste mundo que se ajoelham diante do Menino e depositam aos seus pés os seus dons em caixas preciosas. Todavia, é necessário prestar maior atenção àquilo que os dois textos nos comunicam.


Ele é tudo para todos!
2/1/2011
 



Em Cristo temos tudo.

Que todos se aproximem dele:

Aquele que está doente por seus pecados,

Aquele que está imobilizado por sua concupiscência,

Aquele que ainda é imperfeito, mas deseja progredir com intensa oração,

Aquele que já cresceu em muitas virtudes.



Cada um de nós está nas mãos do Senhor

E Cristo é tudo para nós.



Se desejas curar-te de tuas feridas, ele é o médico;

Se a febre te faz sedento, ele é a fonte;

Se te encontras oprimido pelo pecado, ele é justiça;

Se precisas de ajuda, ele é força;

Se tens medo da morte, ele é vida;

Se desejas o paraíso, ele é caminho;

Se foges das trevas, ele é luz;

Se procuras alimento, ele é nutrição.



“Provai”, portanto, “e vede quão suave é o Senhor.

Feliz o homem que tem nele o seu refúgio”(Sl 33,9).

(Santo Ambrósio de Milão)




Mensagem lida na formatura do Curso de Medicina da PUC-PR /2010.
10/12/2010
 






Boa noite a todos!
Hoje estou aqui para prestar uma homenagem ao primeiro, maior e melhor médico da história da humanidade!

Deus é esse médico, o médico dos médicos, e o mais excelente conhecedor do corpo humano. Todas as células e tecidos, órgãos e sistemas, foram arquitetados por Ele, e Ele entende e conhece a sua criação melhor do que todos.
Que médico mais excelente poderia existir?
Deus é o primeiro cirurgião da história. A primeira operação? Uma toracoplastia, quando Deus retirou uma das costelas de Adão e dela formou a mulher.
Ele também é o primeiro Anestesista, porque antes de retirar aquela costela fez um profundo sono cair sobre o homem.
Deus é o melhor Obstetra especialista em fertilização que já existiu! Pois concedeu filhos a Sara, uma mulher que além de estéril, já estava na menopausa havia muito tempo!
Jesus, o filho de Deus, que com Ele é um só, é o primeiro pediatra da história, pois disse: “Deixem vir a mim as crianças, porque delas é o reino de Deus!”
Ele também é o maior reumatologista, pois curou um homem que tinha uma mão ressequida, ou, tecnicamente uma osteoartrite das articulações interfalangeanas.
Jesus é o primeiro oftalmologista, relatou em Jerusalém, o primeiro caso de cura em dois cegos de nascença.
Ele também é o primeiro emergencista a realizar, literalmente, uma ressuscitação cardio-pulmonar bem sucedida, quando usou como desfibrilador as suas palavras ao dizer: “Lázaro, vem para fora!”, e pelo poder delas, ressuscitou seu amigo que já havia falecido havia 4 dias.
Ele é o melhor otorrinolaringologista, pois devolveu a audição a um surdo. Seu tratamento? O poder de seu amor.
Jesus também é o maior psiquiatra da história, há mais de 2 mil anos curou um jovem com graves distúrbios do pensamento e do comportamento!
Deus também é o melhor ortopedista que já existiu, pois juntou um monte de ossos secos em novas articulações e deles fez um grande exército de homens. Sem contar quando ele disse a um homem coxo: “Levanta, toma a tua maca e anda!”, e o homem andou! O tratamento ortopédico de quadril mais efetivo já relatado na história!
A primeira evidência científica sobre a hanseníase está na Bíblia! E Jesus é o dermatologista mais sábio da história, pois curou instantaneamente 10 homens que sofriam desta doença.
Ele também é o primeiro hematologista, pois com apenas um toque curou a coagulopatia de uma mulher que sofria de hemorragia havia mais de 12 anos e que tinha gastado todo o seu dinheiro com outros médicos em tratamentos sem sucesso.
Jesus é ainda, o maior doador de sangue do mundo. Seu tipo sanguíneo? O negativo, ou, doador universal, pois nesta transfusão, Ele, ofereceu o seu próprio sangue, o sangue de um homem sem pecado algum, por todas as pessoas que tinham sobre si a condenação de seus erros, e assim, através da sua morte na cruz e de sua ressurreição, deu a todos os que o recebem, o poder de se tornarem filhos de Deus! E para ter este grande presente, que é a salvação, não é necessário FAZER nada, apenas crer e receber!
O bom médico é aquele que dá a sua vida pelos seus pacientes! Ele fez isso por nós!
Ele é um médico que não cobra pelos seus serviços, porque o presente GRATUITO de Deus é a vida eterna!
No seu consultório não há filas, não é necessário marcar consulta e nem esperar para ser atendido, pelo contrário, Ele já está à porta e bate, e aquele que abrir a seu coração para Ele, Ele entrará e fará uma grande festa! Não é necessário ter plano de saúde ou convênio, basta você querer e pedir! O tratamento que ele oferece é mais do que a cura de uma doença física, é uma vida de paz e alegria aqui na terra e mais uma eternidade inteira ao seu lado no céu!
O médico dos médicos está convidando você hoje para se tornar um paciente dele, e receber esta salvação e constatar que o tratamento que Ele oferece é exatamente o que você precisa para viver!
Ele é o único caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir até Deus a não ser por Ele.
Seu nome é Jesus.
A este médico seja hoje o nosso aplauso e a nossa sincera gratidão!



PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO
25/11/2010
 



Mais uma vez, caros irmãos, queridas irmãs, a bondade do Senhor nos dá a graça de iniciarmos um Ano Litúrgico com este sagrado Tempo do Advento.

Como todos sabeis, nestas duas primeiras semanas das quatro que nos preparam para o Santo Natal, a Igreja nos recorda que o Senhor, que veio a Belém, virá no final dos tempos como Juiz, na sua bendita Parusia, isto é, na sua Vinda gloriosa. E é essencial, amados irmãos, que os cristãos nunca esqueçam isto: o Senhor virá, e o caminho da criação e a corrida da nossa vida neste mundo são uma peregrinação ao seu Encontro. Nada nem ninguém tem neste tempo, nesta existência, morada permanente: caminhamos para o Senhor, somos filhos daquele Dia bendito, Dia do Cristo Senhor! Sabemos que “a noite deste mundo vai adiantada e o Dia vem chegando”, Dia de luz, Dia de salvação, Dia no qual o Reino que Cristo plantou com seu piedoso nascimento, morte e ressurreição, haverá de se manifestar com toda a sua força e toda a sua glória! Por isso mesmo, como são belas as palavras da antífona de entrada, colocada no Missal para esta primeira Missa do novo Ano da Igreja: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado; pois não será desiludido quem em vós espera!” Eis a atitude do cristão diante deste Dia que vem, Dia que é o próprio Cristo glorioso: caminhar bem firme neste mundo com a alma elevada para o Senhor, sabendo que ele virá ao nosso encontr, e nossa existência é uma preparação para este momento – por isso mesmo a oração inicial desta Celebração eucarística pedia a Deus a graça de “acorrermos com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem”. Sigamos, portanto, meus caríssimos, sigamos o conselho do santo Apóstolo: “Procedamos honestamente; revesti-vos do Senhor Jesus Cristo!”

Neste tempo entre seu Natal e sua Parusia, vivamos uma vida de contínua conversão: “Nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades”, nada de egoísmo que nos fecha aos irmãos, nada de descaso para com os mais fracos e feridos desta nossa vida! Se vivermos realmente assim, com os olhos fitos nAquele que vem, conscientes de que caminhamos para ele e dele dependemos, tudo ganha um novo sentido, meus caros, e nós teremos uma verdadeira liberdade e maturidade diante dos desafios da vida!




A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E NOSSA - PARTE 4
20/11/2010
 



A ressurreição de Cristo e nossa - IV



É dessa morte que Cristo, o Ressuscitado, nos liberta: “Eu sou a Ressurreição!” Ora, desde o Batismo, estamos unidos a ele; vamos morrendo com ele nesta vida para, enfim, ressuscitar também com ele, participando da sua ressurreição: para nós, morrer é morrer com Cristo e como Cristo, é completar em nós a morte de Jesus para que a vida ressuscitada de Jesus nos plenifique. Assim, aquele que é batizado já não vê na morte o angustioso fim do seu ser, mas a possibilidade última e mais radical de configuração com seu Modelo, que é Cristo ressuscitado. Sim, seremos como Cristo ressuscitado! Vista deste modo, a morte torna-se o ato que deve ser vivido com vontade de entrega livre e amorosa, na esperança da ressurreição. A morte torna-se um co-morrer com Cristo para co-ressuscitar com ele: ”Com ele fomos sepultados pelo batismo na morte para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim também andemos em novidade de vida. Pois, se estamos inseridos no solidarismo de sua morte, também o seremos no da ressurreição” (Rm 6,4s). Desde o Batismo começamos a morrer com Cristo, isto é, começamos a viver as mortes de cada dia como participação na morte do Senhor. Tal participação deve ser ratificada pela mortificação de cada dia, pela participação da Eucaristia, que é mergulho na morte e ressurreição do Senhor Jesus. Assim, o cristão vai se apropriando da própria morte e dando-lhe um sentido, fazendo de sua morte uma morte-ação, morte como união com o Cristo morto! Morrer, para o cristão, já não deveria ser uma fatalidade: ele deveria dizer: “Morro a cada dia, em cada lágrima, em cada tristeza, em cada derrota... Mas não morro como um derrotado: uno minhas mortes à morte do Senhor, para como ele ressuscitar!” A morte, assim, vai ganhando sentido em nós, vai se tornando uma realidade humana e cristã, e não uma fatalidade biológica. Enquanto isso, para quem não se abre para o Cristo, para quem o refuta, a morte vai sendo experimentada a cada dia como poder aniquilador, vazio do ser e total fracasso da existência... Assim, vamos morrendo e caminhando para o encontro com Cristo. Para nós, com efeito, a morte tem também este aspecto belíssimo: é um encontro com o Senhor: “Ficai preparados, porque, numa hora que não pensais, o Filho do homem virá” (Lc 12,40).

Sim, Jesus virá: ele é aquele que vem ao nosso encontro (cf. Mt 11,2): “Vou e retorno a vós” (Jo 14,18.28). Ele vem vindo sempre na nossa existência: veio no Batismo, quando entramos em comunhão com sua morte e ressurreição, vem sobretudo na Eucaristia, quando mergulhamos na sua Páscoa e já experimentamos o gosto da comunhão com ele, vem a cada dia para nos fazer passar da “carne” (pecado) ao “espírito” (vida no Espírito Santo). Finalmente, ele virá na passagem definitiva, no momento do encontro final. Por isso mesmo Paulo exclamava: “O meu desejo é partir para estar com Cristo” (Fl 1,23). Assim, morrer é ir ao encontro do Salvador que vem, quem irrompe com sua Glória na minha pobre existência; morrer é ser surpreendido por Cristo, é ser invadido pela sua Vida divina e plena. Santa Teresinha dizia com sabedoria: “Não é a morte que virá me buscar, é o bom Deus!”

Pois bem: eis a conclusão maravilhosa: não morreremos sozinhos; morreremos como Cristo e com Cristo; mais ainda: morreremos em Cristo. Ele não vem sozinho ao nosso encontro! Ele é o primogênito dentre os mortos, é a Cabeça da Igreja. Tendo sido batizados, morremos como membros do seu corpo, que é a Igreja e morremos no seu corpo. Assim, não morremos sozinhos: morremos na comunidade dos santificados, dos batizados! A morte será o passar da Igreja terrestre para a Igreja da Glória. É também mistério de comunhão com os irmãos que ficam e que fazem parte do Corpo de Cristo, que é a Igreja!


A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E NOSSA - Parte 3
13/11/2010
 



A ressurreição de Cristo e nossa - III


Vimos que Jesus nos prometeu a ressurreição: ressuscitaremos nele e por ele: “Eu sou a Ressurreição!” (Jo 11,25), ressuscitaremos em todo o nosso ser, corpo e alma. Agora, nos perguntamos: como e quando será isso?

Ressuscitaremos da morte, que é o término de nossa vida terrena. Mas, que é a morte? É certo que, com ela, a condição humana chega a seu ponto culminante e também a seu ponto crítico, pois esta experiência da morte toca o homem não somente pela dor da progressiva dissolução de seu corpo como também pelo temor da desaparição perpétua. Não podemos, portanto, fazer de conta que a morte não existe ou, se existe, diz respeito aos outros e não a nós. Pelo contrário: a morte dos outros deve recordar-nos que também nós morreremos: com a morte, realiza-se o ponto crítico da passagem desta vida para uma outra situação - aquela podemos esperar somente na fé. Todo organismo vivo decai até chegar à morte natural. Não dá para escapar da morte. A medicina pode prolongar a vida, mas não pode evitar a morte

Mas, o que significa morrer? A morte, primeiramente, revela nossa finitude, nossa limitação! Que estranho é o ser humano: sonha com a vida, deseja a vida... mas sabe que um dia morrerá! Aliás, o homem é o único ser que sabe que morrerá... por isso mesmo, a morte não é somente uma questão física, biológica: não é apenas um corpo que morre e vira cadáver; é uma pessoa que morre! Eu não digo: “Meu corpo morre”, ao invés, digo e sinto: “Eu morro!” São minhas relações, é minha história, meus sonhos, que são colocados em crise com a morte! E é interessante: em geral, aproximamo-nos da morte exatamente quando mais queremos viver, quando, já adultos, damos tanto valor à vida e somos já maduros. Em certo sentido, nunca estamos prontos para morrer, mas para viver. E é assim, já que Deus é o Deus vivo e nos criou para a vida e não para a morte. A morte terá sempre um gostinho amargo, mesmo para quem crê. A morte com gosto de morte entrou no mundo pelo pecado (cf. Sb 2,23s). Nossa passagem pelo mundo deveria terminar com o desabrochar da eternidade, sem esta experiência dolorosa a que chamamos morte. A morte como experiência negativa e ameaça do nada é conseqüência do pecado (cf. Rm 6,23). A morte, como nós experimentamos atualmente, na nossa situação de pecadores, não é somente uma questão biológica, física; é também uma decadência pessoal, existencial. É dolorosa no corpo e na alma! Tem um gosto de derrota, de salto no escuro, de pulo no desconhecido! E não adianta fingir que a morte não existe! O que nossa fé nos ensina é exatamente isso: Deus não é o autor dessa situação de morte em que vivemos: as mortes de cada dia, de cada derrota, de cada sofrimento, de cada injustiça, traição ou lágrima... tudo isso é conseqüência de uma humanidade pecadora.... Tampouco Deus é o autor da última morte, daquela que marca o término da nossa vida terrena... Se a experimentamos como derrota, dissolução, salto no escuro... é devido à situação de pecado. Se o homem não tivesse dito “não” a Deus, não experimentaria a partida deste mundo como morte, como derrota dolorosa, como salto no escuro...

(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju)



A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E NOSSA Parte 2
12/11/2010
 
Assim, Jesus não somente anunciou sua própria Ressurreição (cf. Mc 8,31; Mt 16,21ss; Lc 9,22, etc), como também ensinou que todos ressuscitariam através dele! Há uma passagem em Mateus que mostra bem isto: “Os túmulos se abriram e muitos corpos de santos ressuscitaram. Eles saíram dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos” (Mt 27,52s). Qual o significado deste trecho tão misterioso? Será que os mortos voltaram a viver e entraram em Jerusalém, espantando as pessoas?! Não! Não é isto que Mateus quer dizer! Ele quer afirmar somente que a Ressurreição de Cristo é causa da nossa ressurreição. A Cidade Santa na qual os mortos entrarão é a Jerusalém celeste, a Glória do Corpo de Cristo, isto é, o Céu (cf. Ap 21,2.10; 22,19). Mateus usa, aqui, aquele tipo de linguagem que os estudiosos da Bíblia chamam de apocalíptica: uma linguagem cheia de figuras!!

Concluindo, por enquanto: 1) Jesus ensinou a Ressurreição; 2) ensinou que ressuscitaremos em todo o nosso ser, corpo e alma; 3) ensinou que há uma Ressurreição para a Vida (verdadeira Ressurreição) e uma ressurreição para a morte (para a condenação: ressurreição às avessas!); 4) o próprio Jesus é a causa da nossa Ressurreição: ressuscitaremos porque ele ressuscitou!


(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju)

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A NOSSA - Parte 1
4/11/2010
 
É importante compreender que nossa esperança repousa unicamente em Cristo: sua Ressurreição é garantia e modelo da nossa: o destino de Jesus na sua morte e ressurreição é o único critério para o cristão; é a garantia da nossa Esperança. Aquilo que aconteceu nele é feliz antecipação da nossa herança futura.

A Escritura nos ensina que a Parusia do Senhor Jesus, sua Manifestação gloriosa no final dos tempos, será causa da Ressurreição dos mortos: Cristo glorioso glorificará toda a humanidade, vivos e mortos! “Esperamos o Salvador Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura” (Fl 3,20s).

É importante, desde já, fazer uma distinção sobre o modo como o Novo Testamento utiliza a palavra ressurreição. Há três modos de usá-la: (1) Em sentido figurado: como volta de um morto a esta vida. É o caso da “ressurreição” de Lázaro, da filhinha de Jairo, do filho da viúva de Naim... etc. Aqui não se trata rigorosamente de ressurreição no sentido cristão da palavra, mas de revitalização: ou seja, alguém estava morto e voltou a esta vidinha nossa... e, depois, morrerá novamente! (2) Em sentido neutro: como passo prévio ao juízo: o homem não ficará na morte: ele, quer salvo, quer condenado, continuará vivendo após a morte. Todos “ressuscitarão” para serem julgados! Este não é ainda o sentido teologicamente mais profundo, mais forte e verdadeiro de ressurreição; (3) E sentido teologicamente positivo: como plena participação e configuração à vida de Cristo ressuscitado. Tal ressurreição é reservada somente aos bons. Aqueles que viveram na comunhão com Cristo serão completamente transfigurados, transformados em Cristo ressuscitado: serão como o próprio Cristo: passarão desta vida para uma outra Vida, plena, realizada, eterna! Este último sentido é o que realmente tem importância e faz parte essencial do anúncio cristão; antes, é o próprio centro do Evangelho! Quando dizemos que Cristo ressuscitou e que, nele, nós ressuscitaremos, é neste último sentido que estamos falando! A Ressurreição que nos interessa é esta última!

A Ressurreição, então, é a passagem desta vida (limitada, ambígua, precária) para uma Vida plena, diversa desta nossa vida de agora: teremos a Vida do próprio Cristo ressuscitado, uma Vida divina, na qual nosso corpo e nossa alma serão transfigurados. Como diz a III Oração Eucarística para as crianças: “No Reino de Jesus ninguém mais vai sofrer, ninguém mais vai chorar, ninguém mais vai ficar triste!” Nosso corpo será transfigurado, como o de Jesus: não mais estará sujeito às leis da física, da matéria como a conhecemos agora; nossa alma também será ressuscitada, transformada: nunca mais teremos tristezas, depressão, saudades... seremos plenamente realizados, porque estaremos para sempre com o Senhor, que saciará todas as nossas sedes e realizará todos os mais profundos anseios do nosso coração! É isto que significa ressuscitar! Mas, vamos seguir passo a passo o Novo Testamento!

Vejamos, primeiro, o ensinamento do próprio Jesus Cristo. No seu tempo, a Ressurreição era uma doutrina muito divulgada e aceita entre os judeus. Somente os saduceus achavam que a vida acabava com a morte (cf. Mc 12,18; At 23,6-8). Uma idéia que nunca existiu no meio do povo de Israel foi a da reencarnação - esta não tem nada a ver com a Bíblia! Contra os saduceus, Jesus ensinou que Deus é o Deus dos vivos e não dos mortos: ele é o Deus que ressuscita seus amigos (cf. Mc 12,18-27). Ainda para Jesus, essa vida após a morte será vida com o corpo e não somente como a alma: “Não tenhais medo dos que matam o corpo mas não podem matar a alma. Deveis ter medo daquele que pode fazer perder-se a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28). Observe-se bem que segundo o Evangelho, corpo e alma sofrerão no inferno: “Se teu olho direito te leva a pecar, arranca-o e joga longe de ti, pois é preferível perder um dos teus membros do que teu corpo inteiro ser lançado no inferno. E se tua mão direita te leva a pecar, corta-a e joga longe de ti, pois é preferível perder um dos teus membros do que teu corpo inteiro ser lançado no inferno” (Mt 5,29s). É o homem todo, no seu corpo e na sua alma, que é salvo ou condenado! A idéia de uma alma desencarnada que não tem nada a ver com o corpo, é totalmente contrária ao pensamento bíblico! Jesus ensina também que bons e maus “ressuscitarão” (no segundo sentido, que apresentamos acima) para o julgamento: e, assim, uns ressuscitarão para a Vida (verdadeira Ressurreição: estar com Cristo e, com ele, ser glorificado) e outros ressuscitarão para a morte (ressurreição em sentido figurado: viver no Inferno, viver na morte!): “Não vos admireis, porque vem a hora em que todos os que estão mortos ouvirão sua voz. Os que praticaram o bem sairão dos túmulos para a ressurreição da vida; os que praticaram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5,28s). O próprio Senhor ensinou também que, após a sua Ressurreição, aqueles que comessem, na Eucaristia, seu corpo ressuscitado, pleno de Vida eterna, ressuscitariam também com ele e como ele. Ressurreição, aqui, no sentido forte, profundo, verdadeiro: “Jesus lhes disse: “Na verdade eu vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele” (Jo 6,53s.56).

(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju)

O QUE RESSUSCITARÁ EM MIM? Parte 2
3/11/2010
 
Mas como isso é possível? Ele será destruído totalmente e, mais ainda, já nesta vida, meu corpo vai mudando, células vão morrendo e outras vão nascendo... Por um lado é meu corpo mas, por outro, é sempre e continuamente renovado... Então, como ressuscitará? O engano aqui é querer descrever o corpo da ressurreição! Também os coríntios perguntavam a São Paulo como isso seria possível: “Mas, dirá alguém, como ressuscitam os mortos?” E o Apóstolo respondia com firmeza e quase indignação: “Insensato!” (1Cor 15,36). Não se pode descrever o corpo da ressurreição, não se pode imaginar como será, e isso por uma razão simples: o corpo da ressurreição não pertence mais a este mundo. Será o meu corpo, mas não mais do modo como eu agora o possuo; será minha matéria, mas totalmente transfigurada pelo Espírito do Ressuscitado: “Semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,44). Um dos grandes enganos de muitos teólogos atuais é a preocupação em imaginar como será possível um corpo ressuscitado a partir do nosso pobre corpo mortal. É totalmente impossível qualquer descrição! Basta pensar no corpo do Ressuscitado: era seu corpo, o mesmo que fora crucificado e os apóstolos conheciam tão bem: tinha as marcas da paixão (cf. Lc 24,40; Jo 20,27); e, no entanto, eles tinham dificuldades em reconhecer o Senhor, pois seu corpo estava agora glorificado: “Depois disso, manifestou-se em outra forma a dois deles” (Mc 16,12); “Seus olhos estavam impedidos de reconhecê-lo. Ele ficou invisível diante deles” (Lc 24,16.31); “Já amanhecera, Jesus estava de pé, na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus” (Jo 21,4). Então: é pela potência do Espírito do Ressuscitado que nosso corpo ressuscitará como o corpo do Cristo glorioso. Especular mais que isso, é inútil e presunçoso.

E a alma? Também ressuscita. É importante não confundir ressurreição com imortalidade! Os espíritas confundem direitinho as duas coisas! Dizer que a alma é imortal é dizer que ela, por ser imaterial, não pode ser desagregada, decomposta, destruída. Mas isso não quer dizer que ela tem a garantia de ser feliz. Muito pelo contrário: a alma, simplesmente entregue a si mesma, teria as mesmas privações que já tem aqui: solidão, medo, tristeza, angústia, incompletude, etc...Afirmar que a alma ressuscita é afirmar que ela também – e não só o corpo! – será transfigurada e glorificada: nada mais de tristeza, solidão, saudade, angústia, medo... O mesmo Espírito Santo que ressuscitou Jesus será a vida de nossa alma: passaremos de uma vida simplesmente psíquica para uma vida espiritual (= “espirituada”)!

Então, em todo o nosso ser, corpo e alma, estaremos com o Senhor, revestidos totalmente de sua glória, participando da sua ressurreição!

(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju)

O QUE RESSUSCITARÁ EM MIM? Parte 1
2/11/2010
 



Comecemos deixando claro que, para a Sagrada Escritura, o homem é um todo, corpo e alma espiritual ou em outra linguagem, corpo, alma e espírito. Nós temos a dimensão material (nosso corpo) e aquela dimensão imaterial (a que denominamos alma). São dimensões, não pedaços nossos! Eu sou um todo: sou meu corpo e sou minha alma! É absolutamente contrário à Sagrada Escritura e a uma sã antropologia pensar o ser humano simplesmente como um espírito que “tem” um corpo, que está encarnado num corpo! Nada disso: sou corpo e alma!

Pois bem, dizer que ressuscitarei, é afirmar que todo o meu ser, corpo e alma, é chamado à comunhão com o Cristo. Não é um pedaço de mim que vai ressuscitar, mas eu todo! Minha alma, sede de toda a minha vida inteligente, afetiva, sentimental e espiritual, será ressuscitada; também meu corpo, com o qual eu amei, chorei, sorri, criei relações, exprimi sentimentos, também será transfigurado!

Meu corpo ressuscitará: São Paulo diz de modo belíssimo: “Semeado corruptível, o corpo ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,42-44). É interessante que a ressurreição da carne sempre foi escândalo, já no novo Testamento: os atenienses zombaram de São Paulo, quando este falou sobre ela: “Ao ouvirem falar da ressurreição dos mortos, alguns começaram a zombar, enquanto outros diziam: ‘A respeito disto, te ouviremos outra vez’” (At 17,32). Como os espíritas atuais e os espiritualistas de todas as épocas, os gregos aceitavam que a alma era imortal e “desencarnava”... mas que também o corpo ressuscitava, não aceitavam de modo algum! Até os cristãos de Corinto, na Grécia, pensavam que a ressurreição era somente espiritual. São Paulo os repreende duramente: “Se se proclama que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou!” (1Cor 15,12s). É o mesmo engano dos espíritas e de todos os espiritualistas! Nós cremos que nosso corpo também ressuscitará.

(Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Auxiliar de Aracaju)

OS SANTOS PADRES DA IGREJA
27/10/2010
 



Chamamos de «Padres da Igreja» (Patrística) aqueles grandes homens da Igreja, aproximadamente do século II ao século VII, que foram no Oriente e no Ocidente como que «Pais» da Igreja, no sentido de que foram eles que firmaram os conceitos da nossa fé, enfrentaram muitas heresias e, de certa forma foram responsáveis pelo que chamamos hoje de Tradição da Igreja; sem dúvida, são a sua fonte mais rica. Certa vez disse o Cardeal Henri de Lubac:

«Todas as vezes que, no Ocidente tem florescido alguma renovação, tanto na ordem do pensamento como na ordem da vida – ambas estão sempre ligadas uma à outra – tal renovação tem surgido sob o signo dos Padres.»

Gostaria de apresentar aqui ao menos uma relação, ainda que incompleta, desses gigantes da fé e da Igreja, que souberam fixar para sempre o que Jesus nos deixou através dos Apóstolos.

Em seguida, vamos estudar um pouco daquilo que eles disseram e escreveram, a fim de que possamos melhor conhecer a Tradição. [...]



1.S. Clemente de Roma (†102), Papa de Roma (88 - 97)
2.Santo Inácio de Antioquia (†110)
3.Aristides de Atenas (†130)
4.São Policarpo de Esmira (†156)
5.Pastor de Hermas (†160)
6.Aristides de Atenas (†160)
7.São Hipólito de Roma (160 - 235)
8.São Justino (†165)
9.Militão de Sardes (†177)
10.Atenágoras (†180)
11.São Teófilo de Antioquia (†181)
12.Orígenes de Alexandria (184 - 254)
13.Santo Ireneu (†202)
14.Tertuliano de Cartago (†220)
15.São Clemente de Alexandria (†215)
16.Metódio de Olimpo (sec.III)
17.São Cipriano de Cartago (210-258)
18.Novaciano (†257)
19.São Atanásio de Alexandria(295 -373)
20.São Efrém - (306 - 373), diácono, Mesopotânia
21.São Hilário de Poitiers - bispo (310 - 367)
22.São Cirilo de Jerusalém, bispo (315 - 386)
23.São Basílio Magno, bispo (330 - 369) - Cesaréia
24.São Gregório Nazianzeno - (330 - 379), bispo
25.São Ambrósio - (340 - 397), bispo, Treves - Itália
26.Eusébio de Cesaréia (340)
27.São Gregório de Nissa (340)
28.Prudêncio (384 - 405)
29.São Jerônimo ( 348 - 420), presbítero Strido, Itália
30.São João Cassiano (360 - 407)
31.São João Crisóstomo - (349 - 407), bispo
32.São Agostinho - (354 - 430), bispo
33.Santo Efrém (†373)
34.Santo Epifânio (†403)
35.São Cirilo de Alexandria - (370 - 442), bispo
36.São Pedro Crisólogo - (380 - 451), bispo, Itália
37.São Leão Magno (400 - 461), papa de Roma - Toscana, Itália
38.São Paulino de Nola (†431) - Sedúlio (sec V)
39.São Vicente de Lerins (†450)
40.São Pedro Crisólogo (†450)
41.São Bento de Núrcia (480 - 547)
42.São Venâncio Fortunato (530-600)
43.São Ildefonso de Toledo (617 - 667)
44.São Máximo Confessor (580-662)
45.São Gregório Magno (540 - 604), Papa de Roma
46.São Ildefonso de Sevilha (†636)
47.São Germano de Constantinopla - (610-733)
48.São João Damasceno (675 - 749), bispo, Damasco
Neste capítulo vamos apresentar um pouco daquilo que esses grandes Padres da Igreja escreveram; isto nos ajudará a compreender melhor o que é a Sagrada Tradição da Igreja. Veremos de onde vem a fonte de tudo aquilo que cremos e vivemos na Igreja [...]

São Clemente de Roma (†102), Papa (88-97), foi o terceiro sucessor de São Pedro, nos tempos dos imperadores romanos Domiciano e Trajano (92 a 102). No depoimento de Santo Ireneu “ele viu os Apóstolos e com eles conversou, tendo ouvido diretamente a sua pregação e ensinamento”. (Contra as heresias)

Santo Inácio de Antioquia (†110) foi o terceiro bispo da importante comunidade de Antioquia, fundada por São Pedro. Conheceu pessoalmente São Paulo e São João. Sob o imperador Trajano, foi preso e conduzido a Roma onde morreu nos dentes dos leões no Coliseu. A caminho de Roma escreveu Cartas às igreja de Éfeso, Magnésia, Trales, Filadélfia, Esmirna e ao bispo S. Policarpo de Esmirna. Na carta aos esmirnenses, aparece pela primeira vez a expressão “Igreja Católica”.

Aristides de Atenas († 130) foi um dos primeiros apologistas cristãos; escreveu a sua Apologia ao imperador romano Adriano, falando da vida dos cristãos.

São Policarpo (†156) foi bispo de Esmirna, e uma pessoa muito amada. Conforme escreve Santo Irineu, que foi seu discípulo, Policarpo foi discípulo de São João Evangelista. No ano 155 estava em Roma com o Papa Niceto tratando de vários assuntos da Igreja, inclusive a data da Páscoa. Combateu os hereges gnósticos. Foi condenado à fogueira; o relato do seu martírio, feito por testemunhas oculares, é documento mais antigo deste gênero (publicado neste livro).

Hermas (†160) era irmão do Papa São Pio I, sob cujo pontificado escreveu a sua obra Pastor. suas visões de estilo apocalíptico.

Didaquè (ou Doutrina dos Doze Apóstolos) é como um antigo catecismo, redigido entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia. Traz no título o nome dos doze Apóstolos. Os Padres da Igreja mencionaram-na muitas vezes. Em 1883 foi encontrado um seu manuscrito grego.

São Justino (†165), mártir nasceu em Naplusa, antiga Siquém, em Israel; achou nos Evangelhos “a única filo proveitosa”, filósofo, fundou uma escola em Roma. Dedicou a sua Apologias ao Imperador romano Antonino Pio, no ano 150, defendendo os cristãos; foi martirizado em Roma.

Santo Hipólito de Roma (160-235) discípulo de santo Irineu (140-202), foi célebre na Igreja de Roma, onde Orígenes o ouviu pregar. Morreu mártir. Escreveu contra os hereges, compôs textos litúrgicos, escreveu a Tradição Apostólica onde retrata os costumes da Igreja no século III: ordenações, catecumenato, batismo e confirmação, jejuns, ágapes, eucaristia, ofícios e horas de oração, sepultamento, etc.

Melitão de Sardes (†177) foi bispo de Sardes, na Lídia, um dos grandes luminares da Ásia Menor. Escreveu a Apologia, dirigida ao imperador Marco Aurélio.

Atenágoras (†180) era filósofo em Atenas, Grécia, autor da Súplica pelos Cristãos, apologia oferecida em tom respeitoso ao imperador Marco Aurélio e seu filho Cômodo; escreveu também o tratado sobre A Ressurreição dos mortos, foi grande apologista.

São Teófilo de Antioquia (†após 181) nasceu na Mesopotâmia, converteu-se ao cristianismo já adulto, tornou-se bispo de Antioquia. Apologista, compôs três livros, a Autólico.

Santo Ireneu (†202) nasceu na Ásia Menor, foi discípulo de são Policarpo (discípulo de são João), foi bispo de Lião, na Gália (hoje França). Combateu eficazmente o gnosticismo em sua obra Adversus Haereses (Refutação da Falsa Gnose) e a Demonstração da Preparação Apostólica. Segundo são Gregório de Tours (†594), são Irineu morreu mártir. É considerado o “príncipe dos teólogos cristãos”. Salienta nos seus escritos a importância da Tradição oral da Igreja, o primado da Igreja de Roma (fundada por Pedro e Paulo).

Santo Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, foi bispo de Poitiers, combateu o arianismo, foi exilado pelo imperador Constâncio, escreveu a obra Sobre a Santíssima Trindade.

São Clemente de Alexandria (†215) Seu nome é Tito Flávio Clemente, nasceu em Atenas por volta de 150. Viajou pela Itália, Síria, Palestina e fixou-se em Alexandria. Durante a perseguição de Setímio Severo (203), deixou o Egito, indo para a Ásia Menor, onde morreu em 215. Seu grande trabalho foi tentar a aliança do pensamento grego com a fé cristã. Dizia: “Como a lei formou os hebreus, a filo formou os gregos para Cristo”.

Orígenes (184-254) Nasceu em Alexandria, Egito; seu pai Leônidas morreu martirizado em 202. Também desejava o martírio; escreveu ao pai na prisão: “não vás mudar de idéia por causa de nós”. Em 203 foi colocado à frente da escola catequética de Alexandria pelo bispo Demétrio. Em 212 esteve em Roma, Grécia e Palestina. A mãe do imperador Alexandre Severo, Júlia Mammae, chamou-o a Antioquia para ouvir suas lições. Morreu em Cesaréia durante a perseguição do imperador Décio.

Tertuliano de Cartago (†220), norte da África, culto, era advogado em Roma quando em 195 se converteu ao Cristianismo, passando a servir a Igreja de Cartago como catequista. Combateu as heresias do gnosticismo, mas se desentendeu com a Igreja Católica. É autor das frases: “Vede como se amam” e “ O sangue dos mártires era semente de novos cristãos”.

São Cipriano (†258) Cecílio Cipriano nasceu em Cartago, foi bispo e primaz da África Latina. Era casado. Foi perseguido no tempo do imperador Décio, em 250, morreu mártir em 258. Escreveu a bela obra Sobre a unidade da Igreja Católica. Na obra De Lapsis, sobre os que apostataram na perseguição, narra ao vivo o drama sofrido pelos cristãos, a força de uns, o fracasso de outros. Escreveu ainda a obra Sobre a Oração do Senhor, sobre o Pai Nosso.

Eusébio de Cesaréia (260-339) bispo, foi o primeiro historiador da Igreja. Nasceu na Palestina, em Cesaréia, discípulo aí de Orígenes. Escreveu a sua Crônica e a História Eclesiástica, além de A Preparação e a Demonstração Evangélicas. Foi perseguido por Dioclesiano, imperador romano.

Santo Atanásio (295-373), doutor da Igreja, nasceu em Alexandria, jovem ainda foi viver o monaquismo nos desertos do Egito,onde conheceu o grande Santo Antão(†376), o “pai dos monges”. Tornou-se diácono da Igreja de Alexandria, e junto com o seu Bispo Alexandre, se destacou no Concílio de Nicéia (325) no combate ao arianismo. Tornou-se bispo de Alexandria em 357 e continuou a sua luta árdua contra o arianismo (Ário negava a divindade de Jesus), o que lhe valeu sete anos de exílio. São Gregório Nazianzeno disse dele: “O que foi a cabeleira para Sansão, foi Atanásio para a Igreja.”

Santo Hilário de Poitiers (316-367), doutor da Igreja, nasceu em Poitiers, na Gália (França); em 350 clero e povo o elegiam bispo, apesar de ser casado. Organizou a luta dos bispos gauleses contra o arianismo. Foi exilado pelo imperador Constâncio, na Ásia Menor, voltando para a Gália em 360, fazendo valer as decisões do Concílio de Nicéia. É chamado o “Atanásio do Ocidente”.Escreveu as obras Sobre a Fé, Sobre a Santíssima Trindade.

Santo Efrém, o Sírio (†373) doutor da Igreja é considerado o maior poeta sírio, chamado de “a cítara do Espírito Santo”. Nasceu em Nísibe, de pais cristãos, por volta de 306, deve ter participado do Concílio de Nicéia (325), segundo a tradição, com o seu bispo Tiago. Foi ordenado diácono em 338 e assim ficou até o fim da vida. Escreveu tratados contra os gnósticos, os arianos e contra o imperador Juliano, o apóstata. Escreveu belos hinos e louvores a Maria.

São Cirilo de Jerusalém (†386), doutor da Igreja, Bispo de Jerusalém, guardião da fé professada pela Igreja no Concílio de Nicéia (325). Autor das Catequeses Mistagógicas, esteve no segundo Concílio Ecumênico, em Constantinopla, em 381.

São Dâmaso (304-384), Papa da Igreja, instruído, de origem espanhola, sucedeu o Papa Libério que o ordenou diácono; obteve do Imperador Graciano o reconhecimento jurisdicional do bispo de Roma. Mandou que S. Jerônimo fizesse uma revisão da versão latina da Bíblia, a Vulgata. Descobriu e ornamentou os túmulos dos mártires nas catacumbas, para a visita dos peregrinos.

São Basílio Magno (329-379), Bispo e doutor da Igreja, nasceu na Capadócia; seus irmãos Gregório de Nissa e Pedro, são santos. Foi íntimo amigo de S. Gregório Nazianzeno; fez-se monge. Em 370 tornou-se bispo de Cesaréia na Palestina, e metropolita da província da Capadócia. Combateu o arianismo e o apolinarismo (Apolinário negava que Jesus tinha uma alma humana). Destacou-se no estudo a Santíssima Trindade (Três Pessoas e uma Essência).

São Gregório Nazianzeno (329-390), doutor da Igreja – nasceu em Nazianzo, na Capadócia, era filho do bispo local, que o ordenou padre; foi um dos maiores oradores cristãos. Foi grande amigo de São Basílio, que o sagrou bispo. Lutou contra o arianismo. Sua doutrina sobre a Santíssima Trindade o fez ser chamado de “teólogo”, que o Concílio de Calcedônia confirmou em 481.

São Gregório de Nissa (†394) foi bispo de Nissa, e depois de Sebaste, irmão de São Basílio e amigo de São Gregório Nazianzeno. Os três santos brilharam na Capadócia. Foi poeta e místico; teve grande influência no primeiro Concílio de Constantinopla (381) que definiu o dogma da SS. Trindade. Combateu o apolinarismo, macedonismo (Macedônio negava a divindade do Espírito Santo) e arianismo.

São João Crisóstomo (354-407) ( = boca de ouro), doutor da Igreja, é o mais conhecido dos Padres da Igreja grega. Nasceu em Antioquia. Tornou-se patriarca de Constantinopla, foi grande pregador. Foi exilado na Armênia por causa da defesa da fé sã. Foi proclamado pelo papa S. Pio X, padroeiro dos pregadores.

São Cirilo de Alexandria (†444) Bispo e doutor da Igreja, sobrinho do patriarca de Alexandria, Teófilo, o substituiu na Sé episcopal em 412. Combateu vivamente o Nestorianismo (Nestório negava que em Jesus havia uma só Pessoa e duas naturezas), com o apoio do papa Celestino. Participou do Concílio de Éfeso (431), que condenou as teses de Nestório. É considerado um dos maiores Padres da língua grega, e chamado o “Doutor mariano”.

São João Cassiano (360-465) recebeu formação religiosa em Belém e viveu no Egito. Foi ordenado diácono por S. João Crisóstomo, em Constantinopla, e padre pelo papa Inocêncio, em Roma. Em 415 fundou dois mosteiros em Marselha, um para cada sexo. São Bento recomendou seus escritos.

São Paulino de Nola (†431) nasceu na Gália (França), exerceu importantes cargos civis até ser batizado. Vendeu seus bens, distribuindo o dinheiro aos pobres, e com sua esposa Terásia passou a viver vida eremítica. Foi ordenado padre em 394, em 409 bispo de Nola.

São Pedro Crisólogo (†450) (= palavra de ouro) bispo e doutor da Igreja – foi bispo de Ravena, Itália. Quando Êutiques, patriarca de Constantinopla pediu o seu apoio para a sua heresia (monofisismo - uma só natureza em Cristo), respondeu: “Não podemos discutir coisas da fé, sem o consentimento do Bispo de Roma”. Temos 170 de suas cartas e escritos sobre o Símbolo e o Pai – Nosso.

Santo Ambrósio (†397), doutor da Igreja, nasceu em Tréveris, de nobre família romana. Com 31 anos governava em Milão as províncias de Emília e Ligúria. Ainda catecúmeno, foi eleito bispo de Milão, pelo povo, tendo, então recebido o batismo, a ordem e o episcopado. Foi conselheiro de vários imperadores e batizou santo Agostinho, cujas pregações ouvia. Deixou obras admiráveis sobre a fé católica.

São Jerônimo (347-420), “Doutor Bíblico” – nasceu na Dalmácia e educou-se em Roma; é o mais erudito dos Padres da Igreja latina; sabia o grego, latim e hebraico. Viveu alguns anos na Palestina como eremita. Em 379 foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino de Antioquia; foi ouvinte de São Gregório Nazianzeno e amigo de São Gregório de Nissa. De 382 a 385 foi secretário do Papa S. Dâmaso, por cuja ordem fez a revisão da versão latina da Bíblia (Vulgata), em Belém, por 34 anos. Pregava o ideal de santidade entre as mulheres da nobreza romana (Marcela, Paula e Eustochium) e combatia os maus costumes do clero. Na figura de São Jerônimo destacam-se a austeridade, o temperamento forte, o amor a Igreja [...].

Santo Epifânio (†403), Nasceu na Palestina, muito culto, foi superior de uma comunidade monástica em Eleuterópolis (Judéia) e depois, bispo de Salamina, na ilha de Chipre. Batalhou muito contra as heresias, especialmente o origenismo.

Santo Agostinho (354-430), Bispo e Doutor da Igreja - Nasceu em Tagaste, Tunísia, filho de Patrício e S. Mônica. Grande teólogo, filósofo, moralista e apologista. Aprendeu a retórica em Cartago, onde ensinou gramática até os 29 anos de idade, partindo para Roma e Milão onde foi professor de Retórica na corte do Imperador. Alí se converteu ao cristianismo pelas orações e lágrimas, de sua mãe Mônica e pelas pregações de S. Ambrósio, bispo de Milão. Foi batizado por esse bispo em 387. Voltou para a África em veste de penitência onde foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona aos 42 anos de idade. Foi um dos homens mais importantes para a Igreja. Combateu com grande capacidade as heresias do seu tempo, principalmente o Maniqueísmo, o Donatismo e o Pelagianismo, que desprezava a graça de Deus. Santo Agostinho escreveu muitas obras e exerceu decisiva influência sobre o desenvolvimento cultural do mundo ocidental. É chamado de “Doutor da Graça”. São Leão Magno (400-461) - Papa e Doutor da Igreja - nasceu em Toscana, foi educado em Roma. Foi conselheiro sucessivamente dos papas Celestino I (422-432) e Xisto III (432-440) e foi muito respeitado como teólogo e diplomata. Participou de grandes problemas da Igreja do seu tempo e pôde travar contato pessoal e por cartas com Santo Agostinho, São Cirilo de Alexandria e São João Cassiano, que o descrevia como “ornamento da Igreja e do divino ministério”. Deixou 96 Sermões e 173 Cartas que chegaram até nós. Participou ativamente na elaboração dogmática sobre o grave problema tratado no Concílio de Calcedônia, a condenação da heresia chamada monofisismo. Leão foi o primeiro Papa que recebeu o título de Magno (grande). Em sua atuação no plano político, a História registrou e imortalizou duas intervenções de São Leão, respectivamente junto a Átila, rei dos Hunos, em 452, e junto a Genserico, em 455, bárbaros que queriam destruir Roma.

São Vicente de Lérins (†450) Depois de muitos anos de vida mundana se refugiou no mosteiro de Lérins. Escreveu o seu Commonitorium, “ para descobrir as fraudes e evitar as armadilhas dos hereges”.

São Bento de Núrcia (480-547) nasceu em Núrcia, na Úmbria, Itália; estudou Direito em Roma, quando se consagrou a Deus. Tornou-se superior de várias comunidades monásticas; tendo fundado no monte Cassino a célebre Abadia local. A sua Regra dos Mosteiros tornou-se a principal regra de vida dos mosteiros do ocidente, elogiada pelo papa S. Gregório Magno, usada até hoje. O lema dos seus mosteiros era “ora et labora”. O Papa Pio XII o chamou de Pai da Europa e Paulo VI proclamou-o Patrono da Europa, em 24/10/1964.

São Venâncio Fortunato (530-600) nasceu em Vêneto na Itália, foi para Poitiers (França). Autor de célebres hinos dedicados à Paixão de Cristo e à Virgem Maria, até hoje usados na Igreja.

São Gregório Magno (540-604), Papa e doutor da Igreja - Nasceu em Roma, de família nobre. Ainda muito jovem foi primeiro ministro do governo de Roma. Grande admirador de S. Bento, resolveu transformar suas muitas posses em mosteiros. O papa Pelágio o enviou como núncio apostólico em Constantinopla até o ano 585. Foi feito papa em 590. Foi um dos maiores papas que a Igreja já teve. Bossuet considerava-o “modelo perfeito de como se governa a Igreja”. Promoveu na liturgia o canto “gregoriano”. Profunda influência exerceram os seus escritos: Vida de São Bento e Regra Pastoral, usado ainda hoje.

São Máximo, o confessor (580 - 662) nasceu em Constantinopla, foi secretário do imperador Heráclio, depois foi para o mosteiro de Crisópolis. Lutou contra o monofisismo e monotelismo, sendo preso, exilado e martirizado por isso. Obteve a condenação do monotelismo no Concílio de Latrão, em 649.

Santo Ildefonso de Sevilha (†636) doutor da Igreja. Considerado o último Padre do ocidente. Bispo de Sevilha, Espanha desde 601. Em 636 dirigiu o IV Sínodo de Toledo. Exerceu notável influência na Idade Média com os seus escritos exegéticos, dogmáticos, ascéticos e litúrgicos.

São Germano de Constantinopla - (610-733) Bispo - Patriarca de Constantinopla (715-30), nasceu em Constantinopla ao final do reinado do imperador Heracleo (610-41); morreu em 733 ou 740. Filho de Justiniano, um patriciano, Germano dedicou seus serviços à Igreja e começou como clérigo na catedral de Metrópolis. Logo depois da morte de seu pai que havia ocupado vários altos cargos de oficial, pelas mãos do sobrinho de Herácleo, Germano se consagrou bispo de Chipre, o ano exato, porém, de sua elevação é desconhecido.

São João Damasceno (675-749) Bispo e Doutor da Igreja - É considerado o último dos representantes dos Padres gregos. É grande a sua obra literária: poesia, liturgia, filo e apologética. Filho de um alto funcionário do califa de Damasco, foi companheiro do príncipe Yazid que, mais tarde o promoveu ao mesmo encargo do pai, ministro das finanças. A um determinado tempo deixou a corte do califa e retirou-se para o mosteiro de São Sabas, perto de Jerusalém. Tornou-se o pregador titular da basílica do Santo Sepulcro. Enfrentou com muita coragem a heresia dos iconoclastas que condenavam o culto das imagens. Ficaram famosos os seus Três Discursos a Favor das Imagens Sagradas.


Kyrie Eleison - Comunidade Shalom
25/10/2010
 
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BELISSIMO ESPOSO
23/10/2010
 
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NOSSA SENHORA APARECIDA, UMA HISTÓRIA SIMPLES E BELA!
12/10/2010
 



Na segunda quinzena de outubro de 1717, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, ao lançarem sua rede para pescar nas águas do Rio Paraíba, colheram a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, no lugar denominado Porto do Itaguassu.

Filipe Pedroso levou-a para sua casa conservando-a consigo até 1732, quando a entregou a seu filho Atanásio Pedroso. Este construiu um pequeno oratório onde colocou a Imagem da Virgem que ali permaneceu até 1743. Todos os sábados, a vizinhança reunia-se no pequeno oratório para rezar o terço. Devido à ocorrência de milagres, a devoção a Nossa Senhora começou a se divulgar, com o nome dado pelo povo de Nossa Senhora Aparecida. A 26 de julho de 1745 foi inaugurada a primeira Capela. Como esta, com o passar dos anos, não comportasse mais o número de devotos, iniciou-se em 1842 a construção de um novo templo inaugurado a 8 de dezembro de 1888.

Em 1893, o Bispo diocesano de São Paulo, Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, elevou-o à dignidade de “Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida”. A 8 de setembro de 1904, por ordem do Papa Pio X, a Imagem milagrosa foi solenemente coroada, e a 29 de abril de 1908 foi concedido ao Santuário o título de Basílica menor. O Papa Pio XI declarou e proclamou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil a 16 de julho de 1930, “para promover o bem espiritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada Mãe de Deus”. A 5 de março de 1967 o Papa Paulo VI ofereceu a “Rosa de Ouro” à Basílica de Aparecida. Em 1952 iniciou-se a construção da nova Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida, solenemente dedicada pelo Papa João Paulo II a 4 de julho de 1980.


PAPA BENTO XVI EM PALERMO REZANDO O ANGELUS NO FORO ITALICO
5/10/2010
 
Angelus, Domingo dia 03.10.2010



Cari fratelli e sorelle!

In questo momento di profonda comunione con Cristo, presente e vivo in mezzo a noi e in noi, è bello, come famiglia ecclesiale, rivolgerci in preghiera alla sua e nostra Madre, Maria Santissima Immacolata. La Sicilia è costellata di Santuari mariani, e da questo luogo, mi sento spiritualmente al centro di questa “rete” di devozione, che congiunge tutte le città e tutti i paesi dell’Isola.

Alla Vergine Maria desidero affidare tutto il popolo di Dio che vive in questa amata terra. Sostenga le famiglie nell’amore e nell’impegno educativo; renda fecondi i germi di vocazione che Dio semina largamente tra i giovani; infonda coraggio nelle prove, speranza nelle difficoltà, rinnovato slancio nel compiere il bene. La Madonna conforti i malati e tutti i sofferenti, e aiuti le comunità cristiane affinché nessuno in esse sia emarginato o bisognoso, ma ciascuno, specialmente i più piccoli e deboli, si senta accolto e valorizzato.

Maria è il modello della vita cristiana. A Lei chiedo soprattutto di farvi camminare spediti e gioiosi sulla via della santità, sulle orme di tanti luminosi testimoni di Cristo, figli della terra siciliana. In questo contesto desidero ricordare che oggi, a Parma, è proclamata beata Anna Maria Adorni, che nel secolo XIX fu sposa e madre esemplare e poi, rimasta vedova, si dedicò alla carità verso le donne carcerate e in difficoltà, per il cui servizio fondò due Istituti religiosi. Madre Adorni, a motivo della sua costante preghiera, veniva chiamata “Rosario vivente”. Mi piace rilevarlo all’inizio del mese dedicato al santo Rosario. La quotidiana meditazione dei misteri di Cristo in unione con Maria, Vergine orante, ci fortifichi tutti nella fede, nella speranza e nella carità.




NAS MÃOS DOS ELEITORES
30/9/2010
 



Artigo escrito por D. Demétrio Valentini, Bispo de Jales. Caro internauta, vale a pena refletir e votar a favor da vida, da justiça e da paz!


O dia das eleições está chegando. Agora a decisão está nas mãos dos eleitores. O voto é soberano. Ele se constitui no fundamento da democracia. Todo o arcabouço jurídico que o protege tem a finalidade de garantir que ele seja, de fato, a expressão da vontade de cada eleitor. Por isto, o maior atentado contra a democracia é perverter o voto do eleitor, pela compra e venda, ou por qualquer outro expediente.

A sabedoria popular cunhou a afirmação contundente, e acertada: voto não tem preço, tem consequências!

A campanha eleitoral deveria fornecer elementos para os eleitores fazerem sua escolha, livremente, a partir das conclusões a que cada um chegar.

Quanto menos a campanha cumpre sua missão, maior a responsabilidade do eleitor. É o que se pode dizer da campanha deste ano. Por muitos motivos, ela deixou a desejar. Pouco contribuiu para o debate sereno, claro, objetivo, em torno de propostas de governo para o país. Ficou por demais carregada de ataques pessoais, em tentativas de desmoralizar os adversários.

Por isto, o eleitor tem algumas tarefas a mais, desta vez.

Em primeiro lugar, sacudir o clima de acusações e calúnias perversas e fantasiosas, lançadas não importa contra quem. Precisamos neutralizar estas tentativas de desestabilizar candidaturas com ataques pessoais e acusações infundadas. É necessário desencorajar seus autores. Caso contrário inviabilizamos a prática democrática em nosso país, incentivando os que se escondem no anonimato da internet para desferir seus golpes contra os desafetos de seus preconceitos. Contra o obscurantismo, nada melhor do que a lucidez e a coragem dos eleitores em livrar seu voto da asfixia de acusações gratuitas e injustas.

Urge também depurar as versões da grande mídia, que são no mínimo tendenciosas, para dizer pouco, e para deixar que cada eleitor imagine quais são os interesses que se escondem por trás destas posições veiculadas às vezes com rara virulência contra alguns candidatos. Formar a própria opinião, prescindindo das grandes manchetes, é tarefa difícil, mas não impossível para cidadãos maduros e adultos que queremos ser.

Como a campanha pouco ajudou para compreender o que está se passando em nossa realidade brasileira, nos últimos anos, cabe a nós fazer uma análise ponderada, com a lucidez de nosso bom senso, e conferir o que está no bom caminho, e o que seria possível melhorar. E então, com nosso voto, sinalizar em quem depositamos nossa confiança para garantir que nossas expectativas possam, minimamente, se cumprir.

Para esta análise, não pode faltar uma referência às grandes desigualdades sociais que são a marca registrada de nosso país, e perceber como estão sendo enfrentadas. Com nosso voto, precisamos expressar nosso juízo de valor sobre o processo de superação de nossas mazelas sociais, que está em andamento, e dar nosso voto em favor das propostas apresentadas pelos candidatos, não as fantasiosas e irresponsáveis, mas as realistas e consistentes.

Esta campanha não vai deixar saudades para ninguém. Mas o voto tem o poder de redimir até uma campanha mal realizada. Afinal, a responsabilidade recai mesmo sobre cada eleitor. Quanto menos ele precisar de recomendações, melhor será o seu voto.



ORIENTAÇÕES E CRITÉRIOS PARA AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES
22/9/2010
 



O Brasil está vivendo um momento peculiar – oportunidades e dificuldades – na sua história. De um lado, por seu crescimento interno e pelo seu destaque no cenário internacional, por outro pela continuidade de desigualdades sociais perversas, e pela corrupção que corrói e abrange todas as estruturas e instituições, prejudicando seriamente a credibilidade da classe política.

A Igreja, comprometida com o bem comum e a defesa irrestrita da dignidade e dos direitos humanos, apóia as iniciativas que contribuam para garanti-los a todos e denuncia distorções inaceitáveis presentes em vários programas, que como veremos ferem os princípios que norteiam a doutrina social cristã. O que está em jogo é uma visão da pessoa humana e da sociedade, solidária com a dignidade de todos, a favor da vida e aberta ao transcendente.

Para iluminar este processo eleitoral, a comunidade eclesial – que pela sua universalidade não pode se identificar com interesses particulares, partidários ou de determinado candidato/a – busca oferecer critérios de escolha e discernimento para as pessoas de boa vontade e cidadãos responsáveis. Também deseja que sejam votados candidatos coerentes com a defesa dos princípios éticos e cristãos.

Em consonância com estes mesmos princípios apresentamos as seguintes orientações e critérios:

Antes de tudo, é necessário “valorizar o voto” que decide a vida pública do nosso País e dos nossos Estados nos próximos anos. O meu voto é precioso! Não se compra! Nele se manifesta a minha liberdade e a minha decisão. Recentemente obtivemos a vitória do projeto de lei denominado “Ficha Limpa” que por decisão do TSE se aplicará nestas eleições. Cabe agora vigiar e cuidar para eliminar do pleito aqueles candidatos corruptos que contaminam o cenário político e destroem a democracia.

1. O primeiro critério para votar em um candidato é a defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Vida em todas as suas manifestações, desde a sua concepção até o seu fim natural com a morte. Rejeitamos veementemente toda forma de violência, bem como qualquer tipo de aborto, de exploração e mercado de menores, de eutanásia e qualquer forma de manipulação genética.

2. O segundo critério é a defesa da Família na qual a pessoa cresce e se realiza. Por isso devem ser votados aqueles candidatos que incentivam, com propostas concretas, o desenvolvimento da família segundo o plano de Deus. Opõem-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de crianças por casais homoafetivos, à legalização da prostituição, das drogas e ao tráfico de mulheres.

3. O terceiro critério é a liberdade de Educação pela qual os pais têm o direito de educar os filhos segundo a visão de vida que eles julguem mais adequada. Isso comporta uma luta pela qualidade da escola pública e pela defesa da escola particular, defendendo o ensino religioso confessional e plural, de acordo com o princípio constitucional da liberdade religiosa, reconhecido também no recente Acordo entre Brasil e Santa Sé.

4. O quarto critério é o princípio da solidariedade, segundo o qual o Estado e as famílias devem ter uma particular atenção preferencial pelos pobres, àqueles que são excluídos e marginalizados. Deve-se garantir uma cidadania plena para todos/as, assegurando o pleno exercício dos direitos sociais: trabalho, moradia, saúde, educação e segurança.

5. O quinto critério é o princípio de subsidiariedade, ou seja, haja autonomia e ação direta participativa dos grupos, associações e famílias fazendo o que podem realizar, sem interferências ou intromissões do Estado. Este deve apoiar e subsidiar, nunca abafar ou sufocar as liberdades e a criatividade das pessoas. Assim elas poderão exercer uma cidadania ativa e gestora.

6. Enfim, diante de uma situação de violência generalizada, os candidatos devem, de forma concreta e decidida, comprometer-se na construção de uma Cultura da Paz em todos os níveis, particularmente na educação e na defesa da infância e da adolescência.

Do ponto de vista prático nas paróquias e em nossas associações e movimentos, se dê grande importância a este momento eleitoral e se realizem debates sempre com vários candidatos de vários partidos, em vista da realização do bem comum. Durante os eventos promovidos pela diocese ou pelas paróquias nunca devem aparecer faixas, cartazes ou outro tipo de sinais que identifiquem e apóiem os candidatos.

O trabalho político, ao qual todos somos chamados, cada um segundo a sua maneira de ser, é uma forma de mostrar a incidência do Evangelho na vida concreta, visando à construção de uma sociedade justa, fraterna e equitativa. Em conseqüência haverá uma esperança real para tantas pessoas céticas, desnorteadas e confusas com a política atual. É uma grande oportunidade que os católicos e todas as pessoas de boa vontade não podem perder.



OS BISPOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO,
Regional LESTE 1 da CNBB

NOTA DA CNBB NA PROXIMIDADE DAS ELEIÇÕES
20/9/2010
 






18/9/2010

Constantes interpelações têm chegado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB a respeito de seu posicionamento em relação às eleições do próximo dia 3 de outubro.


Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País.

Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós.

Reafirmamos, portanto, o que diz a Declaração: “A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular.

Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro”.

Brasília, 16 de setembro de 2010

P. nº 0762/10



Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB


Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB


Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB


O CAMINHO PASSA PELA CRUZ!
14/9/2010
 



Escolher Jesus é fazer o caminho da cruz, junto com Ele. Aceitar Jesus é assumir um compromisso de se dar por inteiro. É ser crucificado com Ele, isto é, carregar a sua cruz, suportando-a.


Pela cruz chegaremos à Luz! (Per crucem, ad lucem!)
Cristo, para chegar à glorificação, teve que atravessar o calvário, até a cruz. Portanto, diante das dificuldades da vida, não podemos perder a fé e a esperança, pois nossos sofrimentos por causa de Jesus, nos garantem a participação na glória do céu.

Caminhamos com uma certeza: já sabemos o final da história. Por pior que seja a cruz. Ela não é o fim. A cruz não é a última palavra. O fim é a ressurreição, a plenitude de Deus em nós, e através de nós.

Deus tem muito a nos falar
9/9/2010
 






Setembro é o mês da Bíblia. Este mês foi escolhido pela Igreja porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo (ele nasceu no ano de 340 e faleceu em 420 dC). São Jerônimo foi um grande biblista e foi ele quem traduziu a Bíblia dos originais (hebraico e grego) para o latim, que naquela época era a língua falada e usada na liturgia da Igreja.
A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética propõe para o ano de 2010, nesse mês da Bíblia, o estudo e a meditação do Livro de Jonas com destaque para a evangelização e a missão na cidade.
O livro de Jonas reforça a idéia da universalidade do amor de Deus, que reconhece o valor de todos. Esse texto da Escritura nos faz refletir sobre a evangelização do mundo urbano. Assim, Jonas será uma grande contribuição para que o entusiasmo não esfrie e a Igreja possa continuar ampliando sua reflexão sobre a amplitude de sua missão. De fato, a escolha deste livro bíblico para o mês de setembro tem por objetivo tirar os católicos do comodismo e do julgamento preconceituoso e os encaminhar para a evangelização da cidade. Que o estudo e a meditação do livro de Jonas nos ajudem a vencer a tentação de fugir dos desafios da missão e nos tornem capazes de acolher a todas as pessoas sem acepção.

O AMOR NUNCA MORRE DE MORTE NATURAL: ELE É SEMPRE ASSASSINADO!!!
13/8/2010
 



O problema do divórcio na vida matrimonial não é de hoje: é de todo o sempre, desde que homem é homem; foi legalizado há pouco tempo, mas já é uma prática desde muito tempo. Aliás, o divórcio sempre foi um dos principais projetos do coração de satanás para destruir os filhos de Deus.
A carta de divórcio – fruto de uma lei positiva, ou seja, uma lei criada pelos homens – não deve ser obedecida e seguida, pois vai contra a lei natural, lei esta que Deus colocou dentro do coração do homem, que é a sua consciência.
A lei do divórcio é legal – por ser lei -, mas é imoral – não é nada “legal”, pois é projeto do coração do diabo colocado no coração dos homens.
Por que o número dessa prática [divórcio] está cada vez maior?
Porque só é capaz de casar com alguém aquela pessoa que se casou consigo primeiro.
Como vou viver uma comunhão com alguém se em mim está tudo fragmentado, dividido? Não tem como!
Por outro lado, as famílias encontram-se – especialmente esposo e esposa – totalmente distantes do tripé que rege o sacramento do matrimônio: espiritualidade, diálogo e cultivo.
Espiritualidade: Onde estão as famílias? Alimentando-se da Palavra de Deus e da Eucaristia dominical? Existem muitas famílias que se reúnem para quinze horas de novela semanal e não têm uma hora de seu tempo para a Santa Missa no domingo. Há famílias que sabem da vida de todo o mundo, mas não sabem da história da salvação contida na Sagrada Escritura. E depois queremos perguntar o porquê das coisas estarem indo de “medonho para infernal?”
Diálogo: Dialogar é diferente de conversar. Conversar é falar daquilo que está fora; dialogar é falar daquilo que está dentro, dentro do coração; é partilhar vida, intimidade; é dar-se a conhecer e conhecer o outro; significa rasgar o coração na presença da pessoa amada, sem medo de não ser acolhido (a). Quantas meninas buscam o colo de outros homens em casas de prostituição e motéis, porque não encontram o colo do pai dentro de casa; aliás, pai que não pega filha no colo, pega a filha no colo dos outros. Quantos esposos na “zona”, à beira de um balcão de bebida, buscando diálogo, pois não têm condições e espaço para dialogar em casa? Quantos filhos cheirando “uma carreira” de cocaína, “beijando um baseado” de maconha, um cachimbo com crack, porque não encontram o rosto de pai e mãe em casa, para poder cheirar e beijar… E assim por diante. Onde estão os casais que dialogam e não brigam? Que estendam a mão para acolher e não para apontar erros e defeitos?
Cultivo: Cultivar uma planta significa cuidar, zelar, exige cuidado, exige abaixar-se constantemente em direção à planta para arrancar as ervas daninhas que estão ali e querem impedir o crescimento e o desenvolvimento da planta. Esposos e esposas são convidados a cultivarem-se. Como fazer isso? Namorar! Os casais não namoram mais; um para um lado e outro para o outro.
O casal é convidado, os dois juntos, a se abaixar num gesto de profunda humildade e a arrancar aquilo que não presta; não “do pé da planta” que é a outra pessoa, mas da sua vida, ou seja, cada um dos cônjuges ter a humildade de reconhecer seus erros e mudar. E se colocarem a serviço para servirem-se mutuamente, colocando a pessoa amada como aquela que deve ser servida.
Se vivermos este tripé, não precisaremos exigir uma carta assinada por satanás. O divórcio existe, pois pessoas divididas só podem querer se separar das outras. Nunca nos esqueçamos desta verdade: o amor é mais forte do que a morte! Porém, ele morre. Como? O amor nunca morre de morte natural: ele é sempre assassinado. Principalmente, quando algum dos pés é quebrado deste tripé: espiritualidade, diálogo e cultivo.

AGOSTO, MÊS VOCACIONAL
1/8/2010
 



O mês de agosto já é tradicionalmente mês vocacional no Brasil. A CNBB convoca, todos os anos, para intensificar, neste mês, as orações e as ações em favor das vocações em geral. Embora a vocação para os ministérios ordenados deva ocupar a atenção dos fiéis durante todo o mês, por serem elas indispensáveis para a essência da Igreja, didaticamente se divide o mês em sub-temas para não deixar de lado nenhuma das outras vocações igualmente importantes para a vida eclesial.

Assim, na primeira semana se enfoca de maneira especial as vocações presbiterais e diaconais, por causa das festas de São João Maria Vianey, presbítero, a 4 de agosto, e a de São Lourenço, diácono, no dia 10.

A segunda semana é dedicada à vocação ao matrimônio, e em Jundiaí, já tradicionalmente se celebra nesta ocasião a Semana da Família.

Na terceira semana se reflete sobre as vocações religiosas e missionárias, recordando os vários chamados de Deus neste sentido, sejam para a vida contemplativa nos mosteiros, seja para vida ativa nas várias frentes pastorais e evangelizadoras.

Por fim, na última semana se dedica atenção especial à vocação laical, recordando de forma especial os catequistas, os pedagogos da fé, mas também os vários outros ministérios eclesiais e o papel do leigo no mundo.

As vocações aos ministérios ordenados são básicas para as demais vocações na Igreja. Cristo, ao chamar os doze para o ministério de apóstolos, deu-lhes instruções e responsabilidades especiais. Pediu deles dedicação total, entrega incondicional ao ministério. Deixaram tudo: família, profissão… Somente Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, poderia fazer isto: conferir-lhes o poder sacerdotal que era somente Dele, único e eterno Sacerdote. Assim os apóstolos passaram, com humildade, a agir não só em nome, mas na pessoa de Cristo. É Cristo mesmo que age através deles. Cristo os chamou e os enviou para constituir, ampliar, assistir, alimentar, em fim, santificar a Igreja.

Os sucessores dos apóstolos são os bispos, mas unido ao ministério episcopal de forma muito íntima está o ministério presbiteral e ao seu lado, com suas funções próprias, o ministério diaconal. Por isso o número de padres e diáconos deve ser suficiente para atender à comunidade do povo de Deus. É preciso que eles sejam verdadeiramente vocacionados, ou seja, que assumam com autenticidade este estado de vida e este serviço. Não basta serem em número suficiente. É preciso que sejam bons e santos, pois só assim estarão sendo fiéis ao chamado e aptos para servirem autenticamente ao Povo de Deus. Todos os cristãos têm a missão de evangelizar, mas cabe aos ministros ordenados a principal responsabilidade de realizar e também de coordenar, articular e animar este serviço evangelizador na Igreja. Também no início da Igreja foi assim.



Um forte abraço
Com minhas bênçãos
Pe. Eduardo

ENTUSIASMO
14/7/2010
 
Recebi essa mensagem junto com um vídeo e estou passando a você caro internauta!!

A palavra entusiasmo vem do grego e significa "ter um deus dentro de si". Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. A pessoa entusiasmada era aquela "preenchida" por um dos deuses e por isso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem. Assim, se você fosse entusiasmado por Deméter (deusa da Agricultura, chamada Ceres na mitologia romana) você seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante.
Segundo os gregos, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano, criar uma realidade ou modifica-la. Portanto, era preciso entusiasmar-se, ou seja, "abrigar um deus em si"!

Por isso, as pessoas entusiasmadas acreditam em si, agem com serenidade, alegria e firmeza. E acreditam igualmente nos outros entusiasmados. Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso. O entusiasmo é bem diferente do otimismo.

Otimismo significa esperar que uma coisa dê certo.

Entusiasmo é acreditar que é possível fazer dar certo.


Parabéns Pe Eduardo!!!!
12/7/2010
 



PE EDUARDO PARABÉNS!!!
INVADIMOS O SEU BLOG PELO MAIS BELOS DOS MOTIVOS: O SEU ANIVERSÁRIO.
AS MENSAGENS QUE SEGUEM ABAIXO SÃO UMA SINGELA HOMENAGEM DE SUA EQUIPE, DE SEUS PAROQUIANOS, DAQUELES QUE HOJE AGRADECEM A DEUS PELO DOM DA SUA VIDA.
FELICIDADES!!!!



12 de julho, o dia do seu nascimento.
No coração do inverno fez-se primavera e de Deus floresceu em ti os dons, os talentos, o carisma, a arte de viver fazendo acontecer verão na vida dos que pelo Senhor foram atraídos pelos propósitos que para sua vida atribuiu.
Passar pela vida e fazer história na vida de alguns é algo compensador que traz alegria, porém ESTAR na vida de tantos, sem imaginar QUEM são, ONDE estão, COMO são e o que o senhor
significa para eles é algo inexplicável, imensurável que a compreensão humana não consegue explicar.
A experiência de falar e fazer tocar a muitos ou falar e não ter certeza de quanto os ouve não o fizeram parar.
Pe Eduardo certamente as “Marias”, os “Joãos”, as “Antonias”, os “Josés” têm muitas histórias
para contar, pois em suas histórias viram inseridas a SUA PARTICIPAÇÃO onde a ação divina nas pregações, nas adorações, nas orações, da internet, nas ondas do rádio, Deus tem se feito presente.
Muitos são os que divulgam a importância da sua vida, do seu sacerdócio, dos seus projetos... Poucos e próximos são aqueles que silenciam, pois conhecem as dificuldades e os apertos que no seu dia-a-dia passa para que as coisas aconteçam.
A essência de tudo é que nos ensinou que quando se tem um PORQUÊ, se enfrenta qualquer COMO, e que quando se ama, não se mede esforços, porque o resultado de todas as coisas é uma surpresa preparada por Deus a cada dia.
Não se escolhe para nascer, pode até se escolher para fazer história, mas quando de Deus é escolhido a única escolha é fazer a vontade Dele.
Parabéns!!!
Equipe, Parceiros, Sócios do SOS Oração, Pe Oswaldo e Comunidade São Nicolau de Flüe



VÍDEO SOS ORAÇÃO ANIVERSÁRIO PE EDUARDO MALASPINA
12/7/2010
 
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HOMENAGEM PARÓQUIA SÃO NICOLAU AO PE EDUARDO
12/7/2010
 
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A INFLUÊNCIA DA MIDIA NA VIDA DAS CRIANÇAS
29/6/2010
 
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SOLENIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA
24/6/2010
 



São João Batista era filho de Zacarias e de Santa Isabel. Chamava-se “Batista” pelo fato de pregar um batismo de penitência (cf. Lucas 3,3). João, cujo nome significa “Deus é propício”, veio à luz em idade avançada de seus pais (cf. Lucas 1,36). Parente de Jesus, foi o precursor do Messias. É João Batista que aponta Jesus, dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim, vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim” (João 1,29ss.). De si mesmo deu este testemunho: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor …” (João 1,22ss.).São Lucas, no primeiro capítulo de seu Evangelho, narra a conceção, o nascimento e a pregação de João Batista, marcando assim o advento do Reino de Deus no meio dos homens. A Igreja celebra-o desde os primeiros séculos do cristianismo. É o único santo cujo nascimento (24 de Junho) e martírio são evocados em duas solenidades pelo povo cristão. O seu nascimento é celebrado pelo povo com grande júbilo: cantos e danças folclóricas, fogueiras e quermesses fazem da sua festa uma das mais populares e queridas da nossa gente.

ORAÇÃO A SÃO JOÃO BATISTA
24/6/2010
 
Ó glorioso São João Batista, profeta e precursor do Altíssimo primogênito da graça de Jesus, e da intercessão de sua Santa Mãe, grande diante do Senhor pelo dom que fostes enriquecido desde o seio materno e pela fidelidade no comprimento da missão recebida de Deus, ajudai-me a acolher a Boa Nova que anunciastes.

Quero fazer de minha existência uma realização da justiça, do amor, da penitência e da pureza que proclamastes. Alcançai-me a graça de pertencer inteiramente ao Reino por vós prenunciado e que está presente entre nós desde o nascimento de Jesus.

Alcançai-me também, meu santo protetor, singular devoção à Virgem Maria que, levada pela caridade e pelo desejo de ajudar, foi com pressa à casa de vossa mãe, Santa Isabel, para serdes abençoado com os dons do Espírito Santo. Estou certo de que, com essas graças e amando até a morte a Jesus e a Maria, salvar-me-ei e, no céu, convosco e com todos os anjos, amarei e louvarei a Jesus e a Maria, entre delícias e gozos eternos.

Amém!

MORRER A CADA DIA
20/6/2010
 



"Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-me". E conclui: "Aquele que quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas quem a perder, por minha causa, esse se salvará".


Num artigo muito interessante, Paulo Angelim, que é arquiteto, pós-graduado em Marketing, dizia mais ou menos o seguinte:

"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo.
É a fronteira entre o passado e o futuro. "

Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.
Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só suficiente para fazer as provas.
Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.
Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.
E, qual o risco de não agirmos assim?
O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.
Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser.
Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam.
Acabam se transformando em projetos acabados, híbridos, adultos "infantilizados".
Precisamos manter as virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc.

Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser ?

Pense nisso e morra!
Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!
Com minhas bênçãos
Pe. Eduardo

FORMOSA E BELA
29/5/2010
 
Internauta, escute essa música! Belíssima canção católica inspirada
na livro bíblico de Cântico dos Cânticos. É um verdadeiro HINO AO AMOR (Ágape).

PASSOS PARA ORAÇÃO
27/5/2010
 






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27/5/2010
 






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27/5/2010
 






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FOTO AÉREA DA PARÓQUIA SÃO NICOLAU DE FLUE, EM SÃO CARLOS SP
24/5/2010
 

Foto Daniel Fabio

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NOSSOS PADRES, REZEMOS COM ELES E POR ELES!
19/5/2010
 
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O MISTERIOSO E FECUNDO ESPÍRITO SANTO
19/5/2010
 






Caro Internauta, eis um belo texto sobre o Espírito Santo. É do grande teólogo São Basílio Magno, Bispo do século IV,que muitíssimo ajudou a Igreja a compreender a divindade do Espírito Santo.


Qual é o homem que, ao ouvir os nomes com os quais é designado o Espírito Santo, não eleva seu ânimo e o seu pensamento para a natureza divina? É chamado Espírito de Deus, Espírito da verdade que procede do Pai, Espírito de retidão, Espírito principal, e como nome próprio e peculiar, Espírito Santo.

Volta-se para ele o olhar de todos os que buscam a santificação; para ele tende a aspiração de todos os que vivem segundo a virtude; é o seu sopro que os revigora e reanima para atingirem o fim natural e próprio para que foram feitos. Ele é fonte da santidade e luz da inteligência; é ele que dá, de si mesmo, uma certa iluminação à nossa razão natural para que encontre a verdade.

Inacessível por sua natureza, torna-se acessível por sua bondade. Enche tudo com o seu poder, mas comunica-se apenas aos que são dignos; não a todos na mesma medida, mas distribuindo os seus dons em proporção da fé. Simples na essência, múltiplo nas manifestações do seu poder, está presente por inteiro em cada um, sem deixar de estar todo em todo lugar. Reparte-se e não sofre diminuição. Todos dele participam e permanece íntegro, à semelhança dos raios do sol que fazem sentir a cada um a sua luz benéfica como se fosse para ele só e, contudo, iluminam a terra e o mar e se difundem pelo espaço.

Assim é também o Espírito Santo: está presente em cada um dos que são capazes de recebê-lo, como se estivesse nele só, e, não obstante, dá a todos a totalidade da graça de que necessitam. Os que participam do Espírito recebem os seus dons na medida em que o permite a disposição década um, mas não na medida do poder do mesmo Espírito.

Por ele, os corações são elevados ao alto, os fracos são conduzidos pela mão, os que progridem na virtude chegam à perfeição. Ele ilumina os que foram purificados de toda a mancha e torna-os espirituais pela comunhão consigo. E como os corpos límpidos e transparentes, sob a ação da luz, se tornam também extraordinariamente brilhantes e irradiam um novo fulgor, da mesma forma também as almas que recebem o Espírito e são por ele iluminadas tornam-se espirituais e irradiam sobre os outros a graça que lhes foi dada.

Dele procede a previsão do futuro, a inteligência dos mistérios, a compreensão das coisas ocultas, a distribuição dos carismas, a participação na vida do céu, a companhia dos coros dos anjos. Dele nos vem a alegria sem fim, a união constante e a semelhança com Deus; dele procede, enfim, o bem mais sublime que se pode desejar: o homem é divinizado.


EU REZO O TERÇO! E VOCÊ?
19/5/2010
 
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PAPA EM PORTUGAL
12/5/2010
 






CELEBRAÇÃO DAS VÉSPERAS COM OS SACERDOTES,
RELIGIOSOS, SEMINARISTAS E DIÁCONOS

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Igreja da SS.ma Trindade - Fátima
Quarta-feira, 12 de Maio de 2010



Queridos irmãos e irmãs,

«Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […] para nos tornar seus filhos adoptivos» (Gal 4, 4.5). A plenitude dos tempos chegou, quando o Eterno irrompeu no tempo; por obra e graça do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo foi concebido e fez-Se homem no seio de uma mulher: a Virgem Mãe, tipo e modelo excelso da Igreja crente. Esta não cessa de gerar novos filhos no Filho, que o Pai quis primogénito de muitos irmãos. Cada um de nós é chamado a ser, com Maria e como Maria, um sinal humilde e simples da Igreja que continuamente se oferece como esposa nas mãos do seu Senhor.

A todos vós que doastes a vida a Cristo, desejo nesta tarde exprimir o apreço e reconhecimento eclesial. Obrigado pelo vosso testemunho muitas vezes silencioso e nada fácil; obrigado pela vossa fidelidade ao Evangelho e à Igreja. Em Jesus presente na Eucaristia, abraço os meus irmãos no sacerdócio e os diáconos, consagradas e consagrados, seminaristas e membros dos movimentos e novas comunidades eclesiais aqui presentes. Queira o Senhor recompensar, como só Ele sabe e pode fazer, quantos tornaram possível encontrarmo-nos aqui junto de Jesus Eucaristia, designadamente a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios com o seu Presidente, Dom António Santos, a quem agradeço as palavras repassadas de afecto colegial e fraterno pronunciadas no início das Vésperas. Neste ideal «cenáculo» de fé que é Fátima, a Virgem Mãe indica-nos o caminho para a nossa oblação pura e santa nas mãos do Pai.

Permiti abrir-vos o coração para vos dizer que a principal preocupação de todo o cristão, nomeadamente da pessoa consagrada e do ministro do Altar, há-de ser a fidelidade, a lealdade à própria vocação, como discípulo que quer seguir o Senhor. A fidelidade no tempo é o nome do amor; de um amor coerente, verdadeiro e profundo a Cristo Sacerdote. «Se o Baptismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus através da inserção em Cristo e da habitação do seu Espírito, seria um contra-senso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31). Neste Ano Sacerdotal, já a caminho do fim, uma graça abundante desça sobre todos vós para viverdes a alegria da consagração e testemunhardes a fidelidade sacerdotal alicerçada na fidelidade de Cristo. Isto supõe, evidentemente, uma verdadeira intimidade com Cristo na oração, pois será a experiência forte e intensa do amor do Senhor que há-de levar os sacerdotes e os consagrados a corresponderem ao seu amor de modo exclusivo e esponsal.

Esta vida de especial consagração nasceu como memória evangélica para o povo de Deus, memória que manifesta, atesta e anuncia a toda a Igreja o radicalismo evangélico e a vinda do Reino. Pois bem, queridos consagrados e consagradas, com o vosso empenho na oração, na ascese, no progresso da vida espiritual, na acção apostólica e na missão, tendeis para a Jerusalém Celeste, antecipais a Igreja escatológica, firme na posse e contemplação amorosa de Deus-Amor. Como é grande, hoje, a necessidade deste testemunho! Muitos dos nossos irmãos vivem como se não houvesse um Além, sem se importar com a própria salvação eterna. Os homens são chamados a aderir ao conhecimento e ao amor de Deus, e a Igreja tem a missão de os ajudar nesta vocação. Bem sabemos que Deus é senhor dos seus dons; e a conversão dos homens é graça. Mas somos responsáveis pelo anúncio da fé, da totalidade da fé, e das suas exigências. Queridos amigos, imitemos o Cura d’Ars que assim rezava ao bom Deus: «Concedei-me a conversão da minha paróquia, e eu estou pronto a sofrer o que Vós quiserdes, todo o resto da vida». E tudo fez para arrancar as pessoas à própria tibieza a fim de as reconduzir ao amor.

Há uma solidariedade profunda entre todos os membros do Corpo de Cristo: não é possível amá-Lo, sem amar os seus irmãos. Foi para a salvação deles que João Maria Vianney quis ser sacerdote: «Ganhar as almas para o Bom Deus», declarava ele ao anunciar a sua vocação, aos dezoito anos de idade, tal como Paulo dizia: «Ganhar a todos» (1 Cor 9, 19). O Vigário Geral tinha-lhe dito: «Não há muito amor de Deus na paróquia, vós introduzi-lo-eis». E, na sua paixão sacerdotal, o santo pároco era misericordioso como Jesus no encontro com cada pecador. Preferia insistir sobre o lado atraente da virtude, sobre a misericórdia de Deus diante da qual os nossos pecados são «grãos de areia». Mostrava a ternura de Deus ofendida. Temia que os sacerdotes «se insensibilizassem» e habituassem à indiferença dos seus fiéis: «Ai do Pastor – advertia – que fica calado ao ver Deus ultrajado e as almas perderem-se!»

Amados irmãos sacerdotes, neste lugar que Maria fez tão especial, tendo diante dos olhos a sua vocação de discípula fiel do Filho Jesus desde a sua conceição até à Cruz e depois no caminho da Igreja nascente, considerai a graça inaudita do vosso sacerdócio. A fidelidade à própria vocação exige coragem e confiança, mas o Senhor quer também que saibais unir as vossas forças; sede solícitos uns pelos outros, sustentando-vos fraternalmente. Os momentos de oração e estudo em comum, de partilha das exigências da vida e trabalho sacerdotal são uma parte necessária da vossa vida. Como é maravilhoso quando vos acolheis uns aos outros nas vossas casas, com a paz de Cristo nos vossos corações! Como é importante que vos ajudeis mutuamente por meio da oração e com conselhos e discernimentos úteis! Particular atenção vos devem merecer as situações de um certo esmorecimento dos ideais sacerdotais ou a dedicação a actividades que não concordem integralmente com o que é próprio de um ministro de Jesus Cristo. Então é hora de assumir, juntamente com o calor da fraternidade, a atitude firme do irmão que ajuda seu irmão a manter-se de pé.

Embora o sacerdócio de Cristo seja eterno (cf. Heb 5, 6), a vida dos sacerdotes é limitada. Cristo quer que outros perpetuem ao longo dos tempos o sacerdócio ministerial por Ele instituído. Por isso mantende, dentro de vós e ao vosso redor, a inquietude por suscitar – secundando a graça do Espírito Santo – novas vocações sacerdotais entre os fiéis. A oração confiante e perseverante, o amor jubiloso à própria vocação e um dedicado trabalho de direcção espiritual permitir-vos-ão discernir o carisma vocacional naqueles que são chamados por Deus.

A vós, queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário Maior ou nas Casas de Formação Religiosa, o Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa formação. A Eucaristia, centro da vida do cristão e escola de humildade e serviço, deve ser o objecto principal do vosso amor. A adoração, a piedade e o cuidado do Santíssimo Sacramento, durante estes anos de preparação, farão com que um dia celebreis o Sacrifício do Altar com unção edificante e verdadeira.

Neste caminho de fidelidade, amados sacerdotes e diáconos, consagrados e consagradas, seminaristas e leigos comprometidos, guia-nos e acompanha-nos a Bem-aventurada Virgem Maria. Com Ela e como Ela somos livres para ser santos; livres para ser pobres, castos e obedientes; livres para todos, porque desapegados de tudo; livres de nós mesmos para que em cada um cresça Cristo, o verdadeiro consagrado do Pai e o Pastor ao qual os sacerdotes emprestam voz e gestos, de Quem são presença; livres para levar à sociedade actual Jesus Cristo morto e ressuscitado, que permanece connosco até ao fim dos séculos e a todos Se dá na Santíssima Eucaristia.



PERMANECER EM CRISTO
11/5/2010
 



Dos Escritos da Bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade:

Não é possível comprometer-se no apostolado direto se não se é uma alma de oração. Estejamos conscientes de sermos um com Cristo, como Ele estava consciente de ser um com o Seu Pai; a nossa atividade não é verdadeiramente apostólica a não ser na medida em que O deixamos trabalhar em nós e através de nós com o Seu poder, o Seu desejo e o Seu amor.

Devemos chegar à santidade, não para nos sentirmos em estado de santidade, mas para que Cristo possa plenamente viver em nós. O dom total de nós próprios ao amor, à fé, à pureza, está ligado ao serviço dos pobres. Quando tivermos aprendido a procurar a Deus e a Sua vontade, as nossas relações com os pobres tornar-se-ão um caminho de santificação para nós e para o outro.

Amai a oração: ao longo do dia, experimentai frequentemente a necessidade de rezar e tomai o hábito de rezar. A oração dilata o coração até à capacidade desse dom que Deus nos faz de Si mesmo. Pedi e procurai, e o vosso coração alargar-se-á até O poder acolher e guardar em vós.

Tornemo-nos um verdadeiro sarmento da vinha de Jesus, um sarmento que dá fruto. Por isso, aceitemos Jesus na nossa vida do modo que Lhe agrada vir a ela:

como Verdade, para ser dito,

como Vida, para ser vivido,

como Luz, para ser iluminado,

como Amor, para ser amado,

como Caminho, para ser seguido,

como Alegria, para ser dado,

como Paz, para ser espalhado,

como Sacrifício, para ser oferecido,

entre os nossos parentes, os nossos próximos e os nossos vizinhos.




NOSSA ALMA COMO UM PÁSSARO ESCAPOU
6/5/2010
 
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TU ÉS A VERDADE: SÓ A TI PROCURO!
4/5/2010
 






Para você, esta intensa oração de Santo Agostingo, buscador de Deus, buscador da Verdade:


A partir de agora,

só amo a ti, só teu quero ser, só a ti procuro, só a ti estou disposto a servir,

pois só tu governas com justiça e sob tua direção quero me colocar.



Manda, eu te peço, ordena tudo o que quiseres,

mas sara e abre os meus ouvidos, para que eu ouça as tuas palavras.

Sara e abre os meus olhos, para que veja a tua vontade.

Livra de todas as alienações o meu espírito,

para que possa te reconhecer.



Dize-me por onde hei de dirigir os meus esforços, para chegar a te contemplar.

Espero assim cumprir todas as tuas ordens.

Acolhe, suplico-te, este fugitivo, ó Senhor, ó Pai clementíssimo!



Já sofri por tempo demasiado,

fui escravo de teus inimigos que tens debaixo dos pés;

basta de ser joguete de falsas aparências.

Recebe o teu servo que agora foge daquelas vaidades...



Abre-me a porta porque estou chamando.

Ensina-me como chegar perto de ti.

Nada tenho senão minha boa vontade.

Nada sei a não ser o que merece descaso: tudo o que é mutável e efêmero,

e só é digno de ser procurado o que é imutável e eterno.



E isso, ó Pai, é o que faço, porque é a única coisa que sei.

Ignoro, todavia, como chegar a ti.



Aconselha-me, indica-me o caminho,

dá-me os meios necessários para prosseguir.

Se é pela fé que te encontram os desviados que a ti recorrem, dá-me a fé!

Se é pela virtude, dá-me a virtude!

Se é pelo conhecimento, dá-me o conhecimento!

Aumenta-me a fé, aumenta-me a esperança, aumenta-me o amor!

Como é admirável e sem igual tua bondade!





EU VIREI A TI NO SILÊNCIO DO CORAÇÃO
30/4/2010
 






Dos Escritos da Bem-Aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionários da Caridade:


Terás dificuldade em rezar se não souberes como. Temos de nos ajudar a rezar: em primeiro lugar, recorrendo ao silêncio, porque não podemos pôr-nos na presença de Deus se não praticarmos o silêncio, tanto interior como exterior. Não é fácil fazer silêncio dentro de nós, mas é um esforço indispensável. Só no silêncio encontraremos novas forças e a verdadeira unidade.

A força de Deus tornar-se-á a nossa, para realizarmos todas as coisas como devemos; o mesmo acontecerá com a unidade dos nossos pensamentos aos Seus pensamentos, a unidade das nossas orações às Suas orações, a unidade das nossas ações às Suas ações, da nossa vida à Sua vida. A unidade é o fruto da oração, da humildade, do amor.

É no silêncio do coração que Deus fala; se te colocares perante Deus em silêncio e em oração, Deus falar-te-á. Então saberás que não és nada. Só quando conheceres o teu nada, a tua vacuidade, é que Deus poderá preencher-te Consigo. As almas dos grandes orantes são almas de grande silêncio.

O silêncio faz-nos ver cada coisa de modo diferente. Necessitamos do silêncio para tocar as almas dos outros. O essencial não é o que dizemos, mas o que Deus diz - aquilo que nos diz, e o que diz através de nós. No silêncio, Ele ouvir-nos-á; no silêncio, falará à nossa alma, e ouviremos a Sua voz.




MUITO MAIS QUE PEDOFILIA
20/4/2010
 



Cardeal Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo


As notícias sobre pedofilia, envolvendo membros do clero, difundiram-se de modo insistente. Tristes fatos, infelizmente, existiram no passado e existem no presente; não preciso discorrer sobre as cenas escabrosas de Arapiraca... A Igreja vive dias difíceis, em que aparece exposto o seu lado humano mais frágil e necessitado de conversão. De Jesus aprendemos: “Ai daqueles que escandalizam um desses pequeninos!” E de S.Paulo ouvimos: “Não foi isso que aprendestes de Cristo”.



As palavras dirigidas pelo papa Bento XVI aos católicos da Irlanda servem também para os católicos do Brasil e de qualquer outro país, especialmente aquelas dirigidas às vítimas de abusos e aos seus abusadores. Dizer que é lamentável, deplorável, vergonhoso, é pouco! Em nenhum catecismo, livro de orientação religiosa, moral ou comportamental da Igreja isso jamais foi aprovado ou ensinado! Além do dano causado às vítimas, é imenso o dano à própria Igreja.



O mundo tem razão de esperar da Igreja notícias melhores: Dos padres, religiosos e de todos os cristãos, conforme a recomendação de Jesus a seus discípulos: “Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que eles, vendo vossas boas obras, glorifiquem o Pai que está nos céus!” Inútil, divagar com teorias doutas sobre as influências da mentalidade moral permissiva sobre os comportamentos individuais, até em ambientes eclesiásticos; talvez conseguiríamos compreender melhor por que as coisas acontecem, mas ainda nada teríamos mudado.



Há quem logo tem a solução, sempre pronta à espera de aplicação: É só acabar com o celibato dos padres, que tudo se resolve! Ora, será que o problema tem a ver somente com celibatários? E ficaria bem jogar nos braços da mulher um homem com taras desenfreadas, que também para os casados fazem desonra? Mulher nenhuma merece isso! E ninguém creia que esse seja um problema somente de padres: A maioria absoluta dos abusos sexuais de crianças acontece debaixo do teto familiar e no círculo do parentesco. O problema é bem mais amplo!



Ouso recordar algo que pode escandalizar a alguns até mais que a própria pedofilia: É preciso valorizar novamente os mandamentos da Lei de Deus, que recomendam atitudes e comportamentos castos, de acordo com o próprio estado de vida. Não me refiro a tabus ou repressões “castradoras”, mas apenas a comportamentos dignos e respeitosos em relação à sexualidade. Tanto em relação aos outros, como a si próprio. Que outra solução teríamos? Talvez o vale tudo e o “libera geral”, aceitando e até recomendando como “normais” comportamentos aberrantes e inomináveis, como esses que agora se condenam?



As notícias tristes desses dias ajudarão a Igreja a se purificar e a ficar muito mais atenta à formação do seu clero. Esta orientação foi dada há mais tempo pelo papa Bento XVI, quando ainda era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Por isso mesmo, considero inaceitável e injusto que se pretenda agora responsabilizar pessoalmente o papa pelo que acontece. Além de ser ridículo e fora da realidade, é uma forma oportunista de jogar no descrédito toda a Igreja católica. Deve responder pelos seus atos perante Deus e a sociedade quem os praticou. Como disse S.Paulo: Examine-se cada um a si mesmo. E quem estiver de pé, cuide para não cair!



A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados.



E continuará a clamar por justiça social, a denunciar o egoísmo que se fecha às necessidades do próximo; ainda defenderá a dignidade do ser humano contra toda forma de desrespeito e agressão; e não deixará de afirmar que o aborto intencional é um ato imoral, como o assassinato, a matança nas guerras, os atentados e genocídios. E sempre anunciará que a dignidade humana também requer comportamentos dignos e conformes à natureza, também na esfera sexual; e que a Lei de Deus não foi abolida, pois está gravada de maneira indelével na coração e na consciência de cada um.



Mas ela o fará com toda humildade, falando em primeiro lugar para si mesma, bem sabendo que é santa pelo Santo que a habita, e pecadora em cada um de seus membros; todos são chamados à conversão constante e à santidade de vida. Não falará a partir de seus próprios méritos, consciente de trazer um tesouro em vasos de barro; mas, consciente também de que, apesar do barro, o tesouro é precioso; e quer compartilhá-lo com toda a humanidade. Esta é sua fraqueza e sua grandeza!



Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo



Artigo publicado em O ESTADO DE SÃO PAULO, ed. 11. 04.2010







CRISTO, SENHOR DO MAR DA NOSSA VIDA...
19/4/2010
 



Dos Sermões de São Pedro Crisólogo (406-450), Bispo e Doutor da Igreja:

Cristo sobe a um barco: não foi Ele quem descobriu o leito do mar depois de ter afastado as águas, para que o povo de Israel passasse a pé enxuto como num vale? (cf. Ex 14,29) Não foi Ele quem acalmou as ondas do mar sob os pés de Pedro, de forma a que a água fosse para os seus passos um caminho sólido e seguro? (Mt 14,29).

Ele sobe para o barco. Para atravessar o mar deste mundo até ao fim dos tempos, Cristo sobe para o barco da Sua Igreja para conduzir numa travessia pacífica, até à pátria do céu, aqueles que crêem Nele, e fazer cidadãos do Reino aqueles com quem comunga na Sua humanidade. Cristo não precisa certamente do barco, mas o barco precisa de Cristo. De fato, sem este piloto vindo do céu, o barco da Igreja, agitado pelas ondas, nunca chegaria ao porto.

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

POR QUE ATACAM O SANTO PADRE? SEIS ACUSAÇÕES, UMA QUESTÃO
16/4/2010
 



Esse texto é do famoso e competente vaticanista Sandro Magister.


Os ataques ao Papa Joseph Ratzinger usando os escândalos envolvendo padres da Igreja como arma são uma constante em seu pontificado.

São constantes porque cada vez mais, em terrenos diferentes, atacar Bento XVI significa atacar o homem que trabalhou e está trabalhando, nestes mesmos terrenos, com a melhor visão, direção e sucesso.



A tempestade que se seguiu à sua palestra em Ratisbona em 12 de setembro de 2006 foi o primeiro da série de ataques. Bento XVI foi acusado de ser inimigo do Islã, e um proponente incendiário do choque de civilizações. O mesmo homem que com clareza e coragem singulares havia revelado onde a raiz última da violência pode ser encontrada, em uma ideia de Deus mutilada de racionalidade, e então ensinou como superá-la.

A violência e até mesmo matanças que se seguiram às suas palavras foram a prova triste de que ele estava certo. Mas o fato de que ele tinha acertado na mosca foi confirmado acima de tudo pelo progresso que se viu daí em diante no diálogo entre a Igreja Católica e o Islã – não apesar da, mas justamente por causa da palestra em Ratisbona – do qual a carta ao Papa dos 138 intelectuais muçulmanos e a visita à Mesquita Azul em Istambul foram os sinais mais evidentes e promissores.

Com Bento XVI, o diálogo entre o Cristianismo e o Islã, bem como outras religiões, está atualmente prosseguindo com maior consciência sobre o que distingue, por virtude de fé, e o que pode unir, a lei natural escrita por Deus no coração de todo homem.



Uma segunda onda de acusações contra o Papa Bento o retrata como um inimigo da razão moderna, e em particular de sua expressão suprema, a ciência. O pico desta campanha hostil foi alcançado em Janeiro de 2008, quando professores forçaram o Papa a cancelar uma visita à principal universidade de sua diocese, a Universidade de Roma “La Sapienza”.

E, no entanto – como previamente em Ratisbona e então em Paris no “Collège des Bernardins” em 12 de setembro de 2008 – o discurso que o Papa pretendia dar na Universidade de Roma era uma defesa formidável da conexão indissolúvel entre fé e razão, entre verdade e liberdade: “Eu não venho impor a fé, mas exortar a ter coragem para a verdade”.

O paradoxo é que Bento XVI é um grande “iluminista” em uma época em que a verdade tem tão poucos admiradores, e a dúvida está no comando, ao ponto de se querer silenciar a verdade.



A terceira acusação sistematicamente lançada contra Bento XVI é a de que ele seria um tradicionalista preso ao passado, um inimigo dos novos desenvolvimentos trazidos pelo Concílio Vaticano II.

Seu discurso à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2005 sobre a interpretação do Concílio, e em 2007 sobre a liberalização do rito antigo da Missa são apontados como as provas nas mãos dos acusadores.

Na realidade, a Tradição à qual Bento XVI é fiel é aquela da grande história da Igreja, de suas origens até nossos dias, que não tem nada a ver com um apego formalista ao passado. No discurso à Cúria mencionado, para exemplificar a “reforma em continuidade” representada pelo Vaticano II, o Papa recordou a questão da liberdade religiosa. Para afirmá-la completamente – ele explicou – o Concílio precisou retornar às origens da Igreja, aos primeiros mártires, àquele “profundo patrimônio” da tradição cristã que nos séculos recentes havia sido perdido, e foi reencontrado, graças em parte à crítica da razão iluminista.

Quanto à liturgia, se existe um autêntico perpetuador do grande movimento litúrgico que floresceu na Igreja entre os séculos dezenove e vinte, de Prósper Guéranger a Romano Guardini, é justamente Ratzinger.



Uma quarta linha de ataque segue a mesma linha da anterior. Bento XVI é acusado de atrasar o ecumenismo, de colocar a reconciliação com os Lefebristas acima do diálogo com outras confissões Cristãs.

Os fatos, entretanto, dizem o oposto. Desde que Ratzinger foi feito Papa, a jornada de reconciliação com as Igrejas Orientais tem dado passos extraordinários. Tanto com as Igrejas Bizantinas, que respondem ao patriarcado ecumênico de Constantinopla, e – mais surpreendentemente – com o patriarcado de Moscou.

E se isto ocorreu, foi precisamente por causa da reavivada fidelidade à grande Tradição – desde o primeiro milênio – que é uma característica deste Papa, além do que é a alma das Igrejas Orientais.

Do lado do Ocidente, novamente o amor pela Tradição é que está levando pessoas e grupos de comunhão anglicana a pedir para ingressar na Igreja de Roma.

Já quanto aos Lefebristas, o que está impedindo a sua reintegração é exatamente o apego deles às formas passadas da Igreja e da doutrina erroneamente identificadas como Tradição perene. A revogação da excomunhão de quatro de seus bispos, em Janeiro de 2009, nada fez quanto ao estado de cisma no qual eles permanecem, da mesma forma que em 1964 a revogação das excomunhões entre Roma e Constantinopla não curou o cisma entre Oriente e Ocidente, mas tornou possível um diálogo visando à unidade.



Os quatro bispos Lefebristas cuja excomunhão Bento XVI levantou incluíam o inglês Richard Williamson, um antisemita e negador do Holocausto. No rito antigo liberado, há até mesmo uma oração para que os judeus “possam reconhecer Jesus Cristo como salvador de todos os homens”.

Estes e outros fatos ajudaram a alimentar protestos persistentes no mundo judaico contra o atual Papa, com pontos significantes de radicalismo. E é uma quinta linha de acusação.

A última arma deste protesto foi uma passagem de um sermão pregado na Basílica de São Pedro na Sexta-Feira Santa, na presença do Papa, pelo Pregador da Casa Pontifícia, Pe. Raniero Cantalamessa. O trecho incriminador foi uma citação de uma carta escrita por um Judeu, mas apesar disso o furor foi na direção exclusivamente do Papa.

E no entanto, nada é mais contraditório que acusar Bento XVI de inimizade com os judeus.

Nenhum outro Papa antes dele foi tão longe ao definir uma visão positiva de relacionamento entre a Cristandade e o Judaísmo, deixando intacta a divisão essencial sobre se Jesus é ou não o Filho de Deus. No primeiro volume de seu “Jesus de Nazaré” publicado em 2007 – e perto de ter completado o segundo volume – Bento XVI escreveu páginas esplêndidas a esse respeito, em diálogo com um Rabino americano ainda vivo.

Muitos judeus veem Ratzinger de fato como um amigo. Mas na mídia internacional, a coisa é diferente, o que se vê é praticamente e exclusivamente “fogo amigo” partindo dos judeus chovendo no Papa que melhor os entende e os ama.



Finalmente, uma sexta acusação – bastante atual – contra ratzinger é que ele teria “encoberto” escândalos de sacerdotes que abusaram sexualmente de menores.

Aqui, da mesma forma, a acusação é contra o mesmo homem que fez mais que qualquer outro na hierarquia eclesiástica para sanar este escândalo, com efeitos positivos que já podem ser vistos aqui e acolá, em especial nos Estados Unidos, onde a incidência do fenômeno em meio ao clero católico tem diminuído de forma significante nos últimos anos.

Mas onde a ferida ainda está aberta, como na Irlanda, foi novamente Bento XVI que pediu que a Igreja daquele país se pusesse em um estado de penitência, uma exigência que ele formulou em uma carta pastoral sem precedentes em 19 de março último.

O fato é que a campanha internacional contra a pedofilia tem somente um alvo hoje, o Papa. Os casos desenterrados do passado o são sempre com a intenção de ligá-los a ele, tanto quando era Arcebispo de Munique quanto quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, além do tempo em Ratisbona pelos anos em que o irmão do Papa, Georg, dirigiu o coral infantil da catedral.


ESPÍRITO DA RESSURREIÇÃO
15/4/2010
 



Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), monja carmelita, mártir, co-padroeira da Europa:


Quem és, suave luz que me sacias

E que iluminas as trevas do meu coração?

Guias-me como a mão de uma mãe,

e se me soltasses

não mais poderia dar um só passo.



És o espaço

que envolve o meu ser e me protege.

Longe de Ti, naufragaria no abismo do nada

de onde me tiraste para me criar para a luz.

Tu, mais próximo de mim

do que eu própria,

mais intimo do que as profundezas da minha alma,

e contudo incompreensível e inefável,

para além de qualquer nome,

Espírito Santo, Amor Eterno!



Não és Tu o doce maná

que do coração do Filho

transborda para o meu,

o alimento dos anjos e dos bem-aventurados?

Aquele que Se elevou da morte à vida

também me despertou do sono da morte para uma vida nova.

E, dia após dia,

continua a dar-me uma nova vida,

de que um dia a plenitude me inundará por completo,

vida procedente da Tua vida, sim, Tu mesmo,

Espírito Santo, Vida Eterna!




CELIBATO SACERDOTAL
14/4/2010
 

Professor espanhol Aquilino Polaino-Lore

Dr. Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia é entrevistado por Carmen Elena Villa sobre CELIBATO SACERDOTAL. O original encontra-se em www.zenit.org.

Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente. Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola. Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.


O professor Polaino explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal. “Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.


-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?
Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?
Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.


-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?
Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?
Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?
Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.



com minhas bênçãos
Padre Eduardo Malaspina

Cristo, nossa Páscoa, ressuscitou!
3/4/2010
 






A PÁSCOA é o maior horizonte da nossa fé. Todo o período quaresmal foi nos introduzindo, paulatinamente, no mistério central da nossa fé – o triunfo da Vida!

Jesus afirmou de si mesmo: “Eu sou a ressurreição e a vida!” Confira Jo 11,25. A Ressurreição de Jesus de Nazaré está na base do imaginário cristão. Ela faz parte do primeiro anúncio – o querigma - para suscitar a adesão a Jesus, o Cristo e Senhor: a morte foi vencida pela Vida. Os Apóstolos são testemunhas do fato da Ressurreição. E mensageiros desta boa notícia que devem levar até os confins da terra.

São Paulo o diz mui claramente: “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos mortos, para que não fiqueis tristes como os outros, que não têm esperança. Com efeito, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus, por meio de Jesus levará com ele os que adormeceram.” Confira 1 Tess 4,13-14.

Simbólica e sacramentalmente isso é vivido, com grande intensidade, na Vigília Pascal, quando temos o fogo novo, com o qual é aceso o Círio Pascal. Já as primeiras gerações dos discípulos de Jesus, na noite do Sábado Santo para o “primeiro dia da semana” celebravam a Ressurreição do seu Senhor e Mestre. Por isso, chamamos o primeiro dia da semana de domingo, o Dia do Senhor! A Igreja proclama, desde as suas origens que pela Ressurreição, a humanidade de Jesus resplandece com a glória de Messias e Senhor! Confira Atos 2,36.

Os Evangelhos nos relatam como Jesus, após a sua transfiguração, ordenou aos discípulos “que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dos mortos.” Confira Mc 9,2-10.

É conhecido o relato da descrença de Tomé que não aceita o testemunho da comunidade sobre a ressurreição de Jesus. O Ressuscitado aparece novamente. E, desta vez, Tomé está presente. O Mestre lhe mostra as suas chagas e convida o discípulo incrédulo a tocá-las. “Creste porque me viste? Felizes os que,sem terem visto, creram!”, diz Jesus ao discípulo. A confissão de Tomé passa a ser a de toda a Igreja: “Meu Senhor e meu Deus!” Confira Jo 20, 24 a 30.

O encontro com o Ressuscitado transforma o medo em coragem, a descrença em esperança. Um dos relatos mais bonitos sobre a Ressurreição é o que encontramos no episódio de Emaús, no Evangelho de são Lucas. Os dois companheiros não aceitaram o testemunho da comunidade. Mas Jesus vem ao encontro deles. Põe-se a caminhar no meio deles, como se fosse um estranho. Pergunta-lhes a causa de tanta tristeza. Explica-lhes, a partir das Escrituras, como “o Filho do Homem devia ressuscitar no terceiro dia”. E é reconhecido à mesa, ao partir o pão. “Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os outros discípulos. E estes confirmaram: “ ‘Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!’Então, os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como o tinham reconhecido ao partir o pão.”

A refeição em Emaús fez os discípulos recordarem a Ceia Pascal que tiveram com o Mestre, em Jerusalém. Confira Lucas 24, 13-35. É o que comemoramos em cada Páscoa. É o que celebramos na Ceia do Senhor, a Eucaristia, memorial de sua Páscoa. Na assembléia dominical, a Igreja proclama: “Anunciamos, Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

Todo o itinerário da vida cristã, desde o nascimento até à morte, é uma contínua participação no mistério pascal de Cristo, a começar do Batismo. Como ensina o Apóstolo: “Acaso ignorais que todos nós, batizados no CristoJesus, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo fomos sepultados com ele em sua morte, para que como Cristo foi ressuscitado dos mortos, pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova.” Confira Rm 6,3-11.

“Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”, é o que professos no Credo Apostólico. A reencarnação é uma crença antiga e muito difundida nas grandes religiões asiáticas. Afirma-se que as pessoas voltam a nascer, em sucessivas gerações, até atingirem a perfeição. Alan Kardec a assumiu como base de seu ensinamento. Para nós, o novo nascimento se dá no Batismo, como Jesus afirmou: “Quem nasce da carne é carne. Quem nasce do Espírito é espírito.” Confira Jo 3, 1-8. Diante do Sinédrio Paulo afirmou: “Estou sendo julgado por causa da nossa esperança na ressurreição dos mortos”. Confira Atos 22,23,6-9. A Ressurreição de Cristo é a razão de ser da sua Igreja no mundo.


BENDITO MADEIRO DA CRUZ
2/4/2010
 



Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), bispo e doutor da Igreja:



«No princípio era o Verbo» (Jo 1,1), a Palavra de Deus. Ele é idêntico a Si próprio; o que Ele é, o é sempre; Ele não pode mudar, Ele é o que é. Foi esse o nome com que Se deu a conhecer ao Seu servo Moisés: «Eu sou Aquele que sou» e «Tu dirás: Aquele que é enviou-me» (Ex 3,14).

Quem pode compreendê-Lo? Ou quem poderá chegar a Ele – supondo que emprega todas as forças do seu espírito para atingir, melhor ou pior, Aquele que é? Compará-lo-ei a um exilado, que de longe vê a sua pátria: o mar separa-os; vê para onde deve ir, mas não tem meios de lá chegar. Também nós queremos chegar a esse porto definitivo que será nosso, onde está Aquele que é, porque só Ele é sempre o mesmo, mas o oceano que é este mundo corta-nos o caminho.



Para nos dar um meio para irmos até lá, Aquele que nos chama veio de lá e escolheu uma madeira para nos fazer atravessar o mar: sim, ninguém pode atravessar o oceano deste mundo sem ser levado pela cruz de Cristo. Até um cego pode abraçar esta cruz; se não vês bem para onde vais, não a soltes: ela te conduzirá por si própria.



Eis, meus irmãos, o que eu gostaria de fazer entrar nos vossos corações: se quereis viver no espírito de piedade, no espírito cristão, uni-vos a Cristo como Ele tem feito por nós, a fim de vos juntardes a Ele tal como Ele é, e tal como sempre foi. Foi por isso que Ele desceu até nós, porque fez-Se homem a fim de levar os inválidos, de os fazer atravessar o mar e de os fazer abordar na pátria, onde já não há necessidade de navios porque não há mais oceanos para atravessar.



Se necessário, seria melhor não ver com o espírito Aquele que é, mas abraçar a cruz de Cristo, do que vê-Lo com o espírito e desprezar a cruz. Possamos nós, para nosso bem, ao mesmo tempo ver para onde vamos e fixar-nos com grampos ao navio que nos leva! Alguns conseguiram-no, e viram Aquele que é. Foi porque O viu que João disse: «No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.» Eles viram-no; e, para chegarem junto Daquele que viam de longe, uniram-se à cruz de Cristo, não desprezaram a humildade de Cristo.


A PAIXÃO SEGUNDO LUCAS I
31/3/2010
 



Quando chegou a hora, Jesus pôs-se à mesa com os apóstolos e disse: “Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal, antes de sofrer. Pois eu vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus”.

Então Jesus tomou um cálice, deu graças e disse: “Tomai este cálice e reparti entre vós; pois eu vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus” (Lc 22,14-18).

Palavras tremendas, estas de Jesus, na Paixão que escutamos neste Domingo de Ramos (isto, se os malditos jornaizinhos não reduziram a leitura da Paixão, fazendo o povo ouvir a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo os preguiçosos...).

“Desejei ardentemente comer convosco esta ceia pascal!” Cada um de nós deveria escutar, de modo grato, comovido, esta revelação tão doce do coração do nosso Salvador! Estas palavras, ditas naquele cenáculo de Jerusalém, ecoam de geração em geração de cristãos e, chegam hoje aos nossos ouvidos – quem dera chegassem também ao nosso coração: Ardentemente o Salvador deseja comer sua Páscoa de 2010 conosco. Sua única e eterna Páscoa, tornada verdadeiramente presente e atuante em cada celebração pascal! Este não é tempo de viagens, de passeios, de casas de praia ou de campo; este é tempo de comer com o Senhor e com os irmãos reunidos em Igreja a sua Ceia pascal!


Jesus sabe que iria morrer, sabe do sacrifício tremendo, do drama horrendo que o espera e o coloca todo presente nesta ceia, ceia comida “antes de sofrer”. Esta ceia é a ceia do seu sacrifício, a ceia bendita no qual a Igreja celebrará, até que seu Esposo volte, o banquete do seu Sacrifício pascal! E aí vem a revelação misteriosa, profunda, forte: “Nunca mais a comerei, até que ela se realize no Reino de Deus!” É a última refeição pascal do Senhor Jesus neste mundo. A ceia judaica, celebrada a cada ano por Israel tinha um sentido profundo: tornava presente a libertação da escravidão do Egito, quando Deus fez de um bando de perdidos um povo, o seu povo. Comendo a Páscoa os judeus não somente entravam nesta salvação de Deus, mas experimentavam já, naqueles ritos solenes, a salvação definitiva e completa que ocorreria quando o Messias viesse. O cordeiro macho e sem defeito, sem ossos quebrados, as ervas amargas das amarguras da vida, o molho avermelhado, como os tijolos do Egito, o pão da miséria, pão ázimo, sinal das misérias e precariedades de nossa vida: tudo profecia, tudo preparação, tudo saudade do Messias bendito que deveria vir... E agora ele veio: sua Páscoa, saída deste mundo em dores de cruz, passagem pelo Mar Vermelho da tremenda Morte e saída do outro lado, lado da Vida, lado do Pai, Deus de Israel – tudo isto estaria presente naquela ceia derradeira, nos ritos judaicos que o Senhor agora faria seus ritos, ritos de sua Páscoa e da Páscoa de sua Igreja... “Nunca mais comerei desta ceia! Ela é princípio e presença do Reino que eu trouxe. Um dia, no meu Dia, na glória, comê-la-ei eternamente convosco, meus discípulos, no banquete sem fim do céu, no qual eu mesmo serei vosso alimento!”


E Jesus, seguindo o rito pascal judaico, toma o primeiro dos quatro cálices, o Cálice da Aceitação. Sim, Jesus aceita o desígnio do Pai a seu respeito, como o Pai aceitará o sacrifício do Filho por nós! “Não mais beberei deste cálice até que venha o Reino de Deus!” Ele virá nas dores da cruz e manifestar-se-á de modo pleno no Dia sem fim da minha glória!


É isto, caro Leitor! Esta Ceia bendita na verdade é já um sacrifício, ou melhor, o sacrifício único e perfeito do Salvador nosso! Aquilo que ele realizaria na cruz dando-nos o Reino, antecipou ritualmente, tornou verdadeiramente presente de modo litúrgico naquela Ceia!


Ceia de despedida, de saudade, de amor que se entrega totalmente, sem nada reservar para si. Santa Teresinha dizia que “amar é tudo dar e dar-se a si mesmo”. Hoje, nesta Ceia, Ceia da Eucaristia de cada Domingo, Jesus se nos deu assim!

Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz remistes o mundo!






ELA CONCEBEU DO ESPÍRITO SANTO. O VERBO SE FEZ CARNE!
24/3/2010
 
Estamos nos encaminhando para o final da Quaresma; estamos próximos do início da Grande Semana que desemboca no Tríduo Pascal!


Amanhã, 25 de março, a Santa Igreja celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor. A penitência quaresmal é interrompida para celebrar tão grande evento litúrgico. Hoje, o Filho Eterno, Verbo do Pai, Deus verdadeiro gerado de Deus verdadeiro, ao momento do sim de uma pobre e humilde Virgem de Nazaré da Galiléia, disse no seio eterno do Pai, ao entrar no mundo: Tu não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não foram do teu agrado. Por isso eu digo: Eis-me aqui, - no Rolo do Livro está escrito a meu respeito – eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade (Hb 10,5ss). E o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Desde as vésperas de hoje, dia 24, a Igreja já entra na alegria de tão grande mistério. Para ajudá-lo a contemplar, ofereço-lhe, caro irmão visitante, quatro antífonas da Igreja oriental bizantina.


Diante da graça incomparável da tua virgindade,

Diante do encanto e do divino esplendor radiante da tua santidade,

Atônito de temor, Gabriel exclama:

Mãe de Deus, que louvor poderei apresentar à tua santidade?

Com que nome sublime chamar-te-ei?

Não sei e hesito, confuso!

Mesmo assim, obedecendo à ordem recebida, eu te canto:

Ave, cheia de Graça!


Ó Virgem, quando Gabriel de disse Ave!,

À sua voz, o Mestre do universo

Encarnou-se em ti, a Arca santa,

Segundo a palavra do justo Davi;

E tu apareceste mais vasta que os céus,

Pois no teu seio levavas o Criador!

Glória Àquele que fez em ti a sua morada!

Glória Àquele que saiu de ti!

Glória Àquele que nasceu de ti para nos salvar!



Ave, tu que encontras no teu seio

lugar para Aquele que o próprio céu não pode conter!

Ave, objeto dos ensinamentos proféticos,

Virgem da qual nasceu o Emanuel,

ó Mãe do Cristo nosso Deus!




Ave, tu que pela voz do Anjo recebeste a Alegria do universo!

Ave, tu que concebeste teu Criador e Senhor!

Ave, tu que foste digna de te tornares a Mãe do Cristo nosso Deus!


com minhas bênçãos
Pe. Eduardo Malaspina

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24/3/2010
 






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CRISTÃOS MARTIRIZADOS POR SUA FÉ
10/3/2010
 



Caro Internauta, leia esta notícia. Previno-o logo: no Ocidente o extermínio de cristãos pelos muçulmanos e hindus é tratado como mero conflito étnico-cultural. Na verdade, é perseguição religiosa mesmo... Estamos voltando ao tempo dos mártires...

Mais de 500 moradores de aldeias cristãs morreram vítimas de golpes dados com machetes, uma espécie de faca de mato, e queimados, em ataques praticados no final de semana por criadores de gado muçulmanos no centro da Nigéria, cenário de confrontos religiosos e étnicos, segundo um registro anunciado nesta segunda-feira pelas autoridades.

O ataque teria sido uma vingança pela morte de centenas de pessoas em janeiro, após confrontos entre cristãos e muçulmanos nos arredores de Jos. A região passou a ficar sob toque de recolher desde então.

Os ataques, coordenados segundo as testemunhas, aconteceram na noite de sábado em três aldeias ao sul de Jos, capital do estado de Plateau. Em três horas, pelo menos 500 pessoas foram massacradas, entre elas mulheres e crianças.

Todas as forças de segurança de Plateau e dos estados próximos estão em alerta máximo desde domingo à noite por ordem do presidente interino, Goodluck Jonathan.

"Mais de 500 pessoas morreram neste ato abominável praticado por criadores de gado fulanis", informou nesta segunda-feira à AFP Dan Majang, secretário de Comunicação do estado de Plateau, que tem Jos como capital. Segundo ele, 95 pessoas foram detidas depois do ataque.

Peter Gyang, morador de Dogo Nahawa, aldeia mais afetada, perdeu sua mulher e os dois filhos. "Atiraram para assustar as pessoas e depois as mataram a golpes de machete", contou aos jornalistas.

"A ação começou por volta das 03h00 da manhã e durou até as 06h00. Não vimos policiais", acrescentou. "Aparentemente, foi tudo bem coordenado, os agressores lançaram ataques simultâneos (...) Muitas casas foram queimadas", relatou Shamaki Gad Peter, diretor de uma organização de defesa dos Direitos Humanos em Jos, depois visitar três aldeias no domingo. "O nível de destruição é enorme", assegurou.

Alguns moradores citados pelo jornal nigeriano The Guardian disseram que centenas de corpos estavam espalhados pelas ruas no domingo depois do ataque. Outras testemunhas, citadas pelo jornal The Nation, indicaram entre 300 e 500 agressores.

No domingo à tarde, foram realizados funerais coletivos e nesta segunda-feira haverá outros, segundo autoridades locais.

Os criadores de gado pertencem à etnia fulani, de maioria muçulmana, enquanto as vítimas, os berom, praticam a religião cristã. De acordo com uma fonte oficial, os últimos relatórios de segurança indicam que "os integristas islâmicos" na região instigaram o ataque contra os berom.

Graças ao reforço das forças de segurança, não foram registrados novos confrontos no domingo à noite, afirmou Frank Tatgun, morador de Dogo Nahawa. Mas, em um comunicado divulgado no domingo, o Fórum dos Cristãos do estado de Plateau acusou o Exército nigeriano de permanecer passivo ante o ataque. "Por que os soldados não intervieram?", pergunta a organização.

A região estava submetida a um toque de recolher das 18h às 06h desde o episódio de violência religiosa anterior, em janeiro, quando mais de 300 pessoas morreram em Jos e em seus arredores.




UM CORAÇÃO COMO O DE DEUS
3/3/2010
 



Dos Sermões de Santo Agostinho (354-430), Bispo e doutor da Igreja:

«Deus faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45). Ele mostra a sua paciência; não lamenta o Seu poder. Também tu, renuncia à provocação, não aumentes a tribulação dos que semeiam o tumulto. És amigo da paz? Mantém-te tranquilo dentro de ti mesmo. Deixa de lado as querelas, e volta-te para a oração. Não respondas à injúria com a injúria, mas reza por esse homem.


Queres opor-te a ele: fala a Deus por ele. Não digo que te cales: escolhe o meio conveniente, e vê Aquele a quem falas, em silêncio, com um grito do coração. Onde o teu adversário não te vê, aí mesmo, sê bom para ele. A esse adversário da paz, a esse amigo da disputa, responde tu, amigo da paz: «Diz tudo o que quiseres, porque, seja qual for a tua inimizade, tu és meu irmão».


«Bem me podes odiar e repelir: tu és meu irmão! Reconhece em ti o sinal do meu Pai; é esta a Palavra do meu Pai: és um irmão antipático, mas és meu irmão, porque tu dizes tal como eu: «Pai nosso que estais nos céus». Se invocamos um único Pai, por que não somos um só? Peço-te, reconhece o que dizes comigo e reprova o que fazes contra mim. Temos uma única voz diante do Pai; por que não havemos de ter juntos uma única paz?»

Com minhas bênçãos
Pe. Eduardo Malaspina


CHAMADOS A SER SANTOS
26/2/2010
 



Chamados a ser santos

Dos escritos da Bem-aventurada Teresa de Calcutá (1910-1997), religiosa:

Qual é a vontade perfeita de Deus a nosso respeito? Deves tornar-te santo. A santidade é a maior dádiva que Deus nos pode fazer, porque Ele criou-nos para esse fim. Para aquele ou aquela que ama, submeter-se é mais do que um dever, é o próprio segredo da santidade.

Como dizia São Francisco, todos nós somos quem somos aos olhos de Deus – nada mais, nada menos. Todos somos chamados a ser santos. Não há nada de extraordinário nesse chamado.

Todos fomos criados à imagem de Deus, a fim de amarmos e sermos amados. Jesus deseja a nossa perfeição com um ardor indizível. «Eis a vontade de Deus: a vossa santificação» (1Ts 4,3). O Seu Sagrado Coração transborda de uma vontade insaciável de nos ver caminhar em direção à santidade.


Devemos renovar todos os dias a nossa decisão de nos elevarmos com mais fervor, como se se tratasse do primeiro dia da nossa conversão, dizendo: «Ajuda-me, Senhor meu Deus, nas minhas boas resoluções ao Teu santo serviço e dá-me hoje mesmo a graça de começar verdadeiramente, pois tudo o que fiz até agora não é nada.» Só podemos ser renovados se tivermos a humildade de reconhecer aquilo que em nós tem necessidade de o ser.





A GRAÇA
23/2/2010
 



Na vida, a morte é o fim. Na Graça, a morte é o começo.

Na vida, o maior devora os menores. Na Graça, o Maior salvou os menores.

A vida é incerta, mesmo com toda a sabedoria humana. A Graça traz certezas irrevogáveis, que provêm da Sabedoria Divina.

A vida castiga os erros e deixa sérias conseqüências. A Graça perdoa os erros e faz das conseqüências preciosas lições para o crescimento espiritual.

Na vida, fazemos tudo o que queremos. Na Graça, fazemos tudo o que é certo.

Na vida, fazemos justiça com as próprias mãos. Na Graça, a justiça provém das perfeitas mãos de Deus.

A vida é curta. A Graça é eterna.

Na vida temos amigos. A Graça dá-nos irmãos.

A vida é um amontoado de dúvidas. A Graça é a solução.

A vida se perde na escuridão. A Graça dissipa as trevas com a luz de Cristo.

A vida questiona. A Graça responde.

A vida acontece no mundo. A Graça nos tira do mundo.

A vida é vencida pela morte. A Graça vence a morte.

A vida dá prazer. A Graça dá salvação.


Com minhas bênçãos
Pe. Eduardo Malaspina

O SENTIDO DA QUARESMA
17/2/2010
 



A Quaresma é um período de quarenta dias. Inicia-se na Quarta-feira de Cinzas, prolongando-se até a Quinta-feira Santa, antes da Missa na Ceia do Senhor. Trata-se de um tempo privilegiado de conversão, combate espiritual, jejum e escuta da Palavra de Deus.

Na Igreja Antiga, este era o tempo no qual os catecúmenos (adultos que se preparavam para o Batismo) recebiam os últimos retoques em sua formação para a vida cristã: eles deveriam entregar-se a uma catequese mais intensa e aos exercícios de oração e penitência. Pouco a pouco, toda a comunidade cristã - isto é, os já batizados em Cristo -, começou a participar também deste clima, tanto para unir-se aos catecúmenos, como para renovar em si a graça de seu próprio batismo e o fervor da vida cristã, preparando-se, assim, para a santa Páscoa.

Assim, surgiu a Quaresma: tempo no qual os cristãos, pela purificação e a oração, buscam renovar sua conversão para celebrarem na alegria espiritual a Santa Vigília de Páscoa, na madrugada do Domingo da Ressurreição, renovando suas promessas batismais. Assim, o santo tempo quaresmal tem uma vertente ascética e uma outra mística, centrada na contemplação do mistério pascal de Cristo. (Fonte: Dom Henrique

SANTA QUARESMA A TODOS OS INTERNAUTAS!


COMO VIVER A QUARESMA?
17/2/2010
 



Como viver a Quaresma

1. Arrependendo-me de meus pecados e confessando-me.
Pensar em quê ofendi a Deus, Nosso Senhor, se me dói tê-lo ofendido, se estou realmente arrependido. Este é um bom momento do ano para realizar uma confissão preparada e de coração. Revise os mandamentos de Deus e da Igreja para poder fazer uma boa confissão. Sirva-se de um livro para estruturar sua confissão. Busque tempo para realizá-la.
2. Lutando para mudar:
Analise sua conduta para conhecer em quê esta falhando. Faça propósitos para cumprir dia a dia e revise à noite se os alcançou. Lembre-se de não colocar muitos propósitos porque será muito difícil cumpri-los todos . Deve-se subir as escadas de degrau em degrau, não se pode subir toda ela de uma só vez. Conheça qual é o seu defeito dominante e faça um plano para lutar contra ele. Teu plano deve ser realista, prático e concreto para poder cumpri-lo.
3. Fazendo sacrificios:
A palavra sacrifício vem do latim sacrum-facere, significa "fazer sagrado". Então, fazer um sacrifício é fazer alguma coisa sagrada, quer dizer, oferecê-la por amor a Deus, porque o ama, coisas que dão trabalho. Por exemplo, ser amável com um vizinho com quem você não simpatiza ou ajudar alguém em seu trabalho. A cada um de nós há algo que nos custa fazer na vida de todos os dias. Se oferecemos isto a Deus por amor, estamo fazendo sacrifício.
4. Oração:
Aproveite estes dias para rezar, para conversar com Deus, para dizê-lo que o ama e que quer estar com Ele. Pode ser útil um bom livro de meditação para Quaresma. Você pode ler na Bíblia passagens relacionadas com a quaresma.


De forma prática responda e coloque em sua vida os propósitos assumidos neste questionário:

1. Que devo fazer para crescer na Oração (espiritualmente)?
2. Que Jejum (sacrifício) devo fazer em beneficio do Reino de Deus?
3. Que Caridade devo fazer com aqueles a quem temos mais próximos, no ambiente concreto em que nos movemos?



Fique em Paz.




CARTA À PASTORAL DA CRIANÇA E DA PESSOA IDOSA EM VISTA DO FALECIMENTO DE DRA. ZILDA ARNS
9/2/2010
 
Nós, 466 presbíteros, de todas as regiões do Brasil, estamos reunidos em Itaici, Indaiatuba nos dias 03 a 09 de fevereiro de 2010, neste 13º Encontro para a Celebração Jubilar dos 25 anos de ENPs. Queremos nos solidarizar com as lideranças da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa que promovem um compromisso ético, humano e profundamente evangélico em seus trabalhos desenvolvidos pelos rincões desse nosso imenso Brasil, fazendo gerar vida e maior qualidade às pessoas que ficaram à mercê da história. Consideramos oportuno como Igreja Profética, Samaritana e Acolhedora, solidarizar-se com os trabalhos cristãos e humanizadores dessa importante Pastoral. A vida deve ser promovida, defendida da concepção até a morte. Repetimos em altos tons que evangelizar é humanizar e assim prestamos nossa humilde homenagem à Dra Zilda Arns Neumann, coordenadora Internacional da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa, falecida em terras haitianas vitimada pelo terremoto no dia 12 de janeiro de 2010, deixando explícito seu eterno compromisso com a Vida.
Na expectativa de melhores dias às crianças e aos idosos eu vim para que todos tenham Vida, renovamos nosso compromisso com os trabalhos sociais e proféticos realizados pela Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa.
Cristo, o Bom Pastor, sempre os ilumine em suas ações.

Itaici, Indaiatuba, 09 de fevereiro de 2010

Pe. Francisco dos Santos
Presidente da CNP

Pe. Lázaro Silva Muniz
Vice-Presidente da CNP

Pe. Mario Spaki
Secretário da CNP

Muticom encerra com lançamento de Carta de Porto Alegre
9/2/2010
 



O Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe, que iniciou no dia 3 de fevereiro, encerrou neste domingo, 7, com a participação de cerca de 15 mil pessoas, de 18 países. Profissionais, estudantes, jornalistas, representantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias, pastorais, interessados no tema, que durante cinco dias debateram e buscaram alternativas para a construção de uma comunicação comprometida com a paz, a justiça e a solidariedade.

Durante todo o domingo de encerramento foi mantida a visitação às tendas e a exposição de Fotografias de Arte Sacra e a Exposição de Arte Sacra Contemporânea, com obras premiadas. Na parte da tarde, aconteceram, ainda, no Teatro do prédio 40, as apresentações artístico-populares. Também foi realizada a Marcha Juvenil pela solidariedade e contra o extermínio de Jovens nas Américas e a exibição de filmes e documentários com temática relacionada à proposta do Mutirão (auditório do prédio 9).

Às 18h aconteceu a celebração e a leitura da Carta de Porto Alegre, cuja produção foi feita durante o evento a partir dos debates e contribuições dos participantes. A ideia do documento, segundo o coordenador de comunicação, Attilio Hartmann, é definir que tipo de comunicação queremos e apontar caminhos para atingir este objetivo. “Nossa proposta é que esta carta sirva como uma espécie de mapa para os comunicadores, profissionais, estudantes, professores, que provoque a reflexão e trabalhe com a possibilidade de uma outra comunicação possível”, destaca ele. Em sua linha mestra, a carta dialoga com a proposta do Mutirão, de uma comunicação voltada para a cultura solidária. No fim do evento foi lançado o próximo Mutirão Brasileiro de Comunicação, que acontecerá em 2011, no Rio de Janeiro.

A Carta de Porto Alegre foi distribuída na PUCRS. Após a leitura da carta, o evento encerrou às 20h, com um show do grupo pop Papas da Língua, no Salão de Atos da universidade. Leia na íntegra o documento.


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Carta de Porto Alegre
Somos comunicadores e comunicadoras solidários com nossos povos e integrados plenamente no seu caminhar. Partilhamos os sofrimentos, as crises, as alegrias e as esperanças de nossas irmãs e irmãos. Por esse motivo, e ainda em meio à atual crise civilizatória, que se expressa, entre outros fatores, na mundialização das economias e na livre circulação de mercadorias e capitais especulativos, nos atrevemos a refletir e sonhar, alimentando a utopia e a esperança.

Somos comunicadores e comunicadoras, pesquisadores, professores, jornalistas e estudantes da América Latina e do Caribe, reunidos em Porto Alegre (Brasil) de 3 a 7 de fevereiro de 2010, no Mutirão de Comunicação, no qual fomos convidados para analisar os “Processos de comunicação e cultura solidária”.

O Mutirão propiciou o intercâmbio de experiências, de saberes e de comunhão em Jesus Cristo entre comunicadores e comunicadoras com diferentes trajetórias pessoais, profissionais, políticas, religiosas, culturais, unidos no compromisso e na responsabilidade comum com os povos da região que lutam pela dignidade, pela justiça e na defesa de uma democracia que seja capaz de garantir a vigência de seus direitos econômicos, políticos, sociais e culturais.

Esta carta traduz nossos sonhos de futuro apoiados no compromisso político de concretizar uma utopia construída sobre a rica bagagem cultural e religiosa acumulada ao longo dos anos, que representa uma enorme riqueza de nossos povos e nossas culturas, especialmente indígenas, negros e migrantes, constituindo uma herança tantas vezes desprezada. Este rico legado, somado à vitalidade dos movimentos sociais, habilita o surgimento de atores que têm “direito a ter direito” e são os forjadores de nossa diversidade cultural.

Com Dom Helder Câmara dizemos que “quando sonhamos sozinhos , é apenas um sonho; quando sonhamos juntos é o começo de uma nova realidade” (Mensagem de Natal, 1992).

Por isso fazemos essa convocação para a ação que, sem abandonar um olhar analítico e crítico sobre a realidade política, social, cultural, religiosa e comunicacional, busca a construção de uma nova cidadania comunicativa que contribua à plena vigência dos direitos humanos e das condições de uma vida digna.

Partilhando as incertezas naturais de quem está envolvido no processo histórico e social e sem pretender esgotar as propostas, mas com a firmeza de nossas convicções, saberes, experiências, sensibilidade e paixão, e inspirados e inspiradas pelo Evangelho de Jesus, sonhamos com:

1.Uma cidadania comunicacional que, no marco dos processos políticos e culturais, permita a participação criativa e protagônica das pessoas como forma de eliminar a concentração de poder de qualquer tipo para, assim, construir e consolidar novas democracias. Cidadania que não se pode pensar somente em termos jurídicos, mas também como uma atitude e uma condição associadas à reivindicação de ser reconhecido, de ter arte e parte nas decisões que afetam a vida em suas múltiplas dimensões, porque não há democracia política sem democracia comunicacional.
2.Uma palavra liberada de todo tipo de opressão e discriminação, para que se apropriem dela também os jovens e as jovens, os mais pobres e pequenos, como germe de uma cultura solidária.
3.Políticas públicas de comunicação elaboradas a partir da ideia de que a comunicação é um direito humano e um serviço público e nas quais haja espaço tanto para a iniciativa privada comercial, como para os meios estatais, os meios públicos não-governamentais e os comunitários.
4.Uma sociedade civil mobilizada para incidir politicamente na busca de uma comunicação livre, socialmente responsável, justa e participativa.
5.Cidadãos, comunicadores e atores sociais preparados para manter e vigiar práticas comunicativas democráticas, participativas, inclusivas e apoiadas em uma nova perspectiva integral de direito à comunicação.
6.Movimentos sociais, organizações populares, igrejas e instituições que se apropriem e incorporem, nas suas práticas comunicativas, os cenários e os processos das tecnologias da informação e as novas linguagens a fim de ampliar seu horizonte comunicacional e contribuir para a eliminação da brecha informativa e digital.
7.Responsáveis da gestão do Estado capazes de levar adiante políticas públicas e estratégias de comunicação destinadas a assegurar o direito à comunicação, através de ações pertinentes e efetivas, que eliminem as diferenças e as desigualdades que hoje existem em matéria de produção, acesso e circulação de todo tipo de bens culturais.
8.Cristãos comprometidos e organizados que, a partir da sua fé, tenham uma presença ativa e transformadora no campo da comunicação, incorporando as novas tecnologias no espírito e nas linhas de ação dessa carta.
Sonhamos, enfim, com comunicadores e comunicadoras:

cuja prática profissional seja marcada pela vivência de uma cultura solidária, por critérios éticos e por uma vida coerente com esses princípios;
que se reconheçam, acima de tudo, servidores do direito dos cidadãos a receber e emitir informação e opinião; que não se subordinem aos interesses e às pressões do poder político ou econômico porque estão comprometidos com a cidadania comunicacional;
que estejam junto aos empobrecidos e incorporem seu olhar;
que impulsionem o diálogo para enfrentar as contradições, inevitáveis em qualquer sociedade, com o objetivo de alcançar a paz e a justiça;
que não se preocupem somente em ser plurais, mas igualmente em valorizar as diferenças surgidas no caminho da busca da verdade;
que suscitem solidariedade a partir dos processos de comunicação;
que saibam escutar e estar atentos especialmente ao clamor que emerge do murmúrio dos silenciados e, assim, contribuir para a visibilidade dos invisíveis de hoje.

HOMILIA DOM GERALDO LYRIO ROCHA 13º. Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), 06 de fevereiro 2010
8/2/2010
 

Pe. Geraldo Lyrio Rocha, presidente CNBB


Romaria dos Presbíteros

Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha, arcebispo de Mariana e presidente da CNBB, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na Romaria dos Presbíteros, por ocasião do 13º. Encontro Nacional de Presbíteros (ENP), aos 6 de fevereiro de 2010.


Emoldurada pelo Ano Sacerdotal, que tem como tema Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote, no contexto da celebração do 13º Encontro Nacional dos Presbíteros que tem como tema ENPs: 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral, realiza-se esta Romaria dos Presbíteros do Brasil ao Santuário Nacional de Aparecida. Neste contexto, recordo, com grata satisfação, as palavras que nós, bispos do Brasil, dirigimos na Carta aos Presbíteros, por ocasião da 42ª Assembleia Geral da CNBB. Não obstante os problemas e dificuldade que todos nós bem conhecemos, caríssimos presbíteros, “alegra-nos perceber que a caridade pastoral é o eixo integrador de suas vidas como presbíteros. Temos, ante nossos olhos, inúmeros testemunhos de presbíteros incansáveis e até mesmo sobrecarregados no exercício do ministério”(CNBB, Doc. 75, n.6). “É para nós um fato edificante e até questionador a condição de pobreza real que muitos de vocês abraçam por causa de Cristo e do Evangelho. Vivendo em comunidades das periferias urbanas e em regiões isolados do interior, muitos presbíteros partilham as dolorosas carências da população empobrecida e marginalizada” (cf. CNBB, Doc. 75, n.7). “Muito nos alegramos ao constatar o empenho de vocês para testemunhar com convicção, a fidelidade ao espírito dos conselhos evangélicos, no seguimento de Jesus pobre, obediente e célibe, sabedores que carregam, como nós, tesouros em vasos de barro” (CNBB, Doc. 75, n.8). “É hora de especial empenho pela mística presbiteral que os levará a ter no Cristo Bom Pastor o modelo que, a exemplo de sua caridade pastoral, lhes propicia encontrar o vínculo da perfeição sacerdotal, fonte da unidade de sua vida e missão” (CNBB, Doc. 75, n.15). “Esmerem-se em levar avante a formação permanente” (CNBB, Doc. 75, n.16). “A vivência em presbitério tem sido, sem dúvida, para todos nós uma fonte inesgotável de aprendizado da vivência ministerial. Aí encontramos ajuda mútua para, como ministros ordenados, garantirmos a fidelidade ao seguimento de Jesus Cristo” (CNBB, Doc. 75, n.21). “O espírito missionário deve ser sempre mais concreto no sinal de cooperação e vida em comum, que cresce entre nós. Alguns presbíteros têm-se colocado à disposição de outras Igrejas Particulares, intercambiando experiências e favorecendo maior integração de nossa Igreja em âmbito nacional. Reconhecemos que houve, nos últimos anos, um crescente compromisso de nossa Igreja com a missão ad gentes” (CNBB, Doc. 75, n.24). “Suas organizações próprias, tais como a Pastoral Presbiteral, os Encontros Nacionais, as fraternidades presbiterais, as associações e comissões demonstram o desejo de uma vida profundamente marcada pela solidariedade entre vocês, que são mais autênticas quanto mais abertas e sensíveis à realidade de todos os irmãos presbíteros” (CNBB, Doc. 75, n.27). “Constatamos, caros irmãos presbíteros, que a grande maioria de vocês exerce seu ministério na paróquia. Em comunhão com as Conclusões de Santo Domingo, reafirmadas na Conferência de Aparecida, sonhamos com o dia em que cada paróquia seja autêntica comunidade de comunidades ou verdadeira rede de comunidades. Paróquias ministeriais, celebrativas, missionárias, ecumênicas, libertadoras e, como pedia o papa João Paulo II, verdadeiras casas e escolas de comunhão” (cf. CNBB, Doc. 75, n.38).

Ressoa de maneira especial, as palavras da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada aqui em Aparecida: “O presbítero, à imagem do Bom Pastor, é chamado a ser homem de misericórdia e compaixão, próximo a seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades. A caridade pastoral, fonte da espiritualidade sacerdotal, anima e unifica sua vida e ministério. Consciente de suas limitações, o presbítero valorize a pastoral orgânica e se insira com gosto no presbitério ao qual pertence” (cf. DAp. n.198).

Em sua carta para a proclamação do Ano Sacerdotal, por ocasião dos 150 anos de morte do Santo Cura D’Ars, o Sumo Pontífice Bento XVI afirma que tal iniciativa “pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo /.../ ‘O sacerdócio é o amor do coração de Jesus’ costumava dizer o Santo Cura D’Ars. Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade /.../



Também a nós o Senhor dirige essas palavras que nos enchem de alegria e nos estimula a prosseguir no caminho da fidelidade à nossa vocação e missão: “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15). Somos, portanto, os confidentes de Jesus. Eles nos conta os segredos do Pai. Isso não é merecimento nosso. A iniciativa partiu dele: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15,16). Que graça admirável! Escolhidos para sermos seus amigos e discípulos, e enviados como seus missionários.

O cardeal dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, em sua Carta dirigida aos presbíteros, com grande sabedoria pontuou: “Caríssimos presbíteros, nós, pastores, nos tempo de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja ad gentes, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da participação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. /.../ Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade de sua Igreja. Nós o faremos, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos”.

Na primeira Carta de Pedro há pouco proclamada, ouvimos esta admoestação que se dirige a todos nós revestidos do ministério sacerdotal: “sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, MS de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho” (1Pd 5,1-3).

Caros irmãos presbíteros,

Neste Santuário Nacional da Padroeira do Brasil, contemplamos a figura terna da Virgem Mãe Aparecida. Em Maria dá-se a máxima realização da existência cristã, como um viver trinitário. Ela é a discípula mais perfeita do Senhor e a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários. Ela nos inspira e nos encoraja em nossa caminhada de discípulos e missionários de seu Filho Jesus.

A Eucaristia que estamos celebrando seja oportunidade privilegiada de encontro com Jesus Cristo. Neste Sacramento, Jesus nos atrai a si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Em cada Eucaristia, celebramos e assumimos o mistério pascal. Portanto, devemos viver nossa fé na centralidade do mistério pascal de Cristo, de maneira que toda a nossa vida seja cada vez mais eucarística. A Eucaristia, fonte inesgotável de nossa vocação, seja, ao mesmo tempo, fonte inextinguível da caridade pastoral e do impulso missionário (cf. DAp 251). E assim, “quando aparecer o pastor supremo, possamos receber a coroa permanente da glória” (cf. 1Pd 5,4). Amém!

A CAMINHO DO 13o. ENCONTRO NACIONAL DE PRESBÍTEROS
4/2/2010
 



Itaici, município de Indaiatuba (SP) está sediando, de 3 a 9 de fevereiro, o 13º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP). O encontro, que acontece a cada dois anos, esta reunindo este ano aproximadamente 400 padres de todo o Brasil.

2010 é um ano especial para o encontro, isso porque será comemorado os 25 anos do ENP. Para celebrar a data, os organizadores do encontro escolheram o tema “ENPs, 25 anos celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral” e o lema “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a).

O assessor da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, da CNBB, padre Reginaldo de Lima antecipou o que será tratado na 13ª edição do ENP. “Durante o encontro os presbíteros vão recordar os temas que foram estudados e refletidos ao longo destes 25 anos. Os chamados temas transversais serão acompanhados de reflexão sobre o presbítero elementar, ou seja, diante de inúmeras atividades, o que é realmente elementar na figura do presbítero, para que ele exerça seu ministério na ‘Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”’.
O assessor também comentou o tema central do ENP. “O ponto central deste 13° Encontro Nacional de Presbíteros é o Ano Sacerdotal. Assim refletiremos como aprofundar ainda mais a espiritualidade dos presbíteros em todo o país. Também serve para articular, trocar experiências e idéias entre si, mostrando a singularidade e ao mesmo tempo a pluralidade de cada diocese ali representada por seus delegados. Ao final do encontro, é característico o envio de uma carta aberta aos presbíteros”, sublinhou.

Durante o 13º ENP o cardeal arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Cardeal Scherer orientará um retiro e os presbíteros farão uma peregrinação ao Santuário de Aparecida, no dia 6 de fevereiro. No mesmo dia, o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, presidirá uma missa às 9h. Para essa concelebração são convidados todos os presbíteros, de modo especial os das dioceses mais próximas de Aparecida.

O ENP

Sua primeira edição aconteceu em 1985. O ENP foi criado a partir de um anseio dos presbíteros em terem um espaço de reflexão, oração e troca de experiências. Os quatro primeiros Encontros Nacionais de Presbíteros [de 1985 a 1992] giraram em torno do tema da pessoa do presbítero, olhando para o aspecto da sua vida e do seu ministério. Do quinto ao décimo [de 1994 a 2004] a temática girou em torno da missão do presbítero em relação ao mundo, com temas como: O presbítero e a globalização; O presbítero e a ação missionária; Presbítero: pessoa e missão, entre outros. Nos último dois eventos retomou-se, novamente, a atenção para a vida e o ministério dos presbíteros.

DOZE CONSELHOS PARA TER UM INFARTO FELIZ!!!!
23/1/2010
 






Esses conselhos são do Dr. Ernesto Artur - Cardiologista. Diz ele que quando publicou estes conselhos amigos-da-onça em seu site, recebeu uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.


1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.


2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.


3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.


4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.


5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias,
conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.


6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.


7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal,ISSO É BESTEIRA. Tempo é dinheiro.


8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro enferruja!!...rs)


9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo. Afinal, você é insubistituível!


10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego está faltando, surge aquela dor de estômago, a cabeça não anda bem. Simples, tome logo estimulantes, energéticos e antiácidos. Eles vão te deixar tinindo, novinho em folha.


11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.


12. E, por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita sempre para si: Eu não perco tempo com bobagens!

OS ATAQUES DE CORAÇÃO
Uma nota importante sobre os ataques cardíacos.

Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço
esquerdo/direito. Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.

Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.

Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e
engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ataque cardíaco e que tomou 2 Aspirinas.

Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro.
NÃO SE DEITE !!!!

UNIDADE E PLURALIDADE DAS RELIGIÕES: O LUGAR DA FÉ CRISTÃ NA HISTÓRIA DAS RELIGIÕES
22/1/2010
 



(continuação...)
4. A Declaração Nostra aetate do concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, votada em 1965, teve uma origem meramente ocasional, apesar da importância que posteriormente lhe foi reconhecida. Só algumas décadas depois a discussão desceu à praça pública. Sintomáticos dessa generalização são: o texto elaborado pela Comissão Teológica Internacional sobre “O Cristianismo e as Religiões”, de 1997, e o documento que o Cardeal Ratzinger assinou na sua qualidade de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, com o título Declaração Dominus Iesus, sobre a unicidade e universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja, a qual foi aprovada na Sessão Plenária da Congregação e ratificada pelo Papa João Paulo II, em 2000.

5. Cardeal Ratzinger, discorda e amplia a discussão levantada pelo grande teólogo Karl Rahner, ao afirmar que cada povo e cada universo cultural se torna um momento interno de cada outro povo e cada outro universo cultural., assim também cada religião do mundo se torna uma questão e uma possibilidade oferecida para cada outro homem. Rahner resume seu pensamento com um conceito: o cristão anônimo , ou seja, aquele que ainda não é cristão, i.é., o não-cristão, deve ser considerado como um cristão que ainda não chegou reflexivamente a si. Na verdade , o que Rahner estava preocupado era com a salvação dos não-cristãos. Entra aqui três orientações básicas nos assuntos cristandade e religiões universais: exclusivismo, inclusivismo, pluralismo.

6. Segundo Bento XVI, a qualificação teológica das religiões precisaria ser precedida de uma análise fenomenológica que não decidisse sobre o valor perene das religiões, cabendo esse papel ao Juiz e Senhor da história. Não se deveria discutir sobre “religiões” como uma massa, mas reconhecer tipos básicos e como esses tipos se relacionam entre si e se há a possibilidade de chegar a alternativas filosóficas e teológicas.

7. Não é desejo do autor discutir uma espécie de “Teologia na História das Religiões”, mas o intuito é realizar um pré-estudo para determinar mais exatamente a posição do cristianismo na História das Religiões e dar novamente um sentido concreto às afirmações teológicas sobre o caráter único e absoluto do cristianismo, e assim apresentar novamente seu conteúdo teológico com base no seu significado concreto.

POSIÇÃO DO PROBLEMA

8. Quando o papa posiciona o problema, ele afirma que a posição que o cristianismo ocupava, na história das religiões, é a posição que ele mesmo se deu e que foi formulada basicamente há muito tempo: a fé cristã vê em Jesus Cristo a única – e, portanto, definitiva – salvação da pessoa humana.

9. Atualmente, predomina uma opinião, cada vez mais forte, de que todas as religiões são e dizem a mesma coisa. No intuito de fazer frente à pretensão de verdade de uma determinada religião, o homem contemporâneo afirma: “há muitas religiões!”, querendo, com isso, dizer que elas são em princípio iguais, cada uma com a sua forma. Ao ocupar-se com o “futuro da Religião” – na qual o cristianismo faz parte, teólogos sentem-se impelidos a continuar procurando e pesquisando dentro da história das religiões o lugar do cristianismo.

O LUGAR DO CRISTIANISMO NA HISTÓRIA DAS RELIGIÕES

10. Da impressão de uma completa pluralidade – representando um primeiro estágio da consideração –, vai surgindo, em um segundo estágio, a impressão de uma identidade suprema. A moderna filosofia da religião afirma que pode até fornecer o fundamento dessa identidade oculta. Nesta sua concepção, toda religião existente, se é “verdadeira”, parte de uma forma de experiência interior do divino, em uma íntima união com o que sempre experimentam os místicos de todos os tempos. Considerando dessa forma, toda religião teria como base a experiência dos místicos, alcançada em contato direto com o divino e daí em parte comunicada aos muitos que não são capazes dessas experiências. Portanto, somente duas formas de religião seriam possíveis na humanidade:

• a forma direta da mística, como religião “de primeira mão”, e, depois,

• a forma indireta de conhecimento apenas “emprestado” pelo místico, ou seja, a forma da fé, que seria uma religião de “segunda mão”.

Isto quer dizer que a religião formulada e articulada de muitos seria, então, religião de segunda mão, como simples participação numa experiência mística em si informe, traduzida em múltiplas formas verbais permutáveis. Ora, no cristianismo, somente Deus é de “primeira mão” e todos os homens, sem exceção, são ouvintes de “segunda mão” do chamado divino.

11. Diante da História das Religiões encontra-se alguns estágios. O primeiro estágio está ligado ao estudo das religiões míticas. Esse estágio forma o preâmbulo da História das Religiões. Quando o mito - como mera forma simbólica - perde seu caráter ilusório, é então estabelecida a absolutez da vivencia mística inefável. A mística aqui revela-se conservadora de mitos.

12. A segunda forma é a revolução monoteísta, na qual Israel é a expressão máxima. Ao se rejeitar o mito como qualidade humana, afrma-se a absolutez do chamado divino, muito claro no discurso dos profetas.

13. O Iluminismo é o terceiro estágio. Há uma absolutez do conhecimento racional. A religião tornou-se sem significado, ou manteve com sua função formal, mas tendo em vista a orientação da Polis. Como exemplo temos a Grécia. Esse terceiro caminho foi assumido com total força na Idade Moderna, e nos tempos atuais. Na verdade, não há um caminho de reflexão para o interior da História das Religiões, mas sim, seu término, tratando as religiões como coisa ultrapassada.

14. Resumindo: comprovamos que não existe uma identidade geral das religiões, como tão pouco uma pluralidade desprovida de referência.

15. O autor afirma que o caráter absoluto não é somente uma particularidade do caminho “monoteísta” , ele serve a todos os três caminhos nos quais o homem abandonou o mito.

(Autor da síntese: padre Eduardo Malaspina)



O CRISTIANISMO E AS GRANDES RELIGIÕES DO MUNDO
21/1/2010
 






Caro internauta, poucos meses antes de se tornar papa, o Cardeal Joseph Ratzinger colocou no livro Fé, Verdade, Tolerância, o seu pensamento sobre tudo quanto se refere ao fenômeno religioso: a origem e a diversidade das religiões, as três religiões monoteístas e suas relações intrínsecas, a existência de uma religião verdadeira e a pretensão à universalidade da religião cristã. Estes e outros temas são examinados com a profundidade que caracteriza o teólogo alemão. Responde às perguntas que obrigatoriamente se colocam as pessoas que gostam de transcender os condicionamentos próprios das sociedades consumistas e tecnicistas. Pela leitura (um pouco densa, é claro) o leitor tem respostas às perguntas mais básicas que os seres humanos sempre se colocaram e que retornam com especial força no século XXI.
Como podemos salvar-nos?
O que é religião?
Como se originam as religiões?
São todas elas verdadeiras?
Quais suas relações com a cultura?
O que se entende por diálogo inter-religioso?

O papa não fala só para um bilhão e meio de católicos, mas para todos. Segue uma sintese do primeiro capítulo, Unidade e Pluralidade das Religiões. O lugar da Fé Cristã na História das Religiões. (Peço as devidas desculpas ao internauta, porque algumas vezes o Papa Bento XVI no texto que segue é chamado de Cardeal)

CONTEXTUALIZAÇÃO
1. Joseph Ratzinger foi um teólogo que desde o início da sua atividade docente no âmbito da Teologia Fundamental, em 1958, primeiro no Instituto Superior de Filosofia e Teologia de Freising e a seguir na Faculdade de Teologia da Universidade de Bona, se dedicou ao estudo das grandes religiões do mundo. Até 1963 lecionou nomeadamente Filosofia das Religiões e História das Religiões. Mas nessa altura tratava-se mais de questões acadêmicas.
2. O papa, já no prefácio, constata a importância do estudo deste tema – o encontro entre as religiões e as culturas – numa realidade que mostra um mundo cada vez menor. E o interesse do tema não é apenas da teologia. Antes, porém, da questão da compatibilidade das culturas e da liberdade das religiões, a principal questão é a das próprias religiões, ou seja, do modo como umas se situam em relação às outras e podem contribuir para a educação da humanidade na paz. Diante dessa problemática, o cristianismo, sem dúvida, vê-se num desafio particular, considerando que, de acordo com a sua origem e essência, “manifestou a pretensão de conhecer e anunciar o Deus verdadeiro, o único salvador de todos os homens: ‘Não há salvação em nenhuma outro Nome, porque aos homens não nos foi dado sob o céu nenhum outro nome pelo qual devêssemos ser salvos’, disse Pedro aos chefes e anciãos do povo de Israel (At 4,12)” [p. 13].
3. Podemos, porém, afirmar que essa exigência de uma pretensão absoluta é hoje defensável? Como essa exigência pode ser compreendida, diante da busca da liberdade das religiões e culturas? Quando foi publicada a declaração Dominus Iesus “Sobre a Singularidade e Universalidade Salvífica de Jesus Cristo e da Igreja”, em 2000, pela Congregação para a Doutrina da Fé, afirma o papa, “houve uma gritaria de indignação da sociedade moderna ocidental e também das grandes culturas não cristãs. Tratar-se-ia de um documento da intolerância e de uma arrogância religiosa que não mais deveria ter lugar no mundo moderno. O cristão católico poderia, apenas, com toda humildade, fazer a pergunta que Martin Buber certa vez formulara a um ateu: Mas e se isso for verdade? Assim, a verdadeira problemática por trás de todas as questões individuais está na questão da verdade. Pode a verdade ser conhecida? Ou a questão da verdade, no que se refere à religião e à fé, é simplesmente improcedente? Mas, então, o que significa a fé e o que significa positivamente a religião, se não devem relacionar com a verdade?” [p. 13-14].
Padre Eduardo Malaspina

AS CAMPANHAS DA PASTORAL DA CRIANÇA PARTE 5
19/1/2010
 






Campanhas

A Pastoral da Criança realiza e colabora em várias campanhas para melhorar a qualidade de vida das mulheres grávidas, famílias e crianças. Estes são alguns exemplos:



a. Campanhas de sais de reidratação oral

b. Campanha de Certidão de Nascimento: a falta de informação, a distância dos escritórios e a burocracia fazem com que as pessoas fiquem sem uma certidão de nascimento. A mobilização nacional para o registro civil de nascimento, que une o Estado brasileiro e a sociedade, [busca] garantir a cada cidadão de pleno direito o nome e os direitos.

c. Campanha para promover o aleitamento materno: o leite materno é um alimento perfeito que Deus colocou à disposição nos primeiros anos de vida. Permanentemente, a Pastoral da Criança promove o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e, em seguida, continuar, com outros alimentos. Isso protege contra doenças, desenvolve melhor e fortalece a criança.

d. Campanha de prevenção da tuberculose, pneumonia e hanseníase: as três doenças continuam a afetar muitas crianças e adultos em nosso país. A Pastoral da Criança prepara materiais específicos de comunicação para educar o público sobre sintomas, tratamento e meios de prevenção destas doenças.

e. Campanha de Saneamento: o acesso à água potável e o tratamento de águas residuais contribuem para a redução da mortalidade infantil. A Pastoral da Criança, em colaboração com outros organismos, mobiliza a comunidade para a demanda por tais serviços a governos locais e usa os meios ao seu dispor para divulgar informações relacionadas ao saneamento.

f. Campanha de HIV/Aids e Sífilis: o teste do HIV/Aids e sífilis durante o pré-natal permite a redução de 25% para 1% do risco de transmissão para o bebê. A Pastoral da Criança apoia a campanha nacional para o diagnóstico precoce destas doenças.

g. Campanha para a Prevenção da morte súbita de bebês “Dormir de barriga para cima é mais seguro”: Com a finalidade de alertar sobre os riscos e evitar até 70% das mortes súbitas na infância, a Pastoral da Criança lançou esta grande campanha dirigida às famílias para que coloquem seus bebês para dormir de barriga para cima.

h. Campanha de Prevenção do Abuso Infantil: Com esta campanha, a Pastoral da Criança esclarece as famílias e a sociedade sobre a importância da prevenção da violência, espancamentos e abuso sexual. Esta campanha inclui a distribuição de folheto com os dez mandamentos para a paz na família, como um incentivo para manter as crianças em uma atmosfera de paz e harmonia.

i. Campanha - 20 de novembro, dia de oração e de ação para as crianças: A Pastoral da Criança participa dos esforços globais para a assistência integral e proteção a crianças e adolescentes, em colaboração com a Rede Mundial de Religiões para a Infância (GNRC).



Em dezembro de 2009, completei 50 anos como médica e, antes de 2002, confesso que nunca tinha ouvido falar em qualquer programa da Unicef ou da Organização Mundial de Saúde (OMS), ou de outra agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que estimulasse a espiritualidade como um componente do desenvolvimento pessoal. Como um dos membros da delegação do Brasil na Assembleia das Nações Unidas em 2002, que reuniu 186 países, em favor da infância, tive a satisfação de ouvir a definição final sobre o desenvolvimento da criança, que inclui o seu “desenvolvimento físico, social, mental, espiritual e cognitivo”. Este foi um avanço, e vem ao encontro do processo de formação e comunicação que fazemos na Pastoral da Criança. Neste processo, vê-se a pessoa de maneira completa e integrada em sua relação pessoal com o próximo, com o ambiente e com Deus.

Estou convencida de que a solução da maioria dos problemas sociais está relacionada com a redução urgente das desigualdades sociais, com a eliminação da corrupção, a promoção da justiça social, o acesso à saúde e à educação de qualidade, ajuda mútua financeira e técnica entre as nações, para a preservação e restauração do meio ambiente. Como destaca o recente documento do papa Bento 16, “Caritas in veritate” (Caridade na verdade), “a natureza é um dom de Deus, e precisa ser usada com responsabilidade.” O mundo está despertando para os sinais do aquecimento global, que se manifesta nos desastres naturais, mais intensos e frequentes. A grande crise econômica demonstrou a inter-relação entre os países.

Para não sucumbir, exige-se uma solidariedade entre as nações. É a solidariedade e a fraternidade aquilo de que o mundo precisa mais para sobreviver e encontrar o caminho da paz.



Final

Desde a sua fundação, a Pastoral da Criança investe na formação dos voluntários e no acompanhamento de crianças e mulheres grávidas, na família e na comunidade. Atualmente, existem 1.985.347 crianças, 108.342 mulheres grávidas de 1.553.717 famílias. Sua metodologia comunitária e seus resultados, assim como sua participação na promoção de políticas públicas com a presença em Conselhos de Saúde, Direitos da Criança e do Adolescente e em outros conselhos levaram a mudanças profundas no país, melhorando os indicadores sociais e econômicos. Os resultados do trabalho voluntário, com a mística do amor a Deus e ao próximo, em linha com nossa mãe terra, que a todos deve alimentar, nossos irmãos, os frutos e as flores, nossos rios, lagos, mares, florestas e animais. Tudo isso nos mostra como a sociedade organizada pode ser protagonista de sua transformação. Neste espírito, ao fortalecer os laços que ligam a comunidade, podemos encontrar as soluções para os graves problemas sociais que afetam as famílias pobres.

Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, deveríamos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.

Muito Obrigada!

Que Deus esteja convosco!

Dra. Zilda Arns Neumann

Médica pediatra e especialista em Saúde Pública

Fundadora e Coordenadora da Pastoral da Criança Internacional

Coordenadora Nacional da Pastoral da Pessoa Idosa


OS MATERIAIS DA PASTORAL DA CRIANÇA - PARTE 4
18/1/2010
 






Materiais impressos

O material impresso foi concebido especificamente para ajudar a formação do líder da Pastoral da Criança. Os instrutores e os multiplicadores servem como ferramenta de trabalho na tarefa de guiar as famílias e comunidades sobre questões de saúde, nutrição, educação e cidadania. Além do Guia da Pastoral da Criança, se colocou em marcha publicações como o Manual do Facilitador, Brinquedos e Jogos, Comida e as Hortas Familiares, alfabetização de jovens e adultos e mobilização social.

O jornal da Pastoral da Criança, com tiragem mensal de cerca de 280 mil — ou seja 3 milhões e 300 mil exemplares por ano — chega a todos os líderes da Pastoral da Criança. É uma ferramenta para a formação continua.

O Boletim Dicas abarca questões relacionadas com a saúde e a educação para cidadania. Este especialmente concebido para os coordenadores e capacitadores da Pastoral da Criança. Cada publicação chega a 7.000 coordenadores.

Para ajudar na vigilância das mulheres grávidas, a Pastoral da Criança criou os laços de amor, cartões com conselhos sobre a gravidez e um partos saudável.

Outros materiais impressos de grande impacto social é o folheto com os 10 mandamentos para a Paz na Família, 12 milhões de folhetos foram distribuídos nos últimos anos.

Além desses materiais impressos, se envia para as comunidades da Pastoral da Criança material para o trabalho de pesagem das crianças, objetos como balanças e também colheres de medir para a reidratarão oral e sacos de brinquedos para as crianças brincarem no dia da celebração da vida.

Material de som e vídeo

Outra área em que a Pastoral da Criança produz materiais é de som e a produção de filmes educativos. O Show ao vivo da Rádio da Vida, produzido e gravado no estúdio da Pastoral da Criança, chega a milhões de ouvintes em todo Brasil. Com os temas de saúde, de educação na primeira infância e a transformação social, o programa de rádio Viva a Vida se transmite semanalmente 3.740 vezes. Estamos “no ar”, de 2.310 horas semanais em todo Brasil. Além disso, o Programa Viva a Vida também se executa em vários tipos de sistemas de som de CD e aparados nas reuniões de grupo.

A Pastoral da Criança também produz filmes educativos para melhorar e dar conhecimento de seu trabalho nas bases. Atualmente há 12 títulos produzidos que sem ocupam na prevenção da violência contra as crianças, comida saudável, na gravidez, e na participação dos Conselhos Municipais de Saúde, na preservação da AIDS e outros.




A IGREJA, QUE SOMOS TODOS NÓS, QUE DEVÍAMOS FAZER?PARTE 3
17/1/2010
 






(Palavras da Dra. Zilda Arns)

Tive a seguridade de seguir a metodologia de Jesus: organizara as pessoas em pequenas comunidades; identificar líderes, famílias com grávidas e crianças menores de seis anos. Os líderes que se dispusessem a trabalhar voluntariamente nessa missão de salvar vidas, seriam capacitados, no espírito da fé e vida, e preparados técnica e cientificamente, em ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. Seriam acompanhados em seu trabalho para que não se desanimassem. Teriam a missão de compartilhar com as famílias a solidariedade fraterna, o amor, os conhecimentos sobre os cuidados com as grávidas e as crianças, para que estes sejam saudáveis e felizes. Assim como Jesus ordenou que considerassem se todos estavam saciados, tínhamos que implantar um sistema de informações, com alguns indicadores de fácil compressão, inclusive para líderes analfabetos ou de baixa escolaridade. E vi diante de mim muitos gestos de sabedoria e amor apreendidos com o povo.

Senti que ali estava a metodologia comunitária, pois podia se desenvolver em grande escala pelas dioceses, paróquias e comunidades. Não somente para salvar vidas de crianças, mas também para construir um mundo mais justo e fraterno. Seria a missão do “Bom Pastor”, que estão atentos a todas as ovelhas, mas dando prioridade àquelas que mais necessitam. Os pobres e os excluídos.

Naquela maravilhosa noite, desenhei no papel uma comunidade pobre, onde identifique famílias com grávidas e filhos menores de seis anos e lideres comunitários, tanto católicos como de outras confissões e culturas, para levar adiante ações de maneira ecumênica, pois Jesus veio par que “todos tenham Vida e Vida em abundância” (João 10,10). Isto é o que precisa ser feito aqui no Haiti: fazer um mapa das comunidades pobres, identificar as crianças menores de 6 anos e suas famílias e lideres comunitários que desejam trabalhar voluntariamente.

Desde a primeira experiência, a Pastoral da Criança cultivou a metodologia de Jesus, que é aplicada em grande escala. No Brasil, em mais de 40 mil comunidades, de 7.000 paróquias de todas as 272 diocese e prelazias. Está se estendendo a 20 países. Estes são, na América Latina e no Caribe: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Uruguai, Peru, Venezuela, Guatemala, Panamá, República Dominicana, Haiti, Honduras, Costa Rica e México; na África: Angola, Guiné-Bissau, Guiné Conakry e Moçambique, e na Ásia: Filipinas e Timor Leste.

Para organizar melhor e compartilhar as informações e a solidariedade fraterna entre as mães e famílias vizinhas, as ações se baseiam em três estratégias de educação e comunicação: individual, de grupo e de massas. A Pastoral da Criança utiliza simultaneamente as três formas de comunicação para reforçar a mensagem, motivar e promover mudanças de conduta, fortalecendo as famílias com informações sobre como cuidar dos filhos, promovendo a solidariedade fraterna.

A educação e comunicação individual se fazem através da “Visita Domiciliar Mensal nas famílias” com grávidas e filhos. Os líderes acompanham as famílias vizinhas nas comunidades mais pobres, nas áreas urbanas e rurais, nas aldeias indígenas e nos quilombos, e nas áreas ribeirinhas do Amazonas. Atravessam rios e mares, sobem e descem montes de encostas íngremes, caminham léguas, para ouvir os clamores das mães e famílias, para educar e fortalecer a paz, a fé e os conhecimentos. Trocam ideias sobre saúde e educação das crianças e das grávidas; ensinam e aprendem.

Com muita confiança e ternura, fortalecem o tecido social das comunidade, o que leva a inclusão social.

Motivados pela Campanha Mundial patrocinadas pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 1999, com o tema “Uma vida sem violência é um direito nosso”, a Pastoral da Criança incorporou uma ação permanente de prevenção da violência com o lema “A Paz começa em casa”. Utilizou como uma das estratégias de comunicação a distribuição de seis milhões de folhetos com “10 Mandamentos para alcançar a paz na família”, debatíamos nas comunidades e nas escolas, do norte ao sul do país.

As visitas, entre tantas outras ações, servem para promover a amamentação materna, uma escola de dialogo e compartilhar, principalmente quando se dá como alimento exclusivo até os seis meses e se continua dando como alimento preferencial além do um ano, inclusive além dos dois anos, complementarmente com outros alimentos saudáveis. A sucção adapta os músculos e ossos para uma boa dicção, uma melhor respiração e uma arcada dentária mais saudável. O carinho da mãe acariciando a cabeça do bebe melhora a conexão dos neurônios. A psicomotricidade da criança que mama no peito é mais avançada. Tanto é assim que se senta, anda e fala mais rápido, aprende melhor na escola. É fator essencial para o desenvolvimento afetivo e proteção da saúde dos bebês, para toda a vida. A solidariedade desponta, promovida pelas horas de contato direto com a mãe. Durante a visita domiciliar, a educação das mulheres e de seus familiares eleva a autoestima, estimula os cuidados pessoais e os cuidados com as crianças. Com esta educação das famílias se promove a inclusão social.

A educação e a comunicação grupal têm lugar cada em cada mês em milhares de comunidades. Esse é o Dia da Celebração da Vida. Momento dedicado ao fortalecimento da fé e da amizade entre famílias. Além do controle nutricional, estão os brinquedos e as brincadeiras com as crianças e a orientação sobre a cidadania. Neste dia as mães compartilham práticas de aproveitamento adequado de alimentos da região de baixo custo e alto valor nutritivo. As frutas, folhas verdes, sementes e talos, que muitas vezes não são valorizados pelas famílias.

Outra oportunidade de formação de grupo é a Reunião Mensal de Reflexão e Evolução dos líderes da comunidade. O objetivo principal desta reunião é discutir e estabelecer soluções para os problemas encontrados.

Essas ações integram o sistema de informação da Pastoral da Criança para poder acompanhar os esforços realizados e seus resultados através de Indicadores. A desnutrição foi controlada. De mais de 50% de desnutridos no começo, hoje está em 3,1%. A mortalidade infantil foi drasticamente reduzida e hoje está em 13 mortos por mil nascidos vivos nas comunidades com Pastoral da Criança. O índice nacional é 2,33, mas se sabe que as mortes em comunidades pobres, onde estão a Pastoral da Criança, é maior que é na média geral. Em 1982, a mortalidade infantil no Brasil foi 82,8 por mil nascidos vivos. Estes resultados têm servido de base para conquistar entidades, como o Ministério da Saúde, Unicef, Banco HSBC, e outras empresas. Elas nos apoiam nas capacitações e em todas as atividades básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania. O custo criança/mês é de menos de US$ 1.

Em relação à educação e à comunicação de massas apresentará três experiências concretas de como a comunicação é um instrumento de defesa dos direitos da infância.




UM POUCO DA HISTÓRIA DE ZILDA ARNS - PARTE 2
16/1/2010
 

Dom Paulo Evaristo Arns




Um pouco de história da Dra. Zilda Arns

Sou a 12ª de 13 irmãos, cinco deles são religiosos. Três irmãs religiosas e dois sacerdotes franciscanos. Um deles é D. Paulo Evaristo, o Cardel Arns, Arcebispo emérito de São Paulo, conhecido por sua luta em favor dos direitos humanos, principalmente durante os vinte anos da ditadura militar do Brasil.

Em maio de 1982, ao voltar de uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, D. Paulo me chamou pelo telefone à noite. Naquela reunião, James Grant, então diretor executivo da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), falou com insistência sobre o soro oral. Considerado como o maior avanço da medicina no século passado, esse soro era capaz de salvar da morte milhões de crianças que poderiam morrer por desidratação devido a diarreia, uma das principais causas da mortalidade infantil no Brasil e no mundo. James Grant conseguiu convencer a D. Paulo para que motivasse a Igreja Católica a ensinar as mães a preparar e administrar o soro oral. Isto podia salvar milhares de vidas.

Viúva fazia cinco anos, eu estava, naquela noite histórica, reunida com os cinco filhos, entre os nove e dezenove anos, quando recebi a chamada telefônica do meu irmão D. Paulo. Ele me contou o que havia passado e me pediu para refletir sobre ele. Como tornar realidade a proposta da Igreja de ajudar a reduzir a morte das crianças? Eu me senti feliz diante deste novo desafio. Era o que mais desejava: educar as mães e famílias para que soubessem cuidar melhor de seus filhos!

Creio que Deus, de certo modo, havia me preparado para esta missão. Baseada na minha experiência como médica pediatra e especialista em saúde pública e nos muitos anos de direção dos serviços públicos de saúde materna-infantil, compreendi que, além de melhorar a qualidade dos serviços públicos e facilitar às mães e crianças o acesso a eles, o que mais falta fazia às mães pobres era o conhecimento e a solidariedade fraterna, para que pudessem colocar em prática algumas medidas básicas simples e capazes de salvar seus filhos da desnutrição e da morte, como por exemplo a educação alimentar e nutricional para as grávidas e seus filhos, a amamentação materna, as vacinas, o soro caseiro, o controle nutricional, além dos conhecimentos sobre sinais e sintomas de algumas doenças respiratórias e como as prevenir.

Me vem à mente então a metodologia que utilizou Jesus para saciar a fome de 5.000 homens, sem contar as mulheres e as crianças. Era noite e tinham fome. Os discípulos disseram a Jesus que o melhor era que deixassem suas casa, mas Jesus ordenou: “Dai-lhes vós de comer”. O apóstolo Felipe disse a Jesus que não tinham dinheiro para comprar comida para tanta gente. André, irmão de Simão, sinalou a uma criança que tinha dois peixes e cinco pães. E Jesus mandou que se sentassem em grupos de cinquenta a cem pessoas (em pequenas comunidades). Então pensei: “Por que morrem milhões de crianças por motivos que podem facilmente ser prevenidos? O que faz com que eles se tornem criminosos e violentos na adolescência?”

Recordei o inicio da minha carreira, quando me desafiei a querer diminuir a mortalidade infantil e a desnutrição. Vieram a minha mente milhares de mães que trocaram o leite materno pela mamadeira diluída em água suja. Outras mães que não vacinam seus filhos, quando não havia ainda cesta básica no Centro de Saúde. Outras mães que limpavam o nariz de todos os seus filhos com o mesmo pano, ou pegavam seus filhos e os humilhavam quando faziam xixi na cama. E, ainda mais triste, quando o pai chegava em casa bêbado. Ao ouvir o grito de fome e carinho de seus filhos, os venciam mesmo quando eram muito pequenos. Sabe-se, segundo resultados de pesquisas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cuja publicação acompanhei em 1994, que as crianças maltratadas antes de um ano de idade têm uma tendência significativa para violência, e com frequência fazem crimes antes dos 25 anos.


ÚLTIMO DISCURSO DE ZILDA ARNS - PARTE 1
15/1/2010
 



Caro Internauta, a Dra. Zilda Arns fazia o discurso abaixo, no Haiti, quando o lugar em que estava desabou pelo terremoto. Ela não resistiu.
Aqui, suas últimas palavras; um belo exemplo de testemunho cristão. À Dra. Zilda e a tantos mortos na tragédia haitiana, o Senhor conceda salvação e vida eterna.


Agradeço o honroso convite que me foi feito. Quero manifestar minha grande alegria por estar aqui com todos vocês em Porto Príncipe, Haiti, para participar da assembleia de religiosos.

Como irmã de dois franciscanos e de três irmãs da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora, estou muito feliz entre todos vocês. Dou graças a Deus por este momento.

Na realidade, todos nós estamos aqui, neste encontro, porque sentimos dentro de nós um forte chamado para difundir ao mundo a boa notícia de Jesus. A boa notícia, transformada em ações concretas, é luz e esperança na conquista da paz nas famílias e nas nações. A construção da paz começa no coração das pessoas e tem seu fundamento no amor, que tem suas raízes na gestação e na primeira infância, e se transforma em fraternidade e responsabilidade social.

A paz é uma conquista coletiva. Tem lugar quando encorajamos as pessoas, quando promovemos os valores culturais e éticos, as atitudes e práticas da busca do bem comum, que aprendemos com nosso mestre Jesus: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10).

Espera-se que os agentes sociais continuem, além das referências éticas e morais de nossa Igreja, a ser como ela, mestres em orientar as famílias e comunidades, especialmente na área da saúde, educação e direitos humanos. Deste modo, podemos formar a massa crítica das comunidades cristãs e de outras religiões em favor da proteção da criança desde a concepção, e mais excepcionalmente até os seis anos, e do adolescente. Devemos nos esforçar para que nossos legisladores elaborem leis e os governos executem políticas públicas que incentivem a qualidade da educação integral das crianças e saúde, como prioridade absoluta.

O povo seguiu Jesus porque ele tinha palavras de esperança. Assim, nós somos chamados para anunciar as experiências positivas e os caminhos que levam as comunidades, famílias e pais a serem mais justos e fraternos.

Como discípulos e missionários, convidados a evangelizar, sabemos que força propulsora da transformação social está na prática do maior de todos os mandamentos da Lei de Deus: o amor, expressado na solidariedade fraterna, capaz de mover montanhas: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos” significa trabalhar pela inclusão social, fruto da Justiça; significa não ter preconceitos, aplicar nossos melhores talentos em favor da vida plena, prioritariamente daqueles que mais necessitam. Somar esforços para alcançar os objetivos, servir com humildade e misericórdia, sem perder a própria identidade. Todo esse caminho necessita de comunicação constante para iluminar, animar, fortalecer e democratizar nossa missão de fé e vida. Cremos que esta transformação social exige um investimento máximo de esforços para o desenvolvimento integral das crianças. Este desenvolvimento começa quanto a criança se encontra ainda no ventre sagrado da sua mãe. As crianças, quando estão bem cuidadas, são sementes de paz e esperança. Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças.

Não é por nada que disse Jesus: “… se vocês não ficarem iguais a estas crianças, não entrarão no Reino dos Céus” (Mt 18,3). E “deixem que as crianças venham a mim, pois deles é o Reino dos Céus” (Lc 18, 16).

Hoje vou compartilhar com vocês uma verdadeira história de amor e inspiração divina, um sonho que se fez realidade. Como ocorreu com os discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), “Jesus caminhava todo o tempo com eles. Ele foi reconhecido a partir do pão, símbolo da vida.” Em outra passagem, quando o barco no Mar da Galileia estava prestes a afundar sob violentas ondas, ali estava Jesus com eles, para acalmar a tormenta. (Mc 4, 35-41).

Com alegria vou contar o que “eu vi e o que tenho testemunhado” a mais de 26 anos desde a fundação da Pastoral da Criança, em setembro de 1983.

Aquilo que era uma semente, que começou na cidade de Florestópolis, Estado do Paraná, no Brasil, se converteu no Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presente em 42 mil comunidades pobres e nas 7.000 paróquias de todas as Dioceses da Brasil.

Por força da solidariedade fraterna, uma rede de 260 mil voluntários, dos quais 141 mil são líderes que vivem em comunidades pobres, 92% são mulheres, e participam permanentemente da construção de um mundo melhor, mais justo e mais fraterno, em serviço da vida e da esperança. Cada voluntário dedica em média 24 horas ao mês a esta missão transformadora de educar as mães e famílias pobres, compartilhar o pão da fraternidade e gerar conhecimentos para a transformação social.

O objetivo da Pastoral da Criança é reduzir as causas da desnutrição e a mortalidade infantil, promover o desenvolvimento integral das crianças, desde sua concepção até o seis anos de idade. A primeira infância é uma etapa decisiva para a saúde, a educação, a consolidação dos valores culturais, o cultivo da fé e da cidadania com profundas repercussões por toda a vida.




ESCLARECIMENTOS SOBRE O CÓDIGO DA VINCI
5/1/2010
 

Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo




A Rede Globo apresentou nessa segunda – dia 4.01.2010 – o filme “O Código da Vinci”. Para quem não pode assistir no cinema ou em DVD, precisou ter a coragem de se manter acordado até a uma da manhã. Quando foi lançado o livro e depois o filme a CNBB na pessoa do Cardeal Geraldo Majella Agnelo, na ocasião Presidente da CNBB e Arcebispo de São Salvador da Bahia - emitiu uma carta para todos aqueles que buscavam e buscam um posicionamento da Igreja Católica. Essa carta data do dia 25 de maio de 2006, mas continua muito atual. Caro internauta, boa leitura!

A palavra da CNBB

A difusão do livro "O Código Da Vinci", de Dan Brown, e do filme baseado sobre a obra, tem suscitado em muitas pessoas perplexidades, dúvidas e confusão a respeito de algumas verdades fundamentais da fé cristã referentes a Jesus Cristo e à Igreja.
A CNBB, consciente de sua responsabilidade em relação à defesa da verdadeira fé da Igreja, vem a público para prestar alguns esclarecimentos.
Não devemos esquecer que a obra em questão é de ficção e não retrata a história de Jesus, nem da Igreja. Não se pode atribuir verdade às afirmações claras ou veladas do autor. O que é fantasia deve ser lido e entendido como fantasia. As únicas fontes dignas de fé sobre a vida de Jesus e o início da Igreja são os textos do Novo Testamento, da Bíblia. A história da Igreja, depois dos apóstolos, está retratada em obras de caráter histórico, cujas afirmações são respaldadas pelo rigor do método histórico.
Alertamos, portanto, que a obra, no seu gênero fantasioso, apresenta uma imagem profundamente distorcida de Jesus Cristo, que está em contraste com as pesquisas e afirmações de estudiosos de diversas áreas das ciências humanas, da teologia e dos estudos bíblicos, ao longo de dois mil anos de história do cristianismo.
É lamentável que a obra, com roupagem pseudo-científica, se ponha a versar de maneira leviana e desrespeitosa sobre convicções tão sagradas para os cristãos. Muitos cristãos sentem-se feridos em sua fé e nas convicções que lhes são profundamente caras. Outras pessoas são induzidas à dúvida sobre verdades da fé pregadas pela Igreja, desde sua origem, e transmitidas de geração em geração, com zelosa fidelidade à doutrina dos apóstolos. Ainda outras são levadas, inclusive, a levantar suspeitas sobre a honestidade da Igreja nas afirmações de fé sobre Jesus Cristo, seu divino fundador.
Diante disso, afirmamos, com toda convicção, que a Igreja, de forma alguma, ocultou no passado, nem oculta no presente, a verdade sobre Jesus Cristo e sobre a origem dela própria. A Igreja não pode deixar de afirmar o sagrado patrimônio das verdades a respeito de Jesus Cristo e sobre si mesma, que ela recebeu dos apóstolos.
Convidamos todos a lerem os Evangelhos e demais textos do Novo Testamento da Bíblia, para encontrarem aí a imagem de Jesus Cristo, assim como é anunciada pela pregação da Igreja desde as suas origens. Por outro lado a leitura de algum bom livro de história da Igreja – e existem muitos! - poderá ajudar a conhecer a verdade histórica sobre a Igreja, que não é oculta nem subtraída ao conhecimento de quem quer que seja.
Cardeal Geraldo Majella Agnelo
Fonte: CNBB

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA O DIA MUNDIAL DA PAZ
4/1/2010
 






SE QUISERES CULTIVAR A PAZ, PRESERVA A CRIAÇÃO

1. Por ocasião do início do Ano Novo, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades cristãs, aos responsáveis das nações, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. O respeito pela criação reveste-se de grande importância, designadamente porque «a criação é o princípio e o fundamento de todas as obras de Deus»[1] e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a convivência pacífica da humanidade. Com efeito, se são numerosos os perigos que ameaçam a paz e o autêntico desenvolvimento humano integral, devido à desumanidade do homem para com o seu semelhante – guerras, conflitos internacionais e regionais, actos terroristas e violações dos direitos humanos –, não são menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se não mesmo do abuso, em relação à terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, é indispensável que a humanidade renove e reforce «aquela aliança entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho».[2]

2. Na encíclica Caritas in veritate, pus em realce que o desenvolvimento humano integral está intimamente ligado com os deveres que nascem da relação do homem com o ambiente natural, considerado como uma dádiva de Deus para todos, cuja utilização comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gerações futuras. Assinalei também que corre o risco de atenuar-se, nas consciências, a noção da responsabilidade, quando a natureza e sobretudo o ser humano são considerados simplesmente como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo.[3] Pelo contrário, conceber a criação como dádiva de Deus à humanidade ajuda-nos a compreender a vocação e o valor do homem; na realidade, cheios de admiração, podemos proclamar com o salmista: «Quando contemplo os céus, obra das vossas mãos, a lua e as estrelas que lá colocastes, que é o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?» (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da criação é um estímulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que «move o sol e as outras estrelas».[4]

3. Há vinte anos, ao dedicar a Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema Paz com Deus criador, paz com toda a criação, o Papa João Paulo II chamava a atenção para a relação que nós, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. «Observa-se nos nossos dias – escrevia ele – uma consciência crescente de que a paz mundial está ameaçada (…) também pela falta do respeito devido à natureza». E acrescentava que esta consciência ecológica «não deve ser reprimida mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e vá amadurecendo até encontrar expressão adequada em programas e iniciativas concretas».[5] Já outros meus predecessores se referiram à relação existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasião do octogésimo aniversário da encíclica Rerum novarum de Leão XIII, Paulo VI houve por bem sublinhar que, «por motivo de uma exploração inconsiderada da natureza, [o homem] começa a correr o risco de a destruir e de vir a ser, também ele, vítima dessa degradação». E acrescentou que, deste modo, «não só o ambiente material se torna uma ameaça permanente – poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto – mas é o próprio contexto humano que o homem não consegue dominar, criando assim para o dia de amanhã um ambiente global que se lhe poderá tornar insuportável. Problema social de grande envergadura, este, que diz respeito à inteira família humana».[6]

4. Embora evitando de intervir sobre soluções técnicas específicas, a Igreja, «perita em humanidade», tem a peito chamar vigorosamente a atenção para a relação entre o Criador, o ser humano e a criação. Em 1990, João Paulo II falava de «crise ecológica» e, realçando o carácter prevalecentemente ético de que a mesma se revestia, indicava «a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade».[7] Hoje, com o proliferar de manifestações duma crise que seria irresponsável não tomar em séria consideração, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenómenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenómeno crescente dos chamados «prófugos ambientais», ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em acto ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento.

5. Entretanto tenha-se na devida conta que não se pode avaliar a crise ecológica prescindindo das questões relacionadas com ela, nomeadamente o próprio conceito de desenvolvimento e a visão do homem e das suas relações com os seus semelhantes e com a criação. Por isso, é decisão sensata realizar uma revisão profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e também reflectir sobre o sentido da economia e dos seus objectivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações. Exige-o o estado de saúde ecológica da terra; reclama-o também e sobretudo a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas há muito tempo que se manifestam por toda a parte.[8] A humanidade tem necessidade de uma profunda renovação cultural; precisa de redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situações de crise que está atravessando, de carácter económico, alimentar, ambiental ou social, no fundo são também crises morais e estão todas interligadas. Elas obrigam a projectar de novo a estrada comum dos homens. Impõem, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confiança e coragem nas experiências positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. É o único modo de fazer com que a crise actual se torne uma ocasião para discernimento e nova projectação.

6. Porventura não é verdade que, na origem daquela que em sentido cósmico chamamos «natureza», há «um desígnio de amor e de verdade»? O mundo «não é fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (…) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade».[9] Nas suas páginas iniciais, o livro do Génesis introduz-nos no projecto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no vértice, colocou o homem e a mulher, criados à imagem e semelhança do Criador, para «encher e dominar a terra» como «administradores» em nome do próprio Deus (cf. Gn 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de «dominar» a terra, de a «cultivar e guardar» e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. Gn 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do Génesis, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade. Aliás, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza está à nossa disposição, mas não como «um monte de lixo espalhado ao acaso»,[10] enquanto a Revelação bíblica nos fez compreender que a natureza é dom do Criador, o Qual lhe traçou os ordenamentos intrínsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orientações para a «cultivar e guardar» (cf. Gn 2, 15).[11] Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas não à sua arbitrária disposição. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua função de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebelião da natureza, «mais tiranizada que governada por ele».[12] O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a.[13]

7. Infelizmente temos de constatar que um grande número de pessoas, em vários países e regiões da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo responsável. O Concílio Ecuménico Vaticano II lembrou que «Deus destinou a terra com tudo o que ela contém para uso de todos os homens e povos».[14] Por isso, a herança da criação pertence à humanidade inteira. Entretanto o ritmo actual de exploração põe seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais não só para a geração actual, mas sobretudo para as gerações futuras.[15] Ora não é difícil constatar como a degradação ambiental é muitas vezes o resultado da falta de projectos políticos clarividentes ou da persecução de míopes interesses económicos, que se transformam, infelizmente, numa séria ameaça para a criação. Para contrastar tal fenómeno, na certeza de que «cada decisão económica tem consequências de carácter moral»,[16] é necessário também que a actividade económica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lança mão dos recursos naturais, é preciso preocupar-se com a sua preservação prevendo também os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da actividade económica. Compete à comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima é preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jurídico e económico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regiões mais pobres da terra e às gerações futuras.

8. Na realidade, é urgente a obtenção de uma leal solidariedade entre as gerações. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns não podem ficar a cargo das gerações futuras. «Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um facto e um benefício, mas também um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gerações presentes têm em relação às futuras, uma responsabilidade que pertence também a cada um dos Estados e à comunidade internacional».[17] O uso dos recursos naturais deverá verificar-se em condições tais que as vantagens imediatas não comportem consequências negativas para os seres vivos, humanos e não humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada não dificulte o destino universal dos bens;[18] que a intervenção do homem não comprometa a fecundidade da terra para benefício do dia de hoje e do amanhã. Para além de uma leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração, especialmente nas relações entre os países em vias de desenvolvimento e os países altamente industrializados: «A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a exploração dos recursos não renováveis, com a participação também dos países pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro».[19] A crise ecológica manifesta a urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo. Com efeito, é importante reconhecer, entre as causas da crise ecológica actual, a responsabilidade histórica dos países industrializados. Contudo os países menos desenvolvidos e, de modo particular, os países emergentes não estão exonerados da sua própria responsabilidade para com a criação, porque o dever de adoptar gradualmente medidas e políticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse cálculos menos interesseiros na assistência, na transferência dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.

9. Um dos nós principais a enfrentar pela comunidade internacional é, sem dúvida, o dos recursos energéticos, delineando estratégias compartilhadas e sustentáveis para satisfazer as necessidades de energia da geração actual e das gerações futuras. Para isso, é preciso que as sociedades tecnologicamente avançadas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia e melhorando as condições da sua utilização. Ao mesmo tempo é preciso promover a pesquisa e a aplicação de energias de menor impacto ambiental e a «redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso aos mesmos».[20] Deste modo, a crise ecológica oferece uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores próprios da caridade na verdade. Faço votos, portanto, de que se adopte um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano, na promoção e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consciência da necessidade de mudar os estilos de vida e na prudência, virtude que indica as acções que se devem realizar hoje na previsão do que poderá suceder amanhã.[21]

10. A fim de guiar a humanidade para uma gestão globalmente sustentável do ambiente e dos recursos da terra, o homem é chamado a concentrar a sua inteligência no campo da pesquisa científica e tecnológica e na aplicação das descobertas que daí derivam. A «nova solidariedade», que João Paulo II propôs na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990,[22] e a «solidariedade global», a que eu mesmo fiz apelo na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009,[23] apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da criação através de um sistema de gestão dos recursos da terra melhor coordenado a nível internacional, sobretudo no momento em que se vê aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte relação que existe entre a luta contra a degradação ambiental e a promoção do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma dinâmica imprescindível, já que «o desenvolvimento integral do homem não pode realizar-se sem o desenvolvimento solidário da humanidade».[24] Muitas são hoje as oportunidades científicas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais é possível fornecer soluções satisfatórias e respeitadoras da relação entre o homem e o ambiente. Por exemplo, é preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma atenção se deve prestar à questão, hoje mundial, da água e ao sistema hidrogeológico global, cujo ciclo se reveste de primária importância para a vida na terra, mas está fortemente ameaçado na sua estabilidade pelas alterações climáticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estratégias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas famílias, sendo necessário também elaborar políticas idóneas para a gestão das florestas, o tratamento do lixo, a valorização das sinergias existentes no contraste às alterações climáticas e na luta contra a pobreza. São precisas políticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necessário empenho internacional que há-de trazer importantes benefícios sobretudo a médio e a longo prazo. Enfim, é necessário sair da lógica de mero consumo para promover formas de produção agrícola e industrial que respeitem a ordem da criação e satisfaçam as necessidades primárias de todos. A questão ecológica não deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degradação ambiental esboça no horizonte; o motivo principal há-de ser a busca duma autêntica solidariedade de dimensão mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum. Por outro lado, como já tive ocasião de recordar, a técnica «nunca é simplesmente técnica; mas manifesta o homem e as suas aspirações ao desenvolvimento, exprime a tensão do ânimo humano para uma gradual superação de certos condicionamentos materiais. Assim, a técnica insere-se no mandato de “cultivar e guardar a terra” (cf. Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e há-de ser orientada para reforçar aquela aliança entre ser humano e ambiente em que se deve reflectir o amor criador de Deus».[25]

11. É cada vez mais claro que o tema da degradação ambiental põe em questão os comportamentos de cada um de nós, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produção hoje dominantes, muitas vezes insustentáveis do ponto de vista social, ambiental e até económico. Torna-se indispensável uma real mudança de mentalidade que induza a todos a adoptarem novos estilos de vida, «nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento».[26] Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de opções clarividentes a nível pessoal, familiar, comunitário e político. Todos somos responsáveis pela protecção e cuidado da criação. Tal responsabilidade não conhece fronteiras. Segundo o princípio de subsidiariedade, é importante que cada um, no nível que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares. Um papel de sensibilização e formação compete de modo particular aos vários sujeitos da sociedade civil e às organizações não-governamentais, empenhados com determinação e generosidade na difusão de uma responsabilidade ecológica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela «ecologia humana». Além disso, é preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunicação social neste âmbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspiração. É que ocu-par-se do ambiente requer uma visão larga e global do mundo; um esforço comum e responsável a fim de passar de uma lógica centrada sobre o interesse egoísta da nação para uma visão que sempre abrace as necessidades de todos os povos. Não podemos permanecer indiferentes àquilo que sucede ao nosso redor, porque a deterioração de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As relações entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as relações entre homem e ambiente são chamadas a assumir o estilo do respeito e da «caridade na verdade». Neste contexto alargado, é altamente desejável que encontrem eficaz correspondência os esforços da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presença ameaça a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade actual e futura.

12. A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo. Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, «quando a “ecologia humana”é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental».[27] Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social.[28] Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educação para uma responsabilidade ecológica, que, como indiquei na encíclica Caritas in veritate, salvaguarde uma autêntica «ecologia humana» e consequentemente afirme, com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza.[29] É preciso preservar o património humano da sociedade. Este património de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação.

13. Por fim não se deve esquecer o facto, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contacto directo com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós. Por outro lado, uma visão correcta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da «dignidade» de todos os seres vivos. Assim se dá entrada a um novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem. Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da «gramática» que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar mas também não pode abdicar. Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana.[30]

14. Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira. Os cristãos, iluminados pela Revelação divina e seguindo a Tradição da Igreja, prestam a sua própria contribuição. Consideram o cosmos e as suas maravilhas à luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurreição, reconciliou com Deus «todas as criaturas, na terra e nos céus» (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu à humanidade o dom do seu Espírito santificador, que guia o caminho da história à espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, serão inaugurados «novos céus e uma nova terra» (2 Pd 3, 13), onde habitarão a justiça e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz é dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se há-de enfrentar com renovado e concorde empenho; é uma oportunidade providencial para entregar às novas gerações a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os responsáveis das nações e quantos, nos diversos níveis, têm a peito a sorte da humanidade: a salvaguarda da criação e a realização da paz são realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador omnipotente e Pai misericordioso, a sua oração fervorosa, para que no coração de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação.

Vaticano, 8 de Dezembro de 2009.


BENEDICTUS PP. XVI




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[1] Catecismo da Igreja Católica, 198.
[2] Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro de 2008), 7.

[3] Cf. n. 48.

[4] Dante Alighieri, Divina Comédia: O Paraíso, XXXIII, 145.

[5] Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro de 1990), 1.

[6] Carta ap. Octogesima adveniens, 21.

[7] Mensagem para o Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro de 1990), 10.

[8] Cf. Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 32.

[9] Catecismo da Igreja Católica, 295.

[10] Heráclito de Éfeso(± 535-475 a.C.), Fragmento 22B124, in H. Diels-W. Kranz, Die Fragmente der Vorsokratiker (Weidmann, Berlim 19526).

[11] Cf. Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 48.

[12] João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 37.

[13] Cf. Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 50.

[14] Const. past. Gaudium et spes, 69.

[15] Cf. João Paulo II, Carta enc.Sollicitudo rei socialis, 34.

[16] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 37.

[17] Pont. Conselho «Justiça e Paz», Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 467;cf. Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio, 17.

[18] Cf. João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 30-31.43.

[19] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 49.

[20] Ibid., 49.

[21] Cf. São Tomás de Aquino, Summa theologiae, II-II, q. 49, 5.

[22] Cf. n. 9.

[23] Cf. n. 8.

[24] Paulo VI, Carta enc. Populorum progressio, 43.

[25] Carta enc. Caritas in veritate, 69.

[26] João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 36.

[27] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 51.

[28] Cf. ibid., 15.51.

[29] Cf. ibid., 28.51.61; João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 38.39.

[30] Cf. Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 70.



FELIZ ANO NOVO!!!
2/1/2010
 






TEMPO. . .
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente...
...Para você,
Desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir.
Todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas,
Mas nada seria suficiente...
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto,
ao rumo da sua FELICIDADE!!!
(Carlos Drummond de Andrade)
Aproveito essa oportunidade para desejar a cada um de vocês, aos seus familiares e a toda nossa comunidade... um feliz 2010!
Com minhas Bênçãos
Pe. Eduardo Malaspina

Ano de 2010, Tempo Novo dado por Deus!
31/12/2009
 






Em diversas culturas ancestrais, comunidades antigas entravam no espírito do Ano Novo através de ritos nos quais jogavam fora tudo o que significasse a dependência com o passado “envelhecido”, como o ano que acabou. E peregrinavam a uma montanha ou se banhavam em um rio, no primeiro momento do ano, para acolher o tempo novo dado por Deus.
Hoje, mais do que nunca, ninguém terá ano novo melhor se não se comprometer para que toda a humanidade possa viver novas relações de paz e justiça.

Cada pessoa poderá, então, dizer ao seu vizinho uma antiga bênção irlandesa: “Que o caminho seja brando a teus pés, o vento sopre leve em teus ombros. Que o sol brilhe cálido sobre tua face, as chuvas caiam serenas em teus campos. E até que, de novo, eu te veja, que Deus te guarde na palma da sua mão”.

FELIZ ANO NOVO!
Com minhas bênçãos,
Pe. Eduardo Malaspina

SE O NATAL É VERDADEIRO, "TUDO MUDA", ASSEGURA BENTO XVI
26/12/2009
 



Trechos da Homilia de Bento XVI na noite de Natal, na Missa do Galo na Basílica de São Pedro

A homilia da celebração eucarística, presidida na Basílica de São Pedro, converteu-se, portanto, em uma exortação a deixar o primeiro lugar na própria existência a Deus.

Na celebração, que neste ano começou às 22h, o bispo de Roma, ao meditar sobre o mistério que se viveu em Belém há mais de dois mil anos, assegurou que a notícia do nascimento de Jesus “não pode nos deixar indiferentes”. “Se é verdadeira, mudou tudo. Se é verdadeira, diz respeito a mim também”.

Deus, a prioridade

“A maioria dos homens não considera prioritárias as coisas de Deus. Estas não nos premem de forma imediata. E assim nós, na grande maioria, estamos prontos a adiá-las”, reconheceu.

“Antes de tudo faz-se aquilo que se apresenta como urgente aqui e agora. No elenco das prioridades, Deus encontra-Se frequentemente quase no último lugar. Isto – pensa-se – poder-se-á realizar sempre”, assegurou.

Mas “se alguma coisa na nossa vida merece a nossa pressa sem demora, isso só pode ser a causa de Deus”, afirmou, citando a famosa máxima da Regra de São Bento: “Nada antepor à obra de Deus”.

“Deus é importante, a realidade absolutamente mais importante da nossa vida”, disse.”O tempo empregue para Deus e, a partir d’Ele, para o próximo nunca é tempo perdido. É o tempo em que vivemos de verdade, em que vivemos o ser próprio de pessoas humanas”.

“Mas a maior parte de nós, homens modernos, vive longe de Jesus Cristo, d’Aquele que Se fez homem, de Deus que veio para o nosso meio. Vivemos em filosofias, em negócios e ocupações que nos enchem totalmente e a partir dos quais o caminho para a manjedoura é muito longo.”

Deus vem ao encontro

Agora, “sozinhos, não poderíamos chegar até Ele. O caminho supera as nossas forças. Mas Deus desceu. Vem ao nosso encontro. Percorreu a parte mais longa do caminho. Agora pede-nos: Vinde e vede quanto vos amo”.

“O sinal de Deus é a sua humildade. O sinal de Deus é que Ele Se faz pequeno; torna-Se menino; deixa-Se tocar e pede o nosso amor.”

“Quanto desejaríamos nós, homens, um sinal diverso, imponente, irrefutável do poder de Deus e da sua grandeza! Mas o seu sinal convida-nos à fé e ao amor e assim nos dá esperança: assim é Deus. Ele possui o poder e é a Bondade.”

“Convida a tornarmo-nos semelhantes a Ele. Sim, tornamo-nos semelhantes a Deus, se nos deixarmos plasmar por este sinal; se aprendermos, nós mesmos, a humildade e deste modo a verdadeira grandeza; se renunciarmos à violência e usarmos apenas as armas da verdade e do amor.”

O pontífice concluiu sua meditação com esta oração: “Senhor Jesus Cristo, Vós que nascestes em Belém, vinde a nós! Entrai em mim, na minha alma. Transformai-me. Renovai-me. Fazei que eu e todos nós, de pedra e madeira que somos, nos tornemos pessoas vivas, nas quais se torna presente o vosso amor e o mundo é transformado”.


MEDITAÇÃO DO ADVENTO
18/12/2009
 






Caro internauta, leia este encantador texto de São Pedro Crisólogo, Bispo de Ravena, no século V. É uma belíssima meditação para o Advento...

Vendo o mundo oprimido pelo temor, Deus procura continuamente chamá-lo com amor, convidá-lo com a sua graça, segurá-lo com a caridade, abraçá-lo com afeto. Por isso, purifica com o castigo do dilúvio a terra que se tinha inveterado no mal; chama Noé para gerar um mundo novo; encoraja-o com palavras afetuosas, concede-lhe sua confiante amizade, o instrui com bondade acerca do presente e anima-o com sua graça a respeito do futuro. E já não se limita a dar-lhe ordens, mas tomando parte no seu trabalho, encerra na arca toda aquela descendência que havia de perdurar por todos os tempos, para que esta aliança de amor acabasse com o temor da servidão esse conservasse na comunhão de amor o que fora salvo com a comunhão de esforços.

Por esse motivo chama Abraão dentre os pagãos, engrandece seu nome, torna-o pai dos crentes, acompanha-o em sua viagem, protege-o entre os estrangeiros, cumula-o de bens, exalta-o com vitórias, dá-lhe a garantia de suas promessas, livra-o das injúrias, torna-se seu hóspede, maravilha-o com o nascimento de um filho que ele já não podia esperar. Tudo isso a fim de que, cumulado de tantos benefícios, atraído pela grande doçura da caridade divina, aprendesse a amar a Deus e não mais temê-lo, a honrá-lo com amor e não com medo.

Por isso também consola em sonhos a Jacó quando fugia, desafia-o para um combate em seu regresso e na luta aperta-o nos braços, para que não temesse, porém, amasse o instigador do combate. Por isso ainda, chama Moisés na própria língua e fala-lhe com afeto paterno, convidando-o a ser o libertador de seu povo.

Em todos esses fatos que relembramos, de tal modo a chama da caridade divina inflamou o coração dos homens e o inebriamento do amor de Deus penetrou os seus sentidos que, cheios de afeto, começaram a desejar ver a Deus com os olhos do corpo. Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas, o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades. O amor, se não alcança o que deseja, chega a matar o que ama; vai para onde é atraído, e não para onde deveria ir. O amor gera o desejo, cresce com ardor e pretende o impossível. E que mais? O amor não poderia deixar de ver o que ama. Por isso todos os santos consideravam pouca coisa toda recompensa , enquanto não vissem a Deus. Por isso mesmo, o amor que deseja ver a Deus, vê-se impelido, para além de todo raciocínio, pelo fervor da piedade. Por isso Moisés se atreve a dizer: “Se encontrei graça na vossa presença, mostrai-me o vosso rosto” (Ex 33,13.18). Por isso, diz também o Salmista: “Não me escondais a vossa face” (Sl 26,9). Por isso, enfim, até os próprios pagãos, no meio de seus erros, modelaram ídolos, para poderem ver com seus próprios olhos o objeto de seu culto.

MARANATHÁ, Vem, Senhor Jesus!
Com minhas bênçãos
Padre Eduardo Malaspina

ELE VEM VINDO, VEM VINDO SEMPRE!
17/12/2009
 






Meu caro Internauta, eis, para sua oração de Advento, este poema de Rabindranath Tagore. Que o Senhor lhe conceda um coração capaz de perceber as suas vindas...


Não ouvistes os passos silenciosos?

Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!


A cada momento e a cada estação,

a cada dia e a cada noite,

Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!



Várias cantigas cantei,

em várias disposições de espírito,

mas as suas notas sempre proclamavam:

Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!



Nos dias perfumados de abril luminoso,

pelo caminho do bosque,

Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!



Na sombra chuvosa das noites de junho,

na carruagem trovejante de nuvens,

Ele vem vindo, vem vindo, vem vindo sempre!



De tristeza em tristeza,

são os seus passos que pisam o meu coração!

E é o contato de ouro de seus pés

que faz brilhar a minha alegria...

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe Eduardo Malaspina

PENSAMENTOS DE MARTIN LUTHER KING
8/12/2009
 



Talvez esses pensamentos possam te ajudar a realizar no dia de hoje uma boa meditação. Aproveite...
01. O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.

02. Enfrentaremos a força física com a nossa força moral.

03 .Tenho visto demasiado ódio para querer odiar.

04 .Eu tentei ser direto e caminhar ao lado do próximo.

05. Não permita que ninguém o faça descer tão baixo a ponto de você sentir ódio.

06 .Nunca estarei satisfeito até que a segregação racial desapareça da América.

07. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.

08. Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter.

09. O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.


COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

DOS SERMÕES DE SÃO BERNARDO
6/12/2009
 






Um belo trecho dos sermões de São Bernardo (1091-1153), abade cisterciense e doutor da Igreja:

O desejo ardente dos patriarcas pela presença corporal de Jesus Cristo constitui para mim assunto de freqüentes meditações. Não consigo pensar nisso sem que lágrimas de vergonha me assomem aos olhos. Porque avalio então o tédio e a sonolência desta época miserável em que vivemos. Recebemos esta graça, o corpo de Cristo é-nos mostrado no altar, mas ninguém de entre nós experimenta tão intensa alegria como o desejo que a simples promessa da Encarnação inspirava aos nossos antepassados…

O Natal está próximo e muitas pessoas apressam-se a celebrá-lo: possam elas rejubilar verdadeiramente com a Natividade, e não com vaidades! A espera dos antepassados, a sua impaciência febril, parecem-me expressas à perfeição naquelas primeiras palavras do Cântico dos Cânticos: «Que me beije com beijos da sua boca!» (Ct 1,2). Naqueles tempos, quem fosse dotado do sentido espiritual adivinhava a graça imensa derramada nesses lábios (Sl 44,3), e por tais palavras carregadas de tanto desejo, com paixão desejaria não ser privado de tamanha doçura.

Toda a alma perfeita dizia com efeito: «Para que me servem daqui em diante os textos obscuros dos profetas? Espero que venha ‘o mais belo dos filhos dos homens’ (Sl 44,3), que me venha beijar com sua boca. A língua de Moisés é confusa (Ex 4,10), os lábios de Isaías são impuros (6, 5), Jeremias é uma criança que não sabe falar (1,6); todos os profetas são privados do dom das línguas. É Ele, Este de quem falam, que deve falar agora e beijar-me na boca; já não desejo que Ele se exprima neles nem por eles, pois a água fica opaca quando é retida pela nuvens. Espero a presença divina, as águas jorrantes da doutrina admirável, que em mim serão uma fonte a brotar para a vida eterna» (Jo 4,14).


A VIA DA HUMILDADE, UM CAMINHO PARA OS CORAJOSOS!
26/11/2009
 






Quero partilhar as palavras do Santo Padre Bento XVI sobre humildade. Ele vai afirmar que precisamos ter “a coragem da humildade”, de “andar contra a correnteza”, seguindo a via da humildade, e não a do orgulho, da violência e da prepotência.

“A Santa Casa de Nazaré é o santuário da humildade: a humildade de Deus que se fez carne e a humildade de Maria que o acolheu no seu seio; a humildade do Criador e a humildade da criatura. Foi deste encontro de “humildades” que nasceu Jesus, Filho de Deus e Filho do homem”.

A humildade não é só “uma grande virtude humana”. Ela “representa, em primeiro lugar, o modo de agir do próprio Deus…

“É esta a mensagem: não sigais o caminho do orgulho, mas sim o da humildade. Caminhai contra a correnteza: não escuteis as vozes interesseiras e insinuantes que hoje, de muitas partes, propagandeiam modelos de vida caracterizados pela arrogância e pela violência, pela prepotência e pelo sucesso a qualquer preço, pelo aparecer e pelo ter, em detrimento do ser! (…)”

“Sede vigilantes! Sede críticos! Não sigais a onda produzida por esta potente atividade de persuasão. Não tenhais medo, caros amigos, de preferir as vias alternativas indicadas pelo amor verdadeiro: um estilo de vida sóbrio e solidário, relações afetivas sinceras e puras; um empenho honesto no estudo e no trabalho; profundo interesse pelo bem comum (…)”

“A via da humildade, queridos amigos, não é portanto a via da renúncia mas sim da coragem. Não é o resultado de uma derrota mas sim o fruto de uma vitória do amor sobre o egoísmo e da graça sobre o pecado. Seguindo Cristo e imitando Maria, devemos ter a coragem da humildade. É do sim a Deus que brotam todos os sim da nossa vida”. “A nossa fé não propõe um conjunto de proibições morais, mas sim um caminho jubiloso à luz do sim de Deus”.

Com minhas bênçãos
Padre Eduardo Malaspina

QUANDO SE ESCUTA, O SENHOR FALA E INTERPELA
20/11/2009
 

SANTO ANTONIO, ABADE




Da “Vida de Santo Antão”, por Santo Atanásio de Alexandria (295-373), bispo e doutor da Igreja:


Após a morte de seus pais, tinha Antão entre dezoito e vinte anos, entrou certo dia numa igreja no momento da leitura do evangelho, e ouviu o Senhor dizer a um jovem rico: «Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-Me». Antão teve a impressão de que esta leitura tinha sido para ele. Saiu imediatamente do templo e entregou às gentes da aldeia as suas propriedades de família. Depois de ter vendido todos os seus bens móveis, distribuiu pelos pobres o dinheiro dessa venda, reservando apenas uma pequena parte para sua irmã.

Doutra vez em que entrou na igreja, ouviu o Senhor dizer no evangelho: «Não vos preocupeis com o dia de amanhã» (Mt 6,34). Compreendendo que não podia reservar fosse o que fosse, também isso distribuiu pelos pobres. Confiou sua irmã ao cuidado de umas virgens conhecidas e fiéis, que viviam juntas numa casa, para nela ser educada. E consagrou-se desde então, perto de sua casa, ao labor da vida ascética. Vigiando sobre si mesmo, perseverava numa vida austera.

Trabalhava manualmente, porque tinha ouvido esta recomendação: «Se algum não quer trabalhar, que também não coma» (2Ts 3,10). Comprava o seu pão de cada dia com uma parte daquilo que ganhava, distribuindo o resto pelos indigentes. Rezava sem cessar, porque tinha aprendido que é preciso «orar sem desfalecer» (Lc 21,36) em privado. Estava de tal maneira atento à leitura, que nada perdia da Escritura, antes dela tudo retendo; a seguir, substituía os livros pela memória. Todos os habitantes da aldeia, e as gentes de bem que a frequentavam habitualmente, vendo-o viver daquela maneira, lhe chamavam amigo de Deus. Uns amavam-no como filho, outros como irmão.



COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. EDUARDO MALASPINA

BISPOS DO ESTADO DE SÃO PAULO EM ROMA
11/11/2009
 

Dom Paulo Sérgio Machado


Basilica de São Pedro - Vaticano

Neste mês de novembro de 2.009, os bispos do Regional Sul I (Estado de São Paulo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estarão realizando a visita ad limina à Roma.

De acordo com a programação, os bispos das 41 arqui/dioceses do estado estarão em Roma entre os dias 05 e 26 deste mês.

A visita ad limina é um momento muito importante para o Papa e para os bispos diocesanos. Na ocasião, o Sumo Pontífice recebe os pastores (bispos) das inúmeras dioceses espalhadas pelo mundo, com a finalidade de tratar de questões relacionadas ao ministério dos mesmos no governo das Igrejas Particulares.

O evento não se reduz à uma obrigação jurídica imposta aos bispos, mas é o momento de todos os bispos compartilharem com o papa um pouco de suas experiências pastorais vivenciadas nas mais diferentes realidades e, além disso, o momento é de fraterna comunhão entre o bispo de Roma com os outros bispos.

O bispo diocesano de São Carlos, Dom Paulo Sérgio Machado está em Roma e deverá retornar para a diocese apenas no final do mês.

A Dom Paulo Sérgio e a todos os bispos do Estado de São Paulo, que já iniciaram a visita Ad Limina, desejamos que o Espírito Santo os ilumine e proteja neste momento muito especial para todos.

Obrigado por acessar nosso site!
COM MINHAS BÊNÇÃOS.
Pe. Eduardo Malaspina

DIA 4 DE NOVEMBRO, FESTA DE SÃO CARLOS BORROMEU
4/11/2009
 

SÃO CARLOS BORROMEU


CATEDRAL DEDICADA A SÃO CARLOS, SP

Celebramos a Memória do Santo Bispo que tornou-se para a Igreja um modelo de pastor e caridade, já que se consumiu por inteiro pela guarda e salvação das pessoas.

São Carlos nasceu em Arona, perto de Milão, na Itália em 1538 e entrou no Céu em 1584, num tempo em que a Igreja abria-se para sua renovação interna.

Cuidado com muito carinho pela piedosa mãe, irmã do Papa Pio IV, Carlos recebeu ótima formação humana e cristã, de forma que estudou na Universidade de Pávia e destacou-se pela facilidade de administrar e tratar as pessoas.

Chamado a Roma pelo tio Papa, São Carlos mesmo antes de receber os Sacramentos da Ordem, aceitou a nomeação e responsabilidades de Cardeal e Arcebispo de Milão.

Logo após ter auxiliado o Papa e tê-lo motivado para colocar em prática todo o inspirado conteúdo do Concílio de Trento (1545 - 1563), São Carlos Borromeu assumiu com todo o ardor a missão de obedecer as decisões do Concílio, o qual respondia as necessidades da Igreja daquela época, e também levar a todos os fiéis da diocese de Milão para o Cristo.

Determinado e ungido foi o primeiro bispo a
fundar seminários para a formação dos futuros padres;
promoveu sínodos diocesanos;
abundou os escritos catequéticos e conhecimento da Doutrina Católica;
impulsionou a boa impresa e assistiu com seu zelo e
apostolado santo toda a sua região além de ajudar na Evangelização de outras áreas da Europa, desta maneira deu sua vida a Deus gastando-se totalmente pelo bem dos outros e da Igreja.

São Carlos Borromeu... rogai por nós!

DO OUTRO LADO DO CAMINHO
3/11/2009
 






Caro internauta, se você sente saudade de alguém que sempre amou e que partiu para o outro lado do caminho, busque ler esse texto de Santo Agostinho de vez em quando. Tomara que assim consiga suportar a ausência com mais serenidade.

A morte não é nada.
Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, Vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Dêem o nome que vocês sempre me deram.
Falem comigo como sempre vocês fizeram.
Vocês continuam vivendo no Mundo das Criaturas, eu estou vivendo no Mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste.
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho...


COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe Eduardo Malaspina

O MISTÉRIO DA MORTE
2/11/2009
 






Caro internauta, eis um belo texto da Constituição “Gaudium et Spes” (nn. 18 e 22) do Concílio Vaticano II. É uma profunda meditação sobre o mistério da morte e sobre a nossa esperança na Ressurreição.

Diante da morte, o enigma da condição humana atinge seu ponto alto. O homem não se aflige somente com a dor e a progressiva dissolução do corpo, mas também, e muito mais, com o temor da destruição perpétua. Mas o homem pensa retamente em seu íntimo, quando afasta com horror e repele a ruína total e a morte definitiva de sua pessoa. A semente de eternidade que ele leva dentro de si, não se reduzindo a só matéria, insurge-se contra a morte. Todas as conquistas da técnica, ainda que utilíssimas, não conseguem acalmar a angústia do homem. Com efeito, a prolongada longevidade biológica não lhe consegue satisfazer o desejo de viver sempre mais que existe inelutavelmente em seu coração.

Enquanto toda a imaginação fracassa diante da morte, a Igreja, contudo, instruída pela Revelação divina, afirma que o homem foi criado por Deus para um fim feliz, fora dos limites da miséria terrestre. Além disso, ensina a fé cristã que a morte corporal, da qual o homem seria subtraído se não tivesse pecado, será vendida quando o homem for reintegrado por Deus todo-poderoso e misericordioso na salvação que o mesmo homem perdeu por sua culpa. Na verdade, Deus chamou e chama o homem para si com a sua natureza inteira, para que dê sua adesão a Deus na comunhão perpétua da incorruptível vida divina. Cristo conseguiu essa vitória por sua morte, libertando o homem da morte e ressuscitando para a vida. Para qualquer homem que reflete, a fé, apresentada com argumentos sólidos, dá uma resposta à angústia sobre a sorte futura. Ao mesmo tempo, a fé oferece a possibilidade de comunicar-se em Cristo com os irmãos queridos já arrebatados pela morte, trazendo a esperança de que eles tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus.

É certo que a necessidade e o dever obrigam o cristão a lutar contra o mal através de muitas tribulações e a padecer a morte. Mas, associado ao mistério pascal, configurado à morte de Cristo e fortificado pela esperança, irá ao encontro da ressurreição.

Isto é válido não somente para os cristãos, mas também para todos os homens de boa vontade em cujos corações a graça opera de modo invisível. Com efeito, tendo Cristo morrido por todos e, na verdade, sendo uma a vocação última do homem, isto é, divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade para se associarem, de um modo conhecido por Deus, a este mistério pascal.

Tal e tão grande é o mistério do homem que pela Revelação cristã brilha para os fiéis. Por Cristo e em Cristo, portanto, ilumina-se o enigma da dor e da morte, que fora de seu Evangelho, nos esmaga. Cristo ressuscitou, com sua morte destruindo a morte e concedendo-nos a vida para que, filhos no Filho, clamemos no Espírito: Abbá, Pai!

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe Eduardo Malaspina

**
31/10/2009
 



"Aquilo que não foi capaz de matar-me, tornou-me mais forte". (Franz Kafka)

MAIS OU MENOS
30/10/2009
 






Quinta-feira (29.10.2009) refletimos sobre nossa maneira de encarar a vida! A nossa vida pode se tornar uma vida do mais ou menos. Partilho com você internauta, o poema abaixo - possivelmente da Ticiana Souza de Paulo, que nos faz repensar em nossas atitutes, bem como reafirmar outras.
O certo é que não podemos ser, nem por um minuto,uma pessoa mais ou menos…

“Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” (Apocalipse 3, 15-16)

“A gente pode morar numa casa mais ou menos,
Numa rua mais ou menos,
Numa cidade mais ou menos,
E até ter um governo mais ou menos.

A gente pode dormir numa cama mais ou menos,
Comer um feijão mais ou menos,
Ter um transporte mais ou menos,
E até ser obrigado a acreditar mais ou menos no futuro.

A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos…

TUDO BEM!

O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum é…
Amar mais ou menos, sonhar mais ou menos,
Ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos,
Ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos.
Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe Eduardo Malaspina

AMAR A DEUS ACIMA DE SI PRÓPRIO
27/10/2009
 









Um belo trecho de Diádoco, Bispo de Foticéia, no século V:

Aquele que a si próprio se preza não pode amar a Deus; mas aquele que a si não se preza, devido às riquezas superiores da caridade divina, esse ama a Deus. É por isso que tal homem nunca procura a própria glória, mas a de Deus; porque o que a si mesmo se preza procura a glória própria. Aquele que preza a Deus ama a glória do seu Criador. É, de fato, próprio das almas profundas e amigas de Deus procurar constantemente a glória de Deus em todos os mandamentos cumpridos, e ter regozijo na própria humilhação. Porque a Deus convém a glória em razão da Sua grandeza, e ao homem, a humilhação; deste modo se torna o homem próximo de Deus. Se assim agirmos, regozijando-nos com a glória do Senhor, a exemplo do santo João Batista, diremos, então, continuamente: «É preciso que ele cresça e que eu diminua» (Jo 3,30).

Conheço alguém que ama tanto a Deus - ainda que muito se lamente por não O amar como quereria -, que a alma lhe arde ininterruptamente no desejo de em si próprio e nos seus gestos ver Deus glorificado, e de se ver a si mesmo como não tendo existência própria. Esse homem não sabe o que é, ainda que o elogiemos, em palavras; porque no seu grande desejo de humilhação não pensa na dignidade própria. Executa os serviços divinos como fazem os padres, mas na sua extrema disposição de amor para com Deus aniquila a recordação da sua própria dignidade no mais profundo da sua caridade para com Deus, enterrando em pensamentos humildes a glória que daí tiraria. Assume-se sempre como um mero servo inútil; o seu desejo de humilhação de alguma maneira lhe exclui a dignidade própria. Eis o que devemos fazer, nós também, de forma a nos afastarmos de toda a honra, de toda a glória, fazendo jus à riqueza transbordante do amor d’Aquele que tanto nos amou.


COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

O TEMPO É APENAS UM SOPRO DIANTE DA ETERNIDADE
20/10/2009
 



Começo me desculpando, não me esqueci do blog, é que entre todas as possíveis justificativas, posso dizer que o tempo passa veloz demais.. Outro dia começou a primavera, o mês de outubro, Santa Teresinha, Nossa Senhora Aparecida... e tudo passa muito rápido... Falando em primavera, posto um texto do Pe Fábio de Melo....

A arte das sementes de morrer em silêncio. Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências.

Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento.
Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.



Com minhas bênçãos
Padre Eduardo Malaspina

TRATAMENTO
20/10/2009
 






“Se tratamos as pessoas como elas devem ser, nós as ajudamos a se tornarem o que elas são capazes de ser”
Johan Wolfgang Von Goethe

BEATA TERESA DE CALCUTÁ
20/10/2009
 



Dos Escritos da Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade:

É preciso que não se satisfaçam com dar dinheiro; o dinheiro não é o suficiente, porque pode encontrar-se. É das nossas mãos que os pobres precisam para serem servidos, é dos nossos corações que eles precisam para serem amados. A religião de Cristo é o amor, o contágio do amor.

Os que podem oferecer-se uma vida fácil têm sem dúvida as suas razões. Podem tê-la obtido pelo seu trabalho; só me encolerizo em face do desperdício, em face dos que jogam para o lixo o que poderia ser-nos útil. A dificuldade é que muitas vezes os ricos, ou mesmo as pessoas abastadas, não sabem verdadeiramente o que são os pobres; é por isso que podemos perdoar-lhes, porque o conhecimento só pode conduzir ao amor, e o amor ao serviço. É porque eles não os conhecem que não são sensibilizados por eles.

Tento dar aos pobres, por amor, o que os ricos podem obter com o dinheiro. É verdade, não tocaria num leproso por um milhão; mas trato dele voluntariamente por amor a Deus.




SENTIR-SE MELHOR
19/10/2009
 



“Não devemos permitir que alguém saia de nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”

Madre Teresa de Calcutá

A HISTÓRIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA
12/10/2009
 






Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (anterior a 1743) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma. A história foi primeiramente registrada pelo Padre José Alves Vilela em 1743 e pelo Padre João de Morais e Aguiar em 1757, registro que se encontra no Primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá.

A Pescaria Milagrosa
A sua história tem o seu início em meados de 1717, quando chegou a Guaratinguetá a notícia de que o conde de Assumar, D. Pedro de Almeida e Portugal, governador da então Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, iria passar pela povoação a caminho de Vila Rica (atual cidade de Ouro Preto), em Minas Gerais.

Desejosos de obsequiá-lo com o melhor pescado que obtivessem, os pescadores Domingos Garcia, Filipe Pedroso e João Alves lançaram as suas redes no rio Paraíba do Sul. Depois de muitas tentativas infrutíferas, descendo o curso do rio chegaram a Porto Itaguaçu, a 12 de outubro. Já sem esperança, João Alves lançou a sua rede nas águas e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem a cabeça. Em nova tentativa apanhou a cabeça da imagem. Envolveram o achado em um lenço. Daí em diante, os peixes chegaram em abundância para os três humildes pescadores.




INICIO DA DEVOÇÃO
12/10/2009
 
Durante quinze anos a imagem permaneceu na residência de Filipe Pedroso, onde as pessoas da vizinhança se reuniam para orar. A devoção foi crescendo entre o povo da região e muitas graças foram alcançadas por aqueles que oravam diante da imagem. A fama dos poderes extraordinários de Nossa Senhora foi se espalhando pelas regiões do Brasil. Diversas vezes as pessoas que à noite faziam diante dela as suas orações, viam luzes de repente apagadas e depois de um pouco reacendidas sem nenhuma intervenção humana. Logo, já não eram somente os pescadores os que vinham rezar diante da imagem, mas também muitas outras pessoas das vizinhanças. A família construiu um oratório no Porto de Itaguaçu, que logo se mostrou pequeno.

A IMAGEM DE NOSSA SENHORA APARECIDA
12/10/2009
 



A imagem retirada das águas do rio Paraíba em 1717, é de terracota e mede quarenta centímetros de altura. Em estilo seiscentista, como atestado por diversos especialistas que a analisaram (Dr. Pedro de Oliveira Ribeiro Neto, os monges beneditinos do Mosteiro de São Salvador, na Bahia, Dom Clemente da Silva-Nigra e Dom Paulo Lachenmayer), acredita-se que originalmente apresentaria uma policromia, como era costume à época, embora não haja documentação que o comprove. A argila utilizada para a confecção da imagem é oriunda da região de Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo. Quando foi recolhida pelos pescadores, o corpo estava separado da cabeça e, muito provavelmente, sem a policromia original, devido ao período em que esteve submersa nas águas do rio.


A cor de canela com que se apresenta hoje deve-se à exposição secular à fuligem produzida pelas chamas das velas, lamparinas e candeeiros, acesas pelos seus devotos.

Em 1978, após sofrer um atentado que a reduziu a quase duzentos fragmentos, foi encaminhada ao Prof. Pietro Maria Bardi (à época diretor do Museu de Arte de São Paulo (MASP), que a examinou, juntamente com o dr. João Marinho, colecionador de imagens sacras brasileiras. Foi então totalmente restaurada, no MASP, pelas mãos da artista plástica Maria Helena Chartuni.

Embora não seja possível determinar o autor ou a data da confecção da imagem, através de estudos comparativos concluiu-se que ela pode ser atribuída a um discípulo do monge beneditino frei Agostinho da Piedade, ou, segundo Silva-Nigra e Lachenmayer, a um do seu irmão de Ordem, frei Agostinho de Jesus. Apontam para esses mestres as seguintes características:

- forma sorridente dos lábios;
- queixo encastoado, tendo, ao centro, uma covinha;
- penteado e flores nos cabelos em relevo;
- broche de três pérolas na testa; e
- porte corporal empinado para trás.

OS MILAGRES DE NOSSA SENHORA APARECIDA
12/10/2009
 






Milagre das Velas
Estando a noite serena, repentinamente as duas velas que iluminavam a Santa se apagaram. Houve espanto entre os devotos, e Silvana da Rocha, querendo acendê-las novamente, nem tentou, pois elas acenderam por si mesmas. Este foi o primeiro milagre conhecido de Nossa Senhora, ocorrido mais provavelmente em 1733.

Caem as Correntes
Em meados de 1850, um escravo chamado Zacarias, preso por grossas correntes, ao passar pela igreja onde se encontrava a imagem, pede ao feitor permissão para rezar. Recebendo autorização, o escravo se ajoelha diante Nossa Senhora Aparecida e reza fervorosamente. Durante a oração, as correntes, milagrosamente, soltam-se de seus pulsos deixando Zacarias livre.

Cavaleiro e a Marca da Ferradura
Um cavaleiro de Cuiabá, passando por Aparecida, ao se dirigir para Minas Gerais, viu a fé dos romeiros e começou a zombar, dizendo, que aquela fé era uma bobagem. Quis provar o que dizia, entrando a cavalo na igreja. Logo na escadaria, a pata de seu cavalo se prendeu na pedra da escada da igreja (Basílica Velha), vindo a derrubar o cavaleiro de seu cavalo, após o fato, a marca da ferradura ficou cravada da pedra. O cavaleiro arrependido, pediu perdão e se tornou devoto.

A menina cega
Mãe e filha caminhavam às margens do Rio Paraíba do Sul, quando surpreendentemente a filha cega de nascença comenta surpresa com a mãe : “Mãe como é linda esta igreja” Basílica Velha. Daquele momento em diante, a menina começa a enxergar.

O Menino no Rio
O pai e o filho foram pescar. Durante a pescaria, a correnteza estava muito forte e por um descuido o menino caiu no rio. O menino não sabia nadar, a correnteza o arrastava cada vez mais rápido e o pai desesperado pediu a Nossa Senhora Aparecida para salvar o menino. De repente o corpo do menino parou de ser arrastado, enquanto a forte correnteza continuava, e o pai salvou o menino.

O Homem e a Onça
Um homem estava voltando para sua casa, quando de repente ele se deparou com uma enorme onça. Ele se viu encurralado e a onça estava prestes a atacar, então o homem pediu desesperado a Nossa Senhora Aparecida por sua vida, e a onça virou e foi embora.


A BASÍLICA DE NOSSA SENHORA APARECIDA
12/10/2009
 






A Basílica de Nossa Senhora Aparecida, também conhecido como Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, fica localizada na cidade de Aparecida, no interior do Estado de São Paulo, Brasil. É o terceiro maior templo católico do mundo. Foi inaugurada em 4 de julho de 1980 quando João Paulo II visitou o Brasil pela primeira vez. Em outra de suas visitas, passando por Aparecida, abençoou o Santuário e, em 1984, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, elevou a Nova Basílica a Santuário Nacional. Localiza-se no centro da cidade, tendo como acesso a “Passarela da Fé”, que liga a basílica atual com a antiga, ambas visitadas por romeiros.


DEVOÇÃO À NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
7/10/2009
 






A origem da devoção à Nossa Senhora do Rosário é muito antiga, mas sua propagação tomou impulso com São Domingos de Gusmão. Foi por sua inspiração que São Domingos fez do Rosário sua poderosa arma para combater a heresia dos albingenses, isto no início do século XIII, onde a tal heresia crescia vertiginosamente na França. Fundou a ordem dominicana e por sua intensa propagação e devoção, a Igreja lhe conferiu o título de “Apóstolo do Santo Rosário”. Existem, inclusive, certas versões históricas que afirmam ter Nossa Senhora aparecido a São Domingos segurando o Menino Jesus no colo e oferecendo-lhe o santo Rosário, e cuja propagação e divulgação teria tomado impulso por pedido pessoal de Maria Santíssima.

À recitação do Rosário é que a igreja atribui os seus maiores triunfos, e grata atesta, pela boca dos Sumos Pontífices que, “pelo Rosário todos os dias desce uma chuva de bênçãos sobre o povo cristão”(Urbano IV); “que é a oração oportuna para honrar a Deus e a Virgem, como afastar bem longe os iminentes perigos do mundo” (Sixto IV); “propagando-se esta devoção, os cristãos entregues à meditação dos mistérios inflamados por esta oração, começarão a transformar-se em outros homens, as trevas das heresias dissipar-se-ão e difundir-se-á a luz da fé católica” (São Pio V); “desejamos ver sempre mais largamente propagada esta piedosa prática e tornar-se devoção verdadeiramente popular de todos os lugares, de todos os dias” (Leão XIII).

Nos mistérios do Rosário, contemplamos todas as fases do Evangelho:

Os mistérios gozosos retratam as meditações da anunciação do Anjo a Nossa Senhora, visitação de Maria à Santa Isabel, nascimento triunfante de Jesus, sua apresentação no templo e Jesus, entre os doutores da lei.

Nos mistérios dolorosos contemplamos a agonia de Jesus no horto, flagelação de Jesus, a coroação de espinhos, o calvário, a crucificação e morte de Jesus.

Nos mistérios gloriosos, a Ressurreição de Jesus, a sua Ascensão aos céus, a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos, a Sua Assunção e gloriosa Coroação.

E, sob inspiração maternal de Nossa Senhora, no dia 16/10/2002, pela carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, que Sua Santidade o Papa João Paulo II acrescentou ao Rosário os Mistérios Luminosos, que retratam a vida pública de Jesus, desde o seu batismo no Jordão, o primeiro milagre nas Bodas de Caná, proclamação do reino, transfiguração e instituição da Eucaristia. Estes mistérios foram inseridos entre os mistérios gozosos e os dolorosos, formando um perfeito complemento da meditação da Bíblia.

A santa devoção atravessou os séculos sempre com o empenho da Santa Igreja de difundi-lo. Tem a virtude de excitar e nutrir em nós o recolhimento, pondo-nos em contato com os mistérios da nossa religião. É a oração do sábio e do ignorante, pois, como nenhuma outra, se adapta à capacidade de todos.

Peçamos a Maria Santíssima a graça de sermos não só fiéis propagadores, mas principalmente perseverantes na prática de sua recitação, e que tenhamos sempre o desejo inflamado de rezá-lo sempre com muito entusiasmo e alegria. E que tenhamos a convicção de que o Rosário une o tempo à eternidade, a cidade terrena à cidade de Deus.
( FONTE: http://blog.cancaonova.com/fatimahoje/2008/06/16/nossa-senhora-do-rosario)

Que por intercessão de Nossa Senhora do Rosário, o Senhor, Nosso Deus, nos abençõe.
Um fraterno abraço.
Pe Eduardo Malaspina

REZAR COM OS ÍCONES
6/10/2009
 






Recebi esse material da Comunidade de Taizé. O texto é de Maria do Loreto. Rezar pela contemplação. Olhar, olhar e olhar nos olhos de Cristo Jesus ou da Santíssima Virgem Maria e depois de contemplá-los perceber o que eles nos dizem.... Bom exercício.

Os ícones participam na beleza da oração. Eles são como janelas que se abrem às realidades do Reino de Deus e as tornam presentes na nossa oração sobre a terra. Eles são um apelo à nossa própria transfiguração. Apesar de o ícone ser uma imagem, não é uma ilustração pura nem decoração. É sinal da encarnação, é presença que oferece aos olhos a mensagem espiritual que a Palavra dirige aos ouvidos.

O fundamento dos ícones é, segundo São João Damasceno (século VIII), a vinda de Cristo à terra. A salvação está ligada à encarnação do Verbo divino, por consequência, à matéria: Deus, que não tem corpo nem figura, não podia outrora, de maneira nenhuma, ser representado por qualquer imagem. Mas agora, que Deus permitiu ser visto em carne e viver no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus. Eu não adoro a matéria, mas sim o criador da matéria, que se tornou matéria por minha causa, que quis habitar a matéria e que, através da matéria, me deu a salvação.
Pela fé que transmite, pela sua beleza e profundidade, o ícone pode abrir um espaço de paz, reavivar uma espera. Ele convida a acolher o mistério da salvação na nossa humanidade e em toda a criação.

Com minhas bênçãos
Pe. Eduardo Malaspina

OS TRÊS TIPOS DE HUMILDADE - Santo Inácio
5/10/2009
 






Dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola (1491-1556), sacerdote, fundador dos jesuítas:


Os três tipos de humildade: o primeiro tipo de humildade é necessário à salvação eterna. E consiste em me rebaixar e me humilhar tanto quanto me for possível, para obedecer em tudo à Lei de Deus Nosso Senhor. De tal modo que, mesmo que me tornassem senhor de todas as coisas criadas neste mundo ou mesmo que estivesse em risco a minha própria vida temporal, nunca pensaria em transgredir um mandamento, fosse ele divino ou humano.

O segundo tipo de humildade é uma humildade mais perfeita que a primeira. E consiste nisto: encontro-me num ponto em que não desejo nem tendo a possuir a riqueza mais do que a pobreza, a querer a honra mais do que a desonra, a desejar uma vida longa mais do que uma vida curta, quando as alternativas não afetam o serviço de Deus Nosso Senhor e a salvação da minha alma.

O terceiro tipo de humildade é a humildade mais perfeita: é quando, incluindo a primeira e a segunda, sendo iguais o louvor e a glória da Sua divina majestade, para imitar Cristo Nosso Senhor e me assemelhar a Ele mais eficazmente, desejo e escolho a pobreza com Cristo pobre em vez da riqueza, o opróbrio com Cristo coberto de opróbrios em lugar de honrarias; e desejo mais ser tido por insensato e louco para Cristo, que antes de todos foi tido como tal, do que «sábio e prudente» neste mundo (Mt 11,25).

Boa semana a você internauta!
Um abraço fraterno e amigo!
Com minhas bênçãos.
Pe Eduardo Malaspina


DAR TESTEMUNHO DIANTE DOS HOMENS
29/9/2009
 



Caro Visitante, eis alguns testemunhos, tirados das atas de três mártires do século III: Carpo, Pailo e Agatônica.... Que o Senhor nos ajude, também a nós, a testemunhá-lo na pequenez do dia-a-dia!

Martírio de Carpo

No tempo do imperador Décio, Ótimus era procônsul em Pérgamo; o bem-aventurado Carpo, bispo de Gados, e o diácono Papilo de Tiatira, ambos confessores de Cristo, compareceram diante dele.
O procônsul disse a Carpo:
- Qual é o teu nome?

- O meu primeiro nome, o mais belo, é Cristão. O meu nome no mundo é Carpo.

- Conheces os editos de César que vos obrigam a sacrificar aos deuses, senhores do mundo, não é verdade? Ordeno-te que te aproximes e que ofereças um sacrifício.

- Eu sou cristão. Adoro Cristo, Filho de Deus, que veio à terra nestes últimos tempos para nos salvar e nos livrar das armadilhas do demônio. Não vou por isso sacrificar a esses ídolos.

- Sacrifica aos deuses, como ordena o imperador.

- Morram os deuses que não criaram o céu nem a terra.

- Sacrifica como quer o imperador.

- Os vivos não sacrificam aos mortos...

- Então tu crês que os deuses estão mortos?

- Certamente. E vê como: eles assemelham-se a homens, mas estão imóveis. Deixa de os cobrir de honras; como eles não se mexem, os cães e os corvos virão cobri-los de esterco.

- Basta sacrificar. Tem piedade de ti mesmo!

- É mesmo por isso que eu escolho a melhor parte.

A estas palavras, o procônsul mandou que o pendurassem... e lhe rasgassem o corpo com unhas de ferro...

UM ABRAÇO!
COM MINHAS BÊNÇÃOS
PADRE EDUARDO MALASPINA

AMAR A DEUS ACIMA DE SI PRÓPRIO
28/9/2009
 



Um belo trecho de Diádoco, Bispo de Foticéia, no século V:

Aquele que a si próprio se preza não pode amar a Deus; mas aquele que a si não se preza, devido às riquezas superiores da caridade divina, esse ama a Deus. É por isso que tal homem nunca procura a própria glória, mas a de Deus; porque o que a si mesmo se preza procura a glória própria. Aquele que preza a Deus ama a glória do seu Criador. É, de fato, próprio das almas profundas e amigas de Deus procurar constantemente a glória de Deus em todos os mandamentos cumpridos, e ter regozijo na própria humilhação. Porque a Deus convém a glória em razão da Sua grandeza, e ao homem, a humilhação; deste modo se torna o homem próximo de Deus. Se assim agirmos, regozijando-nos com a glória do Senhor, a exemplo do santo João Batista, diremos, então, continuamente: «É preciso que ele cresça e que eu diminua» (Jo 3,30).

Conheço alguém que ama tanto a Deus - ainda que muito se lamente por não O amar como quereria -, que a alma lhe arde ininterruptamente no desejo de em si próprio e nos seus gestos ver Deus glorificado, e de se ver a si mesmo como não tendo existência própria. Esse homem não sabe o que é, ainda que o elogiemos, em palavras; porque no seu grande desejo de humilhação não pensa na dignidade própria. Executa os serviços divinos como fazem os padres, mas na sua extrema disposição de amor para com Deus aniquila a recordação da sua própria dignidade no mais profundo da sua caridade para com Deus, enterrando em pensamentos humildes a glória que daí tiraria. Assume-se sempre como um mero servo inútil; o seu desejo de humilhação de alguma maneira lhe exclui a dignidade própria. Eis o que devemos fazer, nós também, de forma a nos afastarmos de toda a honra, de toda a glória, fazendo jus à riqueza transbordante do amor d’Aquele que tanto nos amou.


UM ABRAÇO FRATERNO
BOA SEMANA A TODOS
Pe Eduardo Malaspina

ENTRA NO TEU ÍNTIMO
23/9/2009
 






Dos Sermões de Isaac da Estrela (séc. XII) monge cisterciense>

«Felizes vós, os que agora chorais, porque haveis de rir» (Mt 5,5). Através desta palavra, o Senhor quer fazer-nos compreender que o caminho da alegria é o pranto.

É pela desolação que se chega à consolação; é perdendo a vida que ela se encontra, é rejeitando-a que a conservamos, é odiando-a que a amamos, é desprezando-a que a conservamos (Mt 16,24ss).

Se queres conhecer-te e ter autodomínio, entra em ti mesmo e não te procures no exterior. Cai em ti, pecador, recolhe-te na tua essência, no teu coração.

Não é certo que o homem que entra em si mesmo descobre que se encontra longe, como o filho pródigo, numa região de dessemelhança, numa terra estrangeira, onde se senta e chora recordando-se de seu pai e da sua pátria? (Lc 15, 17)

«Adão, onde estás ?» (Gn 3, ) Talvez estejas ainda na obscuridade para não te encarares a ti mesmo; coses folhas de vaidade umas às outras para cobrir a tua vergonha, olhando o que está à volta e o que é teu. Olha para o teu interior, olha para ti. Entra em ti, pecador, regressa à tua alma. Contempla e chora esta alma sujeita à vaidade, à agitação e que não se consegue libertar do seu cativeiro.

É evidente, irmãos, que vivemos fora de nós mesmos, esquecidos de nós, de cada vez que nos dispersamos em ninharias ou em distrações, de cada vez que nos regalamos com futilidades. É por isso que a Sabedoria leva a peito convidar-nos sempre para a casa do arrependimento antes de nos convidar para a casa do banquete, como que para chamar a si o homem que andava no exterior de si mesmo, dizendo-lhe: «Bem-aventurados os que choram» e noutra passagem: «Ai de vós os que agora rides».

Meus irmãos, gemamos na presença do Senhor, cuja bondade leva ao perdão; convertamo-nos a Ele «com jejuns, com lágrimas, com gemidos» (Jl 2,12) para que um dia as suas consolações façam rejubilar as nossas almas. Com efeito, felizes são os que choram, não por chorarem, mas porque serão consolados. O pranto é o caminho: a consolação é a beatitude.

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

ELE FICA
16/9/2009
 



Caro Internauta,, navegando na internet descobri que a Dra. Maria Lúcia Lencastre Ursala, da 3ª Vara Cível Federal de São Paulo, indeferiu pedido do Ministério Público Federal, que queria a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos — leia-se: de crucifixos e Bíblias. Graças a Deus!

Sabem o que escreveu a juíza?

1 - que é natural a presença de símbolos religiosos cristãos num país de formação cristã — isso pertence à nossa história;

2 - que, “sem qualquer ofensa à liberdade de crença, garantia constitucional, eis que, para os agnósticos, ou que professam crença diferenciada, aquele símbolo nada representa, assemelhando-se a um quadro ou escultura, adereços decorativos”;

3 - que estado laico não quer dizer estado anti-religioso. Dando uma pequena aula de lógica e de história à boçalidade do CCC, escreveu: “O Estado laico foi a primeira organização política que garantiu a liberdade religiosa. A liberdade de crença, de culto, e a tolerância religiosa foram aceitas graças ao Estado laico, e não como oposição a ele. Assim sendo, a laicidade não pode se expressar na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos." Fonte: http://ascdialogando.blogspot.com/

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

NOSSA SENHORA DAS DORES
15/9/2009
 






Do Comentário sobre o Evangelho de João, por Rupert de Deutz (1075-1130), monge beneditino:


«Mulher, eis o teu filho!» «Eis a tua mãe!» Com que direito passa o discípulo que Jesus amava a ser filho da Mãe do Senhor? Com que direito é Ela sua Mãe? É que Aquela que trouxera ao mundo, então de forma indolor, a causa da salvação de todos, ao dar à luz na carne o Deus feito homem, é com enorme dor que agora dá à luz, de pé junto à cruz.



Na hora da Sua paixão, o Senhor tinha comparado os Seus apóstolos a uma mulher que dá à luz, ao dizer: «A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz o menino, já se não lembra da aflição, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem» (Jo 16, 21). Quanto mais compararia tal Filho tal Mãe - essa Mãe que esteve de pé junto à cruz - a uma mulher que dá à luz! Comparar? Mas Ela é verdadeiramente mulher e verdadeiramente mãe e, nesta hora, tem verdadeiras dores de parto. Ela não tinha sofrido as dores do parto como as outras mulheres quando lhe nascera o Filho; é agora que as sofre, que é crucificada, que sente a tristeza de quem dá à luz porque chegou a sua hora (cf Jo 13, 1; 17, 1).



Quando tiver passado esta hora, quando esta espada de dor tiver trespassado por completo a sua alma que dá à luz (Lc 2, 35), também Ela já se não lembrará da aflição, pela alegria de ter vindo ao mundo um homem, o homem novo, que renova todo o gênero humano e reina sem fim sobre o mundo inteiro, verdadeiramente nascido, ultrapassado todo o sofrimento, imortal, primogênito de entre os mortos. Tendo assim trazido ao mundo a salvação de todos nós na paixão de seu único Filho, a Virgem é claramente a Mãe de todos nós.

COM MINHAS BÊNÇÃOS
Padre Eduardo Malaspina

TU ÉS A VERDADE: SÓ A TI PROCURO
11/9/2009
 

Santo Agostinho




Para você, esta intensa oração de Santo Agostingo, buscador de Deus, buscador da Verdade:





A partir de agora,

só amo a ti, só teu quero ser, só a ti procuro, só a ti estou disposto a servir,

pois só tu governas com justiça e sob tua direção quero me colocar.



Manda, eu te peço, ordena tudo o que quiseres,

mas sara e abre os meus ouvidos, para que eu ouça as tuas palavras.

Sara e abre os meus olhos, para que veja a tua vontade.

Livra de todas as alienações o meu espírito,

para que possa te reconhecer.



Dize-me por onde hei de dirigir os meus esforços, para chegar a te contemplar.

Espero assim cumprir todas as tuas ordens.

Acolhe, suplico-te, este fugitivo, ó Senhor, ó Pai clementíssimo!



Já sofri por tempo demasiado,

fui escravo de teus inimigos que tens debaixo dos pés;

basta de ser joguete de falsas aparências.

Recebe o teu servo que agora foge daquelas vaidades...



Abre-me a porta porque estou chamando.

Ensina-me como chegar perto de ti.

Nada tenho senão minha boa vontade.

Nada sei a não ser o que merece descaso: tudo o que é mutável e efêmero,

e só é digno de ser procurado o que é imutável e eterno.



E isso, ó Pai, é o que faço, porque é a única coisa que sei.

Ignoro, todavia, como chegar a ti.



Aconselha-me, indica-me o caminho,

dá-me os meios necessários para prosseguir.

Se é pela fé que te encontram os desviados que a ti recorrem, dá-me a fé!

Se é pela virtude, dá-me a virtude!

Se é pelo conhecimento, dá-me o conhecimento!

Aumenta-me a fé, aumenta-me a esperança, aumenta-me o amor!

Como é admirável e sem igual tua bondade!




COM MINHAS BENÇÃOS
Pe. Eduardo

ORAÇÕES NA FESTA DA NATIVIDADE DE NOSSA SENHORA
9/9/2009
 



Ontem, dia 8 de setembro, a Igreja celebrou a Natividade da Virgem Maria. Para você, caro Visitante, duas belíssimas orações da liturgia oriental para a Festa:


O teu nascimento, ó Mãe de Deus,

anunciou a alegria a toda a terra!

Com efeito, de ti nasceu o Sol da justiça,

o Cristo nosso Deus.

Tendo dissolvido a maldição, Ele nos deu a bênção

e, destruindo a morte, nos deu a vida eterna!



Alegre-se o céu e exulte a terra

porque hoje nasceu o Céu de Deus!

É a Esposa de Deus, fruto da promessa;

a Menininha que levará Deus em si,

Morada da divindade, Montanha santíssima!

Ela é a Porta selada, que Ezequiel anunciou,

reservada somente ao nosso Deus:

por ela passou o Senhor, por ela avançou o Altíssimo

e a deixou intacta,

libertando da corrupção a nossa vida!


COM MINHAS BÊNÇÃOS
Pe. Eduardo Malaspina

CASAMENTO, TÊNIS E FRESCOBOL
6/9/2009
 






Gosto muito do poeta Rubem Alves. Além de tirar musicalidade das palavras, como todo bom mineiro sabe fazer, ele também é psicanalista, educador, escritor e professor emérito da Unicamp. Essa comparação de casamento é muito interessante! Já utilizei em minhas pregações essa comparação! O texto é inteiramente dele. Vale a pena ler e meditar se em seus relacionamentos você tem jogado mais tênis ou mais frescobol.

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os
casamentos(relacionamentos) são de dois tipos:
Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.

Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e
terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de
alegria e têm a chance de ter vida longa. Explico-me.

Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo
inteiramente.

Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria
se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria, capaz de conversar com
prazer com esta pessoa até sua velhice"? Tudo o mais no casamento é
transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas
sobre a arte de conversar."

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da
cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os
prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme "O
Império dos Sentidos". Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o
amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da
palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma
noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música.
A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade:
é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com
as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer
carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo..."
Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, "eu te amo" não quer dizer
mais nada". "É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em
sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética". Recordo a sabedoria de
Adélia Prado:

"Erótica é a alma".

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua
derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.
Joga-se tênis para fazer o outro errar.

O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu
adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua "cortada" palavra
muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar,
interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente
no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi
colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e
uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca.
Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o
maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o
outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser
derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz
quando o outro erra, pois, o que se deseja é que ninguém erre.

E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado..
Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que
ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de
palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá... Mas há
casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis.

Ficam à espera do momento certo para a cortada.

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo,
como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o
distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde. Já no frescobol é
diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se
sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele
que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem
livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois
ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o
jogo nunca tenha fim...


Um abraço fraterno!
Com minhas bençãos
Pe. Eduardo

DOM HELDER, CEM ANOS DO SEU NASCIMENTO
31/8/2009
 



Ao completar o centenário do nascimento de Dom Hélder Câmara, ocorrido em 7 de fevereiro de 1909, faz-se oportuno e justo recordar alguns momentos marcantes de sua trajetória e o testemunho de sua densa religiosidade e do seu compromisso com os excluídos.

Nascido em Fortaleza, Ceará, no seio de uma influente família de jornalistas, advogados, políticos e professoras, e na qual faltava um padre para confirmar a tradição das famílias ilustres do início do século, o jovem Hélder Pessoa Câmara foi ordenado sacerdote em 1931, aos "22 anos e meio". Desde o início, Hélder Câmara combinou o seu apostolado com a ação política e, já em 1932, a convite de Plínio Salgado, ingressa na Ação Integralista Brasileira (AIB) – versão tupiniquim do fascismo italiano –, tornando-se o principal propagandista do movimento em seu estado.

A partir do final da década de 1930, o então padre Hélder passou por um longo e demorado percurso de conversão para as idéias democráticas e humanistas. O radicalismo fascista dos integralistas tornou-se inconveniente até para um regime ditatorial como o de Getúlio Vargas, que colocou a AIB na ilegalidade. A Igreja Católica tinha um pacto informal de colaboração com o Governo de Vargas e isso fez com que o Cardeal Sebastião Leme, do Rio de Janeiro, na época a maior autoridade eclesiástica no país, ordenasse o afastamento do jovem padre Hélder Câmara da Ação Integralista Brasileira. Aqui é importante destacar duas importantes contribuições intelectuais na vida do padre Hélder: a leitura da obra Humanismo Integral, de Jacques Maritain, e a convivência, no Rio de Janeiro, com o intelectual e líder leigo Alceu Amoroso Lima, que também passava por uma transição para o pensamento democrático.

Na década de 1940, o Brasil passava por um intenso processo de industrialização e de urbanização, com grandes ondas migratórias do campo para as cidades e, após o fim da ditadura de Getúlio Vargas, em 1945, estava também democratizando a sua vida política sob forte influência dos movimentos sociais e do Partido Comunista nas áreas urbana e rural. Nesse cenário, a Igreja Católica começava a se deparar com a expansão das denominações protestantes, então, Padre Hélder Câmara propôs e organizou uma vigorosa participação do laicato católico na vida política do país através dos movimentos de Ação Católica, com ênfase nos específicos para a juventude, a exemplo da Juventude Operária Católica (JOC) e da Juventude Universitária Católica (JUC). Com isso, ele conseguiu difundir entre os católicos a idéia de uma missão temporal, de responsabilidade de todos com o cuidado com as condições de vida, com a integridade dos mais pobres, ao invés da preocupação exclusiva com a salvação da alma dos fiéis, que caracterizava o ideário católico até então. De acordo com as palavras de Thomás Bruneau:

Antes da ação da Igreja na promoção da mudança social, houve a elaboração, por um grupo de bispos, de uma ideologia que justificava e urgia tal atividade. A formulação dessa ideologia resultou de um trabalho consciente de Dom Hélder, a força propulsora que anima o setor progressista da Igreja. Ele estava consciente de que qualquer instituição, incluindo a Igreja, deve ter líderes que esbocem as linhas mestras e estabeleçam objetivos. Era ele um desses líderes, cercado de um grupo de uns dez outros bispos, duas ou três vintenas de padres, e mais ou menos o mesmo número de leigos jovens e ativos (1974, pág. 147).

Como explicitaria melhor nos encontros dos Prelados da Amazônia e do Vale do São Francisco de 1952, muito longe de propor o caminho da revolução social como solução para os problemas do país, Dom Hélder defendia a colaboração entre a Igreja, os sindicatos rurais e o Estado para a promoção de reformas sociais de base.

No mesmo período, agregou os bispos brasileiros na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que ele funda e comanda como Secretário Geral até 1964 e que viria a se tornar a instituição de mais influência sobre a atualização da inserção política e social da Igreja Católica no Brasil nos últimos 50 anos.

A condição de representante do episcopado brasileiro, na época, levou Dom Hélder a apoiar o Movimento de Educação de Base (MEB), ligado à CNBB e financiado pelo Governo Federal, que se constituiu como uma iniciativa inédita dos católicos no campo da educação popular. O objetivo do MEB não era simplesmente alfabetizar o trabalhador rural, mas possibilitar uma educação integral que desenvolvesse a consciência política, social e religiosa dos participantes. Na formação dos educandos, deveria ocorrer um processo de "conscientização" que começaria com a alfabetização dos adultos através da valorização do código oral e da cultura popular. Simultaneamente os participantes passariam a interpretar a sua condição de vida como resultado das injustiças existentes na estrutura da sociedade brasileira. O passo seguinte seria a luta pela transformação da sociedade através da ação comunitária dos trabalhadores.

Já como arcebispo de Olinda e Recife e bem-relacionado com a cúpula militar, que tomaria o poder no país após o golpe de 1964, assume uma difícil posição de "neutralidade e expectativa" que o leva a se encontrar várias vezes com os presidentes Castelo Branco e Costa e Silva, visando "aparar as arestas" no relacionamento entre a Igreja e o regime ditatorial, até passar a ser também perseguido em razão da defesa que fazia dos presos políticos. Dom Hélder teve a coragem de dizer “não” aos poderosos ao denunciar publicamente que o Regime Militar promovia torturas e o extermínio físico de membros da oposição ao governo. Sua atuação foi, de fato, heróica e destemida, um exemplo extraordinário de um homem indignado com as circunstâncias em que viviam os seus semelhantes em nosso país.

No plano internacional, Dom Hélder contribuiria para a fundação do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) e, nos bastidores do Concílio Vaticano II (1962-1965), trabalharia em favor de reformas internas na Igreja Católica, mas procurando não entrar em confronto com as orientações do Papa Paulo VI, com quem mantinha uma grande amizade. Requisitado conferencista internacional, a defesa que fazia pelos direitos humanos, pelo fim da exploração dos países pobres pelos ricos e pela paz mundial valera-lhe inúmeros prêmios, distinções e doutorados Honoris Causa, concedidos pelas mais prestigiosas instituições mundiais, credenciando-o como candidato ao Prêmio Nobel da Paz nos anos 1970.

Após ser cogitado pelo embaixador Charles Elbrick, dos Estados Unidos, como um possível presidente do Brasil em uma virtual saída civil à ditadura militar, os ocupantes do poder trataram de evitar o crescimento do seu prestígio dentro e fora do país e conseguiram inviabilizar sua candidatura ao Prêmio Nobel através de uma sigilosa campanha que contou com a colaboração de empresários noruegueses e brasileiros, dentre os quais os donos do jornal O Estado de São Paulo, para influenciar na decisão do Comitê do Parlamento Norueguês, responsável pela atribuição do prêmio. Para silenciá-lo, o governo brasileiro proibiu que notícias a seu respeito fossem veiculadas na imprensa. Vários de seus colaboradores foram perseguidos, presos e torturados, um dos quais chegando a ser barbaramente assassinado, o jovem padre Antonio Henrique Pereira Neto, em um crime ainda não totalmente esclarecido.

Para o estudioso do catolicismo brasileiro Ralph Della Cava, "não resta dúvida que Dom Hélder faz par com Getúlio Vargas como líder político consumado" e, ao lado dos cardeais Arcoverde e Leme, "... está entre os maiores líderes religiosos no Brasil dos últimos 100 anos” (Della Cava, 1975, pág. 34).

Foi pelo seu exemplo de vida que Dom Hélder se tornou esta figura emblemática inesquecível. O boicote que Dom Hélder sofreu por anos por parte do regime militar brasileiro; o fato dele ter sido preterido várias vezes para ganhar o Prêmio Nobel da Paz e até mesmo o silenciamento que o Vaticano impôs sobre ele, restringindo suas viagens internacionais e suas manifestações públicas, considero que são episódios secundários diante da grandeza de sua obra e do seu legado. Ele não deixou de fazer o que acreditava que fosse a sua missão enquanto teve condições para isso e deixou-nos uma grande herança, como a firmeza dos seus princípios, sempre combinada com uma atitude totalmente aberta para o diálogo. Dom Hélder sabia onde pretendia chegar com a sua voz e com o testemunho da sua vida e, nesse sentido, ele pode ser considerado um grande estrategista, pois usava a sua capacidade pessoal extraordinária para defender os posicionamentos políticos mais democráticos e socialmente generosos. Nessa empreitada, não podemos esquecer o seu incansável e esperançoso esforço como religioso para reformar a Igreja de Cristo, livrando-a dos compromissos com os poderosos e aproximando-a cada vez mais das necessidades das camadas populares.

Dom Hélder faleceu em Recife no dia 27 de agosto de 1999. Como exemplo de vida nos deixou a sua capacidade inigualável de dialogar e conviver com pessoas comuns, grupos políticos e até religiosos que o consideravam como adversário. Também transmitiu-nos sua firmeza para denunciar desmandos e para propor mudanças sociais profundas, inclusive na estrutura da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, marcou-nos a sua serenidade na busca do entendimento através de uma atuação política pacífica. Hoje, quando propomos o respeito às diferenças e a tolerância nas relações sociais, não estamos apresentando nenhuma novidade em relação ao discurso e à prática de Dom Hélder nas décadas de 1960 e 1970. Esse missionário soube preservar e transmitir valores que atualmente animam os espíritos mais generosos e comprometidos com a construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária. (Walter Praxedes)


Uma boa semana a todos!
Nas coisas da fé e nas causas do Reino estaremos diariamente unidos.
Pe. Eduardo Malaspina

DOM HELDER CÂMARA
31/8/2009
 






"...quando dou pão aos pobres,
chamam-me de santo, quando
pergunto pelas causas da pobreza,
me chamam de comunista."...
Dom Hélder Câmara

TEXTO DE SANTO AGOSTINHO SOBRE SUA MÃE
28/8/2009
 



Procuremos alcançar a sabedoria eterna
Estando bem perto o dia que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem. Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.
Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, o Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou não sei. Toda a esperança terrena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”.
O que lhe respondi não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me e mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”
Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isso, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Olha o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminado como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia de sua doença, aos cinqüenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.


FÓRMULA PARA NÃO BRIGAR
28/8/2009
 
A vida de Mônica, a mãe de Santo Agostinho não foi fácil. Casou-se por impossição dos pais com Patrício. Este era um bom trabalhador, mas com um terrível mal gênio, e além disso mulherengo, jogador, sem religião e nem gosto pela vida espiritual.
A fez sofrer muito e por trinta anos ela teve que agüentar os tremendos estalidos de ira de seu marido que gritava pelo menor motivo, mas este jamais se atreveu a levantar a mão contra ela. Tiveram três filhos : dois homens e uma mulher. Os dois menores foram sua alegria e consolo, mas o mais velho Agostinho, derramou lágrimasa por dezenas de anos.

Naquela região do norte da África, onde as pessoas eram agressivas, as demais esposas perguntavam a Mônica porque seu marido era um dos homens de pior gênio em toda a cidade, mas não a agredia nunca, e ao contrário os esposos delas as agrediam sem compaixão.
Mônica respondeu-lhes: "É que quando meu marido está de mal humor, eu me esforço para estar de bom humor. Quando ele grita, eu me calo. E como para brigar precisam de dois e eu não aceito a briga...não brigamos". Esta formula fez-se célebre no mundo e serviu a milhões de mulheres para manter a paz em casa.

Patrício não era católico, e ainda que criticasse o muito rezar de sua esposa e sua generosidade tão grande com os pobres, nunca se opunha a que ela se dedicasse a estas boas obras, e quiçá por isso mesmo conseguiu sua conversão.
Mônica rezava e oferecia sacrifícios por seu marido e ao fim alcançou de Deus a graça de que no ano 371 Patrício se deixasse batizar, e que o mesmo o fez a sogra, mulher terrivelmente colérica que por meter-se demasiadamente no lar de sua nora tinha amargado a vida da pobre Mônica. Um ano depois de seu batismo, morreu santamente Patrício, deixando a pobre viúva com o problema do filho mais velho.

Que o exemplo nos ajuder a viver de forma diferente os nossos relacionamentos familiares.
Um abraço!
Com minhas bençãos!!
Pe. Eduardo Malaspina

TARDE TE AMEI!!!
28/8/2009
 






Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!


Tarde demais eu te amei!


Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!


Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.


Estavas comigo, mas eu não estava contigo.


Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.


Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.


Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.


Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.


Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz...


Santo Agostinho

SANTA MÔNICA, MULHER FORTE
27/8/2009
 
A grandeza da santidade de Agostinho influiu para que sua festa fosse precedida pela de sua santa mãe. A sua vida só é conhecida por nós através das “Confissões” do filho, que tem sobre ela paginas estupendas. Crista de fé robusta, profundamente piedosa, alcançou com sua bondade converter o marido pagão e irascível, e com a força das preces e das lagrimas, o filho transviado. Esperou dezesseis anos com incrível paciência que Agostinho se emendasse. Em busca de aventura, o filho foi para a Itália. Mônica por sua vez, foi a Roma procura-lo, depois a Milão, onde assistiu ao seu batismo. Não mais voltou a África, pois morreu em Óstia, antes do embarque. Forte de ânimo, ardente na fé, firme na esperança, de inteligência brilhante, sensibilíssima às exigências da convivência, assídua na oração e na meditação da Sagrada Escritura.

DOIS AMORES, DUAS CIDADES
26/8/2009
 






Do Sermão de Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona e doutor da Igreja:

Há duas cidades; uma chama-se Babilônia, a outra Jerusalém. O nome de Babilônia significa «confusão»; Jerusalém significa «visão de paz».

Olhai verdadeiramente a cidade de confusão para melhor conhecerdes a visão de paz; suportem a primeira, aspirem à segunda.

O que é que permite distinguir estas duas cidades? Podemos desde já separar uma da outra? Elas estão mescladas uma na outra e, desde o aparecimento do gênero humano, encaminham-se assim até ao fim dos tempos.

Jerusalém nasceu com Abel, Babilônia com Caim... As duas cidades materiais foram construídas mais tarde, mas elas representam simbolicamente as duas cidades imateriais cujas origens remontam ao início dos tempos e que devem durar aqui em baixo até ao fim dos séculos. O Senhor então separá-las-á, quando puser uns à sua direita e outros à sua esquerda (Mt 25,33)...

Mas há qualquer coisa que distingue, mesmo agora, os cidadãos de Jerusalém dos cidadãos de Babilônia: são dois amores. O amor a Deus faz Jerusalém; o amor ao mundo faz Babilônia. Perguntai o que amam e sabereis de onde são. Se achardes que são cidadãos de Babilônia, arrancai da vossa vida a cobiça, plantai em vós a caridade; se achardes que são cidadãos de Jerusalém, suportai pacientemente o cativeiro, tende esperança na vossa libertação. Com efeito, muito cidadãos da nossa santa mãe Jerusalém (Gl 4,26) estavam de início cativos de Babilônia...

Como pode despertar-se em nós o amor a Jerusalém, nossa pátria, da qual a duração do exílio nos fez perder a lembrança? É o próprio Pai quem, a partir de lá, nos escreve e reaviva em nós pelas suas cartas, que são as Santas Escrituras, a nostalgia do regresso.



“OS PADRES SÃO SERES MISTERIOSOS POR VÁRIOS MOTIVOS
25/8/2009
 



Nesse ano sacerdotal é oportuno que nós reflitamos sobre a pessoa do presbítero. Há uma breve reflexão de Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga brasileira, que ao analisar o perfil do Padre e a sua identidade conclui: “Os padres são seres misteriosos por vários motivos.

Em primeiro lugar porque intrigam as pessoas. Em uma sociedade do lucro, do sucesso e do erotismo como é a nossa, é algo esperado que escandalize boa parte das pessoas o fato de que alguém saudável e inteligente escolha um caminho de vida baseado na pobreza, na humildade, na castidade e no serviço. Neste sentido, o padre, talvez hoje mais que nunca, é sinal de contradição. É misterioso, neste sentido, porque é diferente; porque ninguém entende bem o por quê de sua vocação e sua missão. E a nosso ver, é altamente positivo que assim seja. O seguimento de Jesus Cristo promete ser sinal de escândalo e estranhamento para todos. Os padres, que desejam configurar-se a Cristo, não poderiam estar fora de tal situação.

Por outro lado, o padre é um ser misterioso, porque seu segredo está no mistério de salvação que dá vida ao mundo: o próprio mistério de Deus revelado em Jesus Cristo e confirmado a cada passo e a cada momento por seu Espírito, que habita em cada um de nós, que preside e dirige a Igreja e que foi derramado sobre toda história e toda carne. O padre é alguém especialmente chamado, juntamente com todos os batizados, a dar testemunho deste mistério, que é o sentido maior e a mola propulsora de sua vida de serviço e relação. Homem que administra os mistérios divinos, o padre é ou deve ser alguém que deles vive. Se assim não for, seu sacerdócio não poderá realizá-lo e seu serviço não levará a bom porto o povo que lhe foi confiado.” (Medeiros, Kátia Maria e Fernandes, Silvia Regina; O Padre no Brasil: interpelações, dilemas e esperanças, Loyola, 2005.)


Vamos nos comprometer em orar sempre mais pelos sacerdotes que Deus colocou em nosso caminho. Como diz uma canção "marcas do Eterno estão neles!"
Um abraço fraterno!
Padre Eduardo Malaspina

JUIZ EVANGÉLICO DEFENDE O CRUCIFIXO
22/8/2009
 




Juiz evangélico defende crucifixos em repartições públicas

Dr. William Douglas, evangélico: 'Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo'. "Embora cristão, as doutrinas católicas diferem em muitos pontos do que eu creio, mas se foram católicos que começaram este país, me parece mais que razoável respeitar que a influência de sua fé esteja cristalizada no país." Este é um trecho do artigo do juiz titular da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ), William Douglas, publicado nesta semana, no site Consultor Jurídico. O magistrado, que se denomina evangélico, critica a ação do Ministério Público Federal que pede a retirada de símbolos religiosos nos locais públicos federais de São Paulo.

"Querer extrair tais símbolos não só afronta o direito dos católicos conviverem com o legado histórico que concederam a todos, como também a história de meu próprio país e, portanto, também minha. Em certo sentido, querer sustentar que o Estado é laico para retirar os santos e Cristos crucificados não deixaria de ser uma modalidade de oportunismo" .

Para o juiz William Douglas, muitos que são contrários à permanência dos símbolos religiosos em repartições públicas, na verdade professam uma nova religião, a "não religião". "Quando vejo o crucifixo com uma imagem de Jesus não me ofendo por (segundo minha linha religiosa) haver ali um ídolo, mas compreendo que em um país com maioria e história católica aquela imagem é natural".

"Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas, as verei nas repartições públicas e saudarei aos católicos, que começaram tudo, à liberdade de culto e de religião, à formação histórica desse país e, mais que tudo, ao fato de viver num Estado laico, onde não sou obrigado a me curvar às imagens, mas jamais seria honesto (ou laico, ou cristão, ou jurídico) me incomodar com o fato de elas estarem ali".


Louvado seja Deus !

CONSELHOS DE UM REI SÁBIO E PAI FIEL
21/8/2009
 



Caro internauta, veja que belos conselhos do santo rei São Luís, Padroeiro da França, para o seu filho. Nascido em 1214, Luís foi feito rei da França aos 21 anos de idade. De seu casamento teve onze filhos que educou, ele mesmo, de modo excelente. Distinguiu-se peIo espírito de penitência e de oração e amor aos pobres. No governo do reino preocupava-se mais com o proveito espiritual dos súditos do que com a paz dos povos e bem material. Empreendeu cruzadas para a libertação do Santo Sepulcro de Cristo e morreu perto de Cartago, em plena guerra, em 1270.


Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar ao Senhor, teu Deus, com todo a teu. coração, com todas as forças; pois sem isto não há salvação. Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal.

Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças; considera suceder tal coisa em teu proveito e que talvez a tenhas merecido. AIém disto, se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofendê-lo por seus dons.

Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuida de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente quer pelos lábios quer pela meditação do coração.

Guarda a coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quanto puderes, auxilia-os e consola-os. Por todos os benefícios que te foram dados por Deus, rende-lhe graças para te tornares digno de receber maiores. Em relação a teus súditos, sê justo até ao extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; e põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade. Procura com empenho que todos os teus súditos sejam protegidos pela justiça e pela paz, principalmente as pessoas eclesiásticas e religiosas.

Sê dedicado e obediente à nossa mãe, a Igreja Romana, e ao Sumo Pontífice, como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia.

Ó filho muito amado, dou-te enfim toda benção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal. Que o Senhor te conceda a graça de fazer sua vontade de forma a ser servido e honrado por ti. E assim, depois desta vida, iremos juntos vê-Io, amá-Io e Iouvá-Io sem fim. Amém.





DEIXA TUDO QUEM SE DEIXA
20/8/2009
 



Para você, caro Visitante, este estupendo texto das homilias de São Gregório Magno (540-604), papa e doutor da Igreja:

Ouvistes, meus irmãos, que Pedro e André abandonaram as redes para seguirem o Redentor ao primeiro apelo da sua voz (Mt 4,20)... Talvez algum de vós diga baixinho: "Para obedecer ao apelo do Senhor, que é que aqueles dois pecadores abandonaram, eles que não tinham quase nada?" Mas, nesta matéria, temos de considerar as disposições do coração mais do que os bens que se possuem.

Deixa muito aquele que não retém nada para si; deixa muito aquele que abandona tudo, mesmo se não é muita coisa. Quanto a nós, aquilo que possuímos, conservamo-lo com paixão, e, o que não temos, buscamo-lo com todo o nosso desejo.

Sim, Pedro e André deixaram muito, pois um e outro abandonaram mesmo o desejo de possuírem. Abandonaram muito porque, renunciando aos seus bens, renunciaram também às suas ambições. Seguindo o Senhor, renunciaram a tudo o que teriam podido desejar se o não tivessem seguido.

ORAR E SEUS BENEFÍCIOS
19/8/2009
 




Caro internauta, oração é sempre um desafio a ser vencido a cada dia. Em meu livro "Dialogando com Deus" eu digo que orar é vencer o inimigo que somos nós mesmos!! Não é verdade? São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos e de todo sacerdote já no século XIX ensinava sobre os beneficios e as dificuldades daquele que ora.
Vamos saborear esse escrito! Boa leitura!!!


Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero (séc XIX):

Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.

A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só,de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender.

Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.

Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.


Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.


Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.


Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.


PRECE A NOSSA SENHORA ASSUNTA AOS CÉUS
15/8/2009
 



Maria Virgem, minha Mãe tão santa e boa,

que lugar mais digno para ti do que o céu imenso, com os anjos ao teu redor, cantando a glória de Deus, Nosso Senhor?

E que alegria maior do que estar com teu Jesus, Filho único de teu ventre?

Pensa como é bom encontrar com Joaquim e Ana, teus boníssimos e santos pais

e lembrar dos dias de tua infância em que eles te falavam do Deus de Israel.

Que emoção em rever Isabel, tua santa prima, e também Zacarias, seu fiel esposo,

e reviverem aqueles momentos em que Deus preparava seu caminho entre os homens

e os anjos traziam obedientes as mensagens que anunciavam o Messias.

Doces são as memórias de uma mãe e a tua, Maria Virgem,

está repleta dos mínimos gestos de teu Filho, desde o primeiro instante lá na gruta

até a última lágrima na cruz...

José, sempre sereno, te esperava com saudades de Nazaré.

Que festa não te fazem os pastores daquela noite santa, ao te reconhecerem pelo sorriso,

bem junto de teu Jesus, o Salvador que lhes fora anunciado.

O que não dizer dos apóstolos que contigo estavam no dia de Pentecostes?

Tão emocionados, choram aos teus pés e te beijam as mãos.

Pedro te abraça como filho, e João não se sente outra coisa, e parece

que, novamente, estão todos na mesma casa.

Logo chega Marta, atarefada com os anjos, e Maria vem com Lázaro, ambos na felicidade dos bem-aventurados de Deus.

Os evangelistas se regozijam e os profetas exultam,

os mártires te veneram e as virgens entoam louvores.

Os sacerdotes se ajoelham, os consagrados rejubilam, as mães a ti se achegam confiantes.

As crianças brincam nas estrelas de teu manto de Rainha

e os querubins as repõem ainda mais belas e puras.

Três pastorinhos lá da terra do Tejo andam ao teu encalço e dançam inebriados pela tua luz.

Santos e santas de Deus, no hoje da eternidade, no infinito do céu,

festejam a tua assunção à glória que teu Deus e Senhor,

desde o sempre, a ti reservou.

Teu trono de Rainha foi entalhado pelos anjos.


FESTA DA ASSUNÇÃO
15/8/2009
 



Celebramos hoje a festa da ASSUNÇÃO de Nossa Senhora.
É uma verdade de fé definida pela Igreja em 1950 (Pio XII).
Mas esse fato já era aceito pelos primeiros cristãos.

Em Jerusalém, há duas igrejas de Nossa Senhora:
- da "Dormição", onde Maria teria morrido…
Na cripta, aparece sobre uma mesa a "Virgem adormecida".
- do "Túmulo" de Maria, no Getsêmani, onde Maria teria sido enterrada.
Ao lado do túmulo uma pintura da Assunção de Nossa Senhora…

Essa festa nos convida a erguer o olhar para o céu, onde Nossa Senhora
é glorificada em corpo e alma, junto a Jesus ressuscitado,
e onde também nós somos esperados.

QUAL O SENTIDO DA FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA?
15/8/2009
 



O SENTIDO DA FESTA: uma Mulher SINAL

- A primeira e a mais perfeita discípula de Cristo.
A Virgem se constitui em imagem e tipo de Igreja na ordem da fé,
da caridade e da união perfeita com Cristo.
Maria encarnou em sua pessoa e em sua vida terrena,
o ideal de santidade do seguidor de Cristo.
- Sinal escatológico da Igreja:
Maria Assunta é figura e primícia da Igreja que um dia será glorificada;
é consolo e esperança do povo ainda peregrino na terra.
É a Ponte da passagem de Israel para a Igreja.

- É um Sinal humano de esperança.
A contemplação de Maria na glória nos faz ver a vitória
da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão,
das perspectivas eternas sobre as temporais, da vida sobre a morte.

+ Maria é um modelo cristão para hoje ?
"A Virgem Maria sempre foi proposta pela Igreja à imitação dos fiéis
não precisamente pelo tipo de vida que levou, dentro do ambiente em que viveu, hoje superado, mas sim porque ela aderiu totalmente à vontade de Deus,
porque soube acolher a sua palavra e pô-la em prática,
porque a sua ação foi animada pela caridade e pelo espírito de serviço,
porque foi a primeira e mais perfeita discípula de Cristo". (Paulo VI)

+ Maria sinal do amor de Deus.
Na vida sentimos necessidade de expressões de amor e sinais de carinho,
que os outros têm para conosco e que temos pelos outros:
uma saudação, um beijo, uma carta, um gesto, um sorriso...
Na vida espiritual também necessitamos desses sinais...
Cristo é o grande Sacramento do Pai e Maria é o sinal perene e maternal
do amor que Deus nos tem em Cristo Jesus nosso Senhor.

A festa de hoje é sinal do que Deus prepara
para os que são capazes de amar e servir.
É a antecipação do que Deus quer doar: a plena felicidade...

Neste mês vocacional, a Igreja também nos apresenta outra pessoa
que deve ser UM SINAL DE DEUS no meio do povo e
para quem Maria é um modelo a ser seguido: o Religioso e a Religiosa...

Como Maria, os religiosos também:
- fazem uma consagração especial: a Deus e aos irmãos...
- devem ser um SINAL de DEUS no meio do Povo...

Esta festa desperta e reforça a nossa ESPERANÇA,
porque a vitória de Cristo e de sua Mãe assegura também nossa vitória:
nos aponta o destino que Deus quer para todos.

E essa vitória será possível se, a exemplo de Maria,
formos fiéis à Palavra de Deus, tivemos um coração humilde
e estivermos atentos às necessidades dos irmãos...

E como Maria foi um sinal de esperança...
rezemos para que os religiosos também continuem sendo ainda hoje
no meio do povo: UM SINAL DE DEUS...

Fraternalmente
Pe. Eduardo Malaspina

O ENSINAMENTO DE UM LÁPIS
12/8/2009
 



A família é o privilegiado lugar escolhido por Deus, para aí derramar a sua bênção. Família é lugar de acolher essa bênção e de multiplicá-la.
Para ser lugar da bênção de Deus, muitas vezes, não se precisa de muita coisa. Pequenos detalhes fazem um grande amor. Um grande amor não é feito de grandes coisas, não. Grandes coisas qualquer pessoa faz, tanto para o bem, quanto para o mal, se ela estiver no desespero. Agora, fazer a cada dia pequenas coisas de modo extraordinariamente maravilhoso, só quem tem o Espírito Santo de Deus; do contrário, não consegue. E aí está a santidade. Esse é o segredo.
Nessa metáfora do lápis podemos perceber o quanto as boas qualidades farão a diferença na restauração de nosso lar, da nossa família.

O menino olhava a avó escrevendo uma carta.
A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco?
E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade.
Entretanto, mais importante do que as palavras,
é o lápis que estou usando.
Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
- Tudo depende do modo como você olha as coisas.
Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las,
será sempre uma pessoa em paz com o mundo.

"Primeira qualidade:
Você pode fazer grandes coisas,
mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos.
Esta mão nós chamamos de Deus,
e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade".

"Segunda qualidade:
De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo,
e usar o apontador.
Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final,
ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores,
porque elas o farão ser uma pessoa melhor."

"Terceira qualidade:
O lápis sempre permite que usemos uma borracha
para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos
não é necessariamente algo mau, mas algo importante
para nos manter no caminho da justiça".

"Quarta qualidade:
O que realmente importa no lápis não é a madeira
ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro.
Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você."

"Finalmente, a quinta qualidade do lápis:
ele sempre deixa uma marca.
Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida,
irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação".

Nas coisas da fé e nas causas do Reino estaremos diariamente unidos.
Um abraço fraterno e amigo.
Padre Eduardo Malaspina



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12/8/2009
 



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“Família, Igreja Doméstica, Caminho para o Discipulado”
11/8/2009
 



A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB e a Comissão Nacional da Pastoral Familiar lançaram o subsídio “Hora da Família”, cujo tema deste ano é: “Família, Igreja Doméstica, Caminho para o Discipulado”, em articulação e comunhão com a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética num compromisso conjunto com o Ano Catequético.
Com a Semana Nacional, a Igreja quer, uma vez mais, salientar a importância da família. Pois, a Igreja sabe que é fundamental um olhar atento dirigido à família, patrimônio da humanidade que deve ser considerada “um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2008-2010, n. 128).
Na verdade, tudo passa pela família. Para o ser humano tudo começa na família. A família é a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade. Ela participa decisivamente no desenvolvimento da sociedade. É o lugar privilegiado para forjar no coração do homem os valores perenes, sejam eles espirituais ou civis.
É na família também que se inicia a educação para o valor da vida, de cada vida humana, onde se aprende o valor da liberdade consciente, para o sentido da dor e da morte, forma-se a consciência, para o repúdio à mentalidade e prática abortista, às pesquisas com embriões humanos, à eutanásia, e para o desenvolvimento da solidariedade e respeito aos idosos.


Manifesto em Favor da Familia
11/8/2009
 



Os Bispos do Brasil, reunidos na 47ª Assembleia Geral da CNBB, em Itaici, Indaiatuba (SP), nos dias 22 de abril a 1º de maio de 2009, divulgaram “Manifesto em favor da Família” onde reafirmam que “Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher ele os criou (cf. Gn 1,27), destinando-os à plena realização na comunhão de vida, de amor e de trabalho. Por essa razão, o matrimônio e a família constituem um bem para os esposos e a sociedade. O amor conjugal aberto à geração e educação dos filhos proporciona a experiência de paternidade e maternidade através das quais os pais se tornam colaboradores do Criador”.


Situações que não dão manchete na Midia
11/8/2009
 



Não podemos fechar os olhos sobre a realidade familiar, mas também não podemos desistir de reconhecer quantas maravilhosas experiências familiares ainda existem em nossas comunidades paroquiais. Tem muitos casais se esforçando de viver de acordo, numa mútua disputa em generosidade e compreensão, sem machismo ou feminismo. Têm muitos pais oferecendo tudo o que podem aos seus filhos, mas sem mimá-los, sem tirar-lhes o gosto do esforço e da conquista, fruto da própria perseverança e do próprio sacrifício. Têm muitos avôs criando netos e muitos filhos e netos tomando conta de pais e de avôs em dificuldade, com muito carinho e dedicação. Estas situações não dão manchete, não são divulgadas, porque parecem obvias, banais, rotineiras. Assim são noticiados somente os escândalos, as violências familiares, as infidelidades. Amar e servir parece sem graça. Fazer sofrer, tirar a alegria da vida, prejudicar, talvez para sempre, uma criança ou um adolescente, isso sim, infelizmente, chama atenção. Precisamos defender as nossas famílias, também da poluição das notícias, da mistificação da felicidade, das emoções traiçoeiras. Palavras como serenidade, paz, alegria, perdão, reconciliação, unidade familiar, comunhão, parecem fora de moda.
Faz mais barulho uma briga de casal ou uma separação, sobre tudo quando é de gente “famosa”, que a convivência pacífica e tranqüila de milhares de famílias. Com isso muitos jovens acabam confundindo amor com sexo, convivência com família, responsabilidade com superficialidade, compromisso com descaso, fidelidade com “amor eterno, até quando dure”. E assim por adiante.


Oração (Dom Paulo Macarenhas Roxo, Opraem)
Pai de ternura,
Deus da Vida e da Paz,
somos a vossa família,
a família do vosso coração.

Enchei-nos com o vosso Espírito,
Fazei-nos sempre mais fiéis ao vosso filho Jesus,
e, através de nós,
comunicai ao mundo o vosso Amor.

Com o carinho de Maria, Mãe de família,
a vossa e a nossa família será sempre
fonte de Vida e Construtora de Paz.

Amém


Um abraço fraterno e amigo
Pe. Eduardo Malaspina

P.S. Deixe um alô em meu e-mail. Procure nessa página do Blog "Fale com o Padre" e fique a vontade!!!



Semana Nacional da Família acontece de 9 a 15 de agosto
10/8/2009
 



Caro internauta

Todo ano a Igreja tem uma preocupação de suscitar nas diversas comunidades uma reflexão mais aprofundada sobre o valor da família. Chamamos de Semana Nacional da Família, que acontece no mês de agosto, mês vocacional, com abertura no domingo do Dia dos Pais. Ela teve início em 1992, como resposta à inquietação, ao descontentamento e desejo de se fazer alguma coisa em defesa e promoção da família, cujos valores, hoje, provavelmente mais que em outros tempos, vêm sendo agredidos sistematicamente em nossa sociedade.


Acredito que os poemas resumem sempre aquilo que gostaríamos de dizer, e porque não de viver. Então, aqui vai um pensamento belo de Eugênia Puebla

Mensagem à família

Na educação de nossos filhos
Todo exagero é negativo.
Responda-lhe, não o instrua.
Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua-o, não o isole.
Alimente suas esperanças, não as descarte.
Não exija que seja o melhor, peça-lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo para ele, vivam todos com naturalidade.
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos.
Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele o olha.
E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre outra...
Ensina-lhe a viver sem portas. (Eugênia Puebla)

Um abraço fraterno e amigo
Pe. Eduardo Malaspina

P.S. Mande um recadinho para meu e-mail. Procure nessa página do Blog "Fale com o Padre" e me dê um alô!!!!

O PADRE, MESTRE DA PALAVRA, MINISTRO DOS SACRAMENTOS E GUIA DA COMUNIDADE
5/8/2009
 






Ao recebermos tantas manifestações de carinho por parte dos paroquianos, é sempre oportuno refletir sobre a amplitude do nosso ministério presbiteral. Acredito que essa primeira semana de agosto nos leva a compreender um pouco mais sobre o “ser padre”.

Ao relembramos o Papa João XXIII, em uma de suas alocuções sobre o “Sacerdócio”, ele nos dizia que “o sacerdote é, antes de tudo, e sobretudo, “homem de Deus” – “vir Dei”. Assim pensa de vós e vos julga o povo cristão, assim vos quer o Senhor”. E quando ele se refere ao nosso padroeiro Santo Cura d’Ars, afirma que ao falar de São João Batista Vianey evocamos a figura de um sacerdote excepcionalmente mortificado que, por amor de Deus e pela conversão dos pecadores, privava-se de alimento e sono, impunha-se penitências e, sobretudo, levava a renúncia de si mesmo a um grau heróico. Se é certo que comumente não é pedido a todos os fiéis que sigam este caminho, a Divina Providência dispôs que nunca faltem almas, que, levados pelo Espírito Santo, não hesitem em caminhar-se por estas vias, porque tais homens operam com este exemplo o regresso de muitos, milagres de conversão ao bom caminho e à prática da vida cristã!
O Papa Bento XVI, no Ângelus do último dia 26 de julho, afirmou com propriedade que o sacerdote é instrumento de salvação e se entrega a Deus: “Neste Ano Sacerdotal, recordamos que especialmente nós, os sacerdotes, podemos nos ver neste texto de João, tomando o lugar dos apóstolos, quando dizem: ‘Onde poderemos encontrar pão para toda esta gente?’Lendo sobre aquele anônimo jovem (Jo 6) que tem cinco pães de cevada e dois peixes, também a nós vem espontâneo dizer: mas o que é isso para uma tal multidão? Em outras palavras: quem sou eu? Como posso, com os meus limites, ajudar Jesus na sua missão? E a resposta nos dá o Senhor: precisamente colocando em suas mãos ‘santas e veneráveis’ o pouco que Eles são, os sacerdotes tornam-se assim instrumentos de salvação para tantos, para todos!”

São Gregório Magno dirigia aos sacerdotes: “E preciso que ele [o Pastor] seja puro no pensamento, exemplar na ação, discreto no seu silêncio, útil com a sua palavra; seja próximo a todos com a sua compaixão e seja, mais do que todos, dedicado à contemplação; seja humilde aliado de quem faz o bem, mas, pelo seu zelo da justiça, seja inflexível contra os vícios dos pecadores; não atenue a cura da vida interior nas ocupações externas, nem se descuide de prover às necessidades exteriores pela solicitude do bem interior ”.
Como dizia Santo Inácio de Antioquia a graça e a caridade do altar dilatam-se dessa forma no púlpito, no confessionário, no arquivo paroquial, na escola, no movimento juvenil, nas casas e nas estradas, nos hospitais, nos meios de transporte e nos de comunicação social, onde quer que o sacerdote tenha a possibilidade de exercer o seu trabalho de pastor: em todos os casos, é a sua Missa que se expande, é a sua união com Cristo Sacerdote e Hóstia que o leva a ser trigo de Deus para ser feito pão puro de Cristo pelo bem dos irmãos. (cfr. Romanos 4,1)

O presbítero é o mestre da Palavra, ministro dos sacramentos e guia da comunidade cristã e não vejo outro caminho a ser trilhado pelo sacerdote, a não ser ir copiando em sua vida todos os traços de Jesus Cristo, o Bom Pastor, que outra coisa não fez em sua vida, do que plantar nos corações o Deus vivo.
Agradeço todas as manifestações de apreço para comigo e peço as suas orações, caro internauta, para que o meu ministério seja ainda mais profícuo.
Um abraço fraterno e amigo
Pe. Eduardo Malaspina


UM NOVO MÊS! SEJA BEM-VINDO, MÊS ABENÇOADO!!!
3/8/2009
 



Iniciamos a primeira semana do mês de agosto de 2009! Abençoado seja esse mês. Reforço que a nossa comunidade redobre nesse período as orações pelos sacerdotes, principalmente os padres doentes, cansados e em crise!

Logo cedo tomei dessa Palavra e quero compartilhar com você:
Ânimo, coragem, ousadia. Disse Jesus: Eu vos dou a minha coragem, assim como disse aos meus apóstolos: recebei a minha paz, Eu vos dou a minha coragem. Levantai as vossas cabeças e os vossos braços. Eu disse aos meus apóstolos: ‘No mundo tereis tribulações, mas coragem, confiança, eu venci o mundo’.

Coragem, meu povo! Ousadia! Eu venci o mundo. "Hoje, quero levantar os vossos ânimos, recebei uma porção redobrada do meu Espírito Santo e sede como éreis no tempo do primeiro amor."
Eu vos dou a ordem e vos capacito, levanto os vossos ânimos e vos encho de coragem e ousadia. Encho-vos do meu Espírito Santo, reavivo a chama do meu Espírito Santo, que já está em vós. Dou-vos coragem e ânimo, recebei o meu Espírito Santo.
O mundo vos põe no chão, mas Eu estou convosco e vos dou capacidade para serdes fortes”, é o que o Senhor nos pede hoje.
Nas coisas da fé e nas causas do reino estaremos diarimanete unidos.
Um forte abraço
Pe. Eduardo Malaspina

“Deus não tem o que fazer com nossas boas obras, se o nosso coração não lhe pertencer”.
1/8/2009
 



Um programa de vida cristã!
“A vida humilde, a fidelidade inabalável,
a modéstia nas palavras, a justiça nas ações,
a misericórdia nas obras, a disciplina nos costumes;
o não fazer injúrias; o tolerar as recebidas; o manter a paz com os irmãos;
o amar a Deus de todo o coração;
o amá-lo por ser Pai; o temê-lo por ser Deus;
o nada absolutamente antepor a Cristo,
pois também ele não antepôs coisa alguma a nós;
o aderir inseparavelmente à sua caridade;
o estar ao pé de sua cruz com coragem e confiança,
quando se tratar de luta por seu nome e sua honra,
o mostrar firmeza ao confessá-lo por palavras,
e, no interrogatório, o manter a confiança naquele por quem combatemos,
e, na morte, o conservar a paciência que nos coroará,
tudo isto é querer ser co-herdeiro de Cristo,
é cumprir o preceito de Deus, é realizar a vontade do Pai”.
(São Cipriano de Cartago, séc. III)

A mais bela profissão do homem é rezar e amar!
1/8/2009
 



Prestai atenção, meus filhinhos: O tesouro do cristão não está na Terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Está é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis a felicidade do homem sobre a Terra.
A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando tem o coração puro e unido a Deus, sente-se em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém mais pode separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender.
Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na Sua bondade, permitiu-nos falar com Ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.
Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração a dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do Céu. É como mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem como a neve que se derrete sobre os raios do Sol.
Outro benefício que nos é dado na oração: O tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: ‘Certa vez, quando eu era Pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas rezava ao Bom Senhor e – podeis crer! – O tempo não me parecia longo.’
Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que conversamos uns com os outros.
Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há, até mesmo pessoas que parecem falar com Deus desse modo: ‘Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós…’. Muitas vezes penso nisso: Quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.
(Do Catecismo de São João Maria Vianney, Presbítero)

Para Refletir
31/7/2009
 



"Pense profundamente.
Fale gentilmente.
Ame bastante.
Ria freqüentemente.
Trabalhe com afinco.
Dê com generosidade.
Pague pontualmente.
Ore fervorosamente.
E seja bom." (Elmer Wheeler)

A quem chega paz, a quem fica alegria, a quem parte as bênçãos de Deus!
29/7/2009
 



Caro(a) internauta,
Bem-vindo ao meu blog.
Esse espaço faz parte de um trabalho um pouco maior de evangelização que procuro fazer. Pensei esse espaço na Rede como um meio de partilhar com você e tantas outras pessoas de boa vontade, um pouco de minha experiência de vida e das coisas que refleti e aprendi ao longo do meu ministério de padre.
Penso que a internet pode ser um excelente instrumento de aproximação sadia entre as pessoas, de troca de experiências e idéias, bem como um meio oportuno e eficaz da evangelização.
Ao lado de tantos sites e blogs católicos de excelente qualidade, coloco à sua disposição mais esse espaço, como uma modesta partilha de irmão. Entre e se sinta em casa, a porta está encostada, o lampião está acesso e o café está no fogão.

O tempo é apenas um sopro diante da eternidade.


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